Aneurismas


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Um aneurisma é uma saliência ou protrusão (dilatação) na parede de uma artéria, geralmente, da aorta. Em geral, a dilatação (aneurisma) ocorre em uma área frágil da parede da artéria. Embora possam ocorrer em qualquer local ao longo da aorta, três quartos desses defeitos ocorrem no segmento abdominal. Os aneurismas são protuberâncias arredondadas (saculares) ou tubulares (fusiformes), sendo esses últimos os mais freqüentes. Os aneurismas da aorta são decorrentes principalmente da aterosclerose, a qual enfraquece suficientemente a parede da aorta até a pressão intra-arterial provocar a sua protrusão. Freqüentemente, ocorre a formação de um coágulo sangüíneo (trombo) no aneurisma, o qual pode disseminar-se ao longo de toda a parede.

A hipertensão arterial e o tabagismo aumentam o risco aneurisma. Traumatismo, doenças inflamatórias da aorta, distúrbios hereditários do tecido conjuntivo, como a síndrome de Marfan, e a sífilis são distúrbios que predispõem um indivíduo à formação de aneurismas. No caso da síndrome de Marfan, o aneurisma pode desenvolver-se na aorta ascendente (o segmento que emerge diretamente do coração). Os aneurismas também podem desenvolver-se em outras artérias que não a aorta. Muitos deles são decorrentes de uma debilidade congênita ou da aterosclerose; outros são devidos a lesões causadas por arma branca ou por arma de fogo ou por infecções bacterianas ou fúngicas na parede arterial.

Geralmente, a infecção começa em uma outra região do corpo, mais comumente em uma válvula cardíaca. Os aneurismas infectados de artérias cerebrais são particularmente perigosos e exigem um tratamento precoce. Freqüentemente, o tratamento inclui a reparação cirúrgica, a qual apresenta um alto risco.

Aneurismas da Aorta Abdominal

Os aneurismas localizados no segmento da aorta que passa pelo abdômen tendem a ocorrer em uma mesma família. Muitas vezes, esses aneurismas desenvolvem-se em pessoas com hipertensão arterial. Esses aneurismas freqüentemente atingem mais de 7 centímetros e podem romper. (O diâmetro normal da aorta é de 1,9 a 2,5 centímetros.)

Sintomas

Um indivíduo com aneurisma da aorta abdominal freqüentemente começa a perceber uma espécie de pulsação no abdômen. O aneurisma pode causar dor, geralmente uma dor profunda e penetrante, sobretudo na região dorsal. A dor pode ser intensa e constante, embora ela possa ser aliviada com a mudança de posição. Geralmente, o primeiro sinal de uma ruptura é uma dor intensa na região inferior do abdômen e nas costas e sensibilidade na área sobre o aneurisma. No caso de um sangramento interno grave, o indivíduo pode entrar rapidamente em choque. Um aneurisma abdominal roto é freqüentemente fatal.

Diagnóstico

A dor é um sintoma diagnóstico muito útil, mas que surge tardiamente. No entanto, muitos indivíduos com aneurisma não apresentam sintomas e são diagnosticadas por acaso, durante exames físicos de rotina ou por radiografias realizadas por outra razão qualquer. O médico pode sentir uma massa pulsátil na linha média do abdômen. Os aneurismas de crescimento rápido, que estão prestes a romper, freqüentemente doem espontaneamente ou quando são pressionados durante o exame da região abdominal. Nos indivíduos obesos, mesmo aneurismas grandes podem passar desapercebidos. Vários procedimentos laboratoriais auxiliam no diagnóstico de aneurismas.

Uma radiografia abdominal pode revelar um aneurisma que possui depósitos de cálcio em sua parede. Comumente, um exame ultra-sonográfico revela com nitidez o tamanho do aneurisma. A tomografia computadorizada (TC) abdominal, principalmente qando realizada após a injeção intravenosa de um contraste, é ainda mais precisa na determinação do tamanho e da forma do aneurisma, mas trata-se de um exame mais caro. A ressonância magnética (RM) também é precisa, porém é mais cara que a ultra-sonografia e é raramente necessária.

