Reabilitação após infarto: o papel da fisioterapia


Existe um mito persistente de que, depois de um infarto, o corpo precisa de repouso prolongado para se recuperar. Na prática clínica, o oposto costuma ser verdadeiro: quanto mais tempo o paciente passa parado, maior o descondicionamento cardiovascular e muscular que ele vai precisar reverter depois. A reabilitação cardíaca é organizada em fases justamente para gerenciar essa transição do repouso absoluto para a atividade plena, sem saltar etapas.

A fase 1, hospitalar, começa nas primeiras horas após a estabilização do paciente, com mobilização progressiva no próprio leito e, em seguida, caminhadas curtas assistidas. Nessa fase, o fisioterapeuta trabalha também a técnica respiratória, já que a dor torácica residual e o medo de se movimentar costumam levar o paciente a respirar de forma superficial, o que aumenta o risco de complicações pulmonares.

A fase 2 começa logo após a alta e costuma ser a mais longa, se estendendo por semanas ou poucos meses. É nela que o condicionamento cardiovascular é reconstruído de forma sistemática, com sessões monitoradas em que a carga de treino aumenta progressivamente conforme a resposta do paciente. Exames como o eletrocardiograma de esforço costumam orientar os limites seguros de frequência cardíaca para cada etapa do programa.

Há também uma dimensão que frequentemente passa despercebida: o impacto psicológico do infarto. Não é incomum que pacientes desenvolvem um medo quase fóbico de qualquer esforço físico, associando qualquer taquicardia a um novo evento cardíaco. Participar de um programa estruturado, com acompanhamento próximo e metas claras, ajuda a reconstruir essa confiança de forma gradual — o paciente aprende, na prática, a distinguir entre o esforço saudável e um sinal de alerta real.

Ao final do processo, a fase 3 foca em consolidar a independência: o paciente segue se exercitando, agora com menos supervisão direta, mas com uma bagagem de autoconhecimento sobre seus próprios limites que dificilmente teria adquirido sozinho. Cada etapa é acompanhada com reavaliações que orientam os ajustes necessários, sempre com o objetivo de devolver autonomia real, e não apenas ausência de sintomas.

Reabilitação após infarto: o papel da fisioterapia Reabilitação após infarto: o papel da fisioterapia Revisado por Faça Fisioterapia on sexta-feira, julho 31, 2026 Rating: 5
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