Tratamento

A menos que o aneurisma esteja rompendo, o tratamento dependerá de seu tamanho. Um aneurisma com menos de 5 centímetros de largura raramente se rompe, mas, quando é maior do que 6 centímetros, a ruptura é uma ocorrência mais comum. Por essa razão, os médicos geralmente recomendam a cirurgia para aneurismas com mais de 5 centímetros de largura, a menos que o procedimento seja arriscado demais por outras razões médicas. A cirurgia consiste na colocação de um enxerto sintético para reparar o aneurisma.

O índice de mortalidade decorrente desse tipo de cirurgia é de aproximadamente 2%. A ruptura ou a ameaça de ruptura de um aneurisma abdominal exige uma cirurgia de emergência. O risco de morte durante uma cirurgia para um aneurisma roto é de aproximadamente de 50%. Quando ocorre a ruptura de um aneurisma, os rins apresentam risco de lesão em função do comprometimento da irrigação sangüínea ou do choque relacionado à perda de sangue. Caso ocorra insuficiência renal após a cirurgia, a probabilidade de sobrevivência é muito baixa. Um aneurisma roto e não tratado sempre é fatal.

Aneurismas da Aorta Abdominal Torácica

Os aneurismas localizados no segmento da aorta que avança ao longo do tórax são responsáveis por um quarto de todos os aneurismas aórticos. Em uma forma particularmente comum de aneurisma da aorta torácica, a aorta dilata-se ao deixar o coração. Essa dilatação pode causar disfunção da válvula localizada entre o coração e a aorta (válvula aórtica), permitindo o refluxo sangüíneo ao coração quando a válvula se fecha. Cerca de 50% dos indivíduos com esse problema são portadores da síndrome de Marfan ou de uma de suas variações. Nos demais 50%, o distúrbio não possui uma causa aparente, embora muitas dessas pessoas sejam hipertensas.

Sintomas

Os aneurismas da aorta torácica podem tornarse enormes sem produzir sintomas. Os sintomas são decorrentes da pressão exercida pela aorta sobre as estruturas vizinhas. Os sintomas típicos são a dor (normalmente na na parte superior das costas), a tosse e sibilos. A pessoa pode expectorar sangue em decorrência da pressão exercida sobre a traquéia ou da erosão desse órgão ou das vias respiratórias vizinhas. A pressão sobre o esôfago, o canal que transporta os alimentos até o estômago, pode tornar a deglutição difícil. A rouquidão pode ser decorrente da pressão sobre o nervo que inerva a laringe. O indivíduo pode apresentar um conjunto de sintomas (síndrome de Horner) que consiste na constrição pupilar, na queda palpebral e na sudorese em apenas um dos lados do rosto.

As radiografias torácicas podem revelar deslocalmento da traquéia. Além disso, pulsações anormais da parede torácica também podem ser um sinal de um aneurisma da aorta torácica. Quando ocorre ruptura de um aneurisma da aorta torácica, a dor intensa geralmente começa na porção superior das costas. A dor pode irradiar pelas costas e atingir o abdômen à medida que a ruptura progride. A dor também pode ser sentida no tórax e nos membros superiores, simulando um infarto do miocárdio. O indivíduo pode entrar rapidamente em choque e morrer devido à perda sangüínea.

Diagnóstico

O médico pode diagnosticar um aneurisma da aorta torácica baseando-se nos sintomas ou pode diagnosticar um aneurisma por acaso, durante um exame. Uma radiografia torácica obtida por outra razão qualquer pode revelar a existência de um aneurisma. Para se determinar com precisão o tamanho do aneurisma, são utilizadas a tomografia computadorizada (TC), a ressonância magnética (RM) ou a ultra-sonografia transesofágica. A aortografia (procedimento radiológico realizado após a injeção de um contraste que delineia o aneurisma) é comumente utilizada para ajudar o médico a determinar a necessidade ou não de uma cirurgia e também o tipo de cirurgia mais adequada.

Tratamento

Geralmente, quando um aneurisma da aorta torácica apresenta 7 centímetros de largura ou mais, é realizada a reparação cirúrgica utilizando- se um enxerto sintético. Como a ruptura é mais provável em pessoas porta doras da síndrome de Marfan, os médicos podem recomendar que esses pacientes sejam submetidos à reparação cirúrgica mesmo de aneurismas menores. O risco de morte durante a reparação de aneurismas da aorta torácica é alto (cerca de 10% a 15%) Por essa razão, pode ser instituída a terapia medicamentosa com um betabloqueador para reduzir a freqüência cardíaca e a pressão arterial o bastante para diminuir o risco de ruptura.



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