Atualmente a doença coronariana é a maior causa de morbidade e mortalidade em países industrializados da Europa e da América do Norte. Cerca...




Atualmente a doença coronariana é a maior causa de morbidade e mortalidade em países industrializados da Europa e da América do Norte. Cerca de 30% de todos os óbitos ocorridos no Brasil, tem as doenças cardiovasculares como responsáveis, sendo o infarto agudo do miocárdio sua principal causa.

Principais sintomas

Os sintomas da doença arterial coronariana estão relacionados à angina, que é uma sensação de dor em forma de aperto no peito, que dura de 10 a 20 minutos e que pode irradiar para o queixo, pescoço e braços. Mas a pessoa pode também apresentar outros sinais e sintomas, como:

  • Cansaço ao realizar pequenos esforços físicos,
  • Sensação de falta de ar;
  • Tonturas;
  • Suor frio;
  • Náusea e/ou vômitos.

Muitas vezes estes sinais são difíceis de identificar porque têm tendência a surgir gradualmente, sendo mais difíceis de ser notados. Por essa razão, é comum que a doença coronariana seja identificada já num grau muito desenvolvido ou quando causa alguma complicação grave, como o infarto.

A prevenção

A prevenção da doença coronariana pode ser feita através de bons hábitos de vida como deixar de fumar, alimentar-se corretamente, fazer atividade física e baixar os níveis de colesterol. Os níveis adequados de colesterol são:

  • HDL: acima de 60 mg/dl;
  • LDL: abaixo de 130 mg/dl; sendo abaixo de 70 para pacientes que já infartaram ou que têm diabetes, pressão alta ou fumam, por exemplo.

Quem tem elevado risco de desenvolver uma doença coronária, além de adotar um estilo de vida saudável deve, ainda, fazer acompanhamento junto com um cardiologista, pelo menos, 1 a 2 vezes por ano.

A Fisioterapia

A Fisioterapia Cardiológica está relacionada à prevenção e ao tratamento das doenças cardíacas através do exercício físico, proporcionando uma série de benefícios como:

Melhora na capacidade funcional
Redução de fatores de risco
Redução dos sintomas
Melhora na qualidade de vida e detecção precoce de sinais
Sintomas que antecedem importantes complicações e descompensações.

É um tratamento considerado eficiente para pacientes diagnosticados de insuficiência cardíaca, infarto agudo do miocárdio, cardiopatias congênitas, entre outras. A Fisioterapia Cardiológica permite que o paciente retorne gradativamente as suas atividades básicas do cotidiano.

A reabilitação cardiovascular compreende um conjunto de atividades relacionadas à melhoria do bem-estar físico, social e mental para pessoas com problemas relacionados ao sistema cardiocirculatório, tais como: infarto no miocárdio, insuficiência cardíaca, cirurgias cardíacas, doenças arteriais periféricas, coronariopatias, doenças cardíacas congênitas, entre outras.

No programa de reabilitação, o paciente deve ser acompanhado por um médico cardiologista para diagnóstico e acompanhamento clínico adequado, bem como adequação do uso dos medicamentos.

Um bom mapa mental para estudo:



INTRODUÇÃO As cirurgias cardíacas são procedimentos de grande porte que, apesar de serem consideradas seguras, são acompanhadas ...

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INTRODUÇÃO

As cirurgias cardíacas são procedimentos de grande porte que, apesar de serem consideradas seguras, são acompanhadas de processos complexos como anestesia geral, circulação extracorpórea, ventilação mecânica e imobilidade ao leito1,2 que dependendo do tempo de exposição, podem representar maior morbimortalidade nos pacientes.

Além desses fatores, pacientes cardiopatas têm uma perda da capacidade funcional, resultante da diminuição da capacidade oxidativa do músculo esquelético e reduzida perfusão muscular. Somado a isso, o tempo que o paciente permanece em ventilação mecânica pode contribuir com o imobilismo no leito, tendo efeito determinante na força e na função muscular periférica, pois pacientes em assistência ventilatória mecânica (AVM) são mais difíceis de mobilizar e muitas vezes estão sedados com fármacos vasoativos que limitam a mobilização.3

Se por um lado, a inatividade dos pacientes sob VMI comprometem o sistema osteomioarticular, tais alterações no sistema musculoesquelético serão predisponentes para aumentar o tempo de VM nesses pacientes.4,5 Com isso, justifica-se um estudo sobre a perda de força muscular periférica, pouco discutida em trabalhos científicos, especialmente na cirurgia cardíaca. Este trabalho Tem por objetivo fazer uma correlação entre o tempo de VMI sobre a força muscular periférica em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca.

 

MÉTODOS

Estudo do tipo transversal, realizado com pacientes de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de hospital privado, referência em cardiologia, na cidade de Feira de Santana, BA, Brasil, no período de abril de 2014 a agosto de 2015.

Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade Nobre sob o nº 796 580. Todos os participantes assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, de acordo com a Resolução CNS 466/12.

Participaram do estudo pacientes com idade >18 anos, de ambos os sexos que foram submetidos à cirurgia de revascularização miocárdica, troca de valvas aórtica ou mitral e correção de comunicação interatrial. Foram excluídos os pacientes que apresentaram instabilidade hemodinâmica, impedindo a evolução do desmame, cirurgia cardíaca prévia, história de pneumopatia comprovada através de espirometria, dificuldade para compreender ou limitação para aplicação da escala para força muscular do Medical Research Council (MRC).6

As avaliações foram realizadas em dois momentos distintos: pré-operatório e pós-extubação. O período pré-operatório foi utilizado para a coleta de dados antropométricos, história clínica dos pacientes, tipo de cirurgia a ser realizada e força muscular periférica inicial por meio do MRC. Após a extubação foram coletados o tempo de ventilação mecânica e novo cálculo do MRC.

O MRC avalia seis grupos musculares bilateralmente: abdutores do ombro, flexores do cotovelo, extensores do punho, flexores de quadril, extensores do joelho e dorsiflexores do tornozelo. Por meio dessa escala, o grau de força de cada grupo muscular é avaliado, atribuindo-se valores que variam de 0 (paralisia total) a 5 (força muscular normal), sendo avaliada mediante a realização voluntária desses seis movimentos específicos, podendo compreender valores de 0 a 60. Vale ressaltar que a avaliação do MRC foi realizada por um avaliador "cego" nos dois momentos.

Após a avaliação pré-operatória os pacientes foram submetidos à cirurgia cardíaca. Realizada esternotomia mediana e circulação extracorpórea. Depois do processo cirúrgico, os pacientes foram direcionados para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e conectados ao ventilador mecânico com os seguintes parâmetros: volume corrente a 6 mL/kg, frequência respiratória para manter a pressão arterial de dióxido de carbono (PaCO2) entre 35-45 mmHg, pressão positiva ao final da expiração (PEEP) de 5 a 8 cmH20 e a menor fração inspirada de oxigênio (FiO2) possível afim de manter uma saturação periférica de oxigênio (SpO2) acima de 95%, conforme recomendações do Consenso brasileiro de assistência ventilatória mecânica.7

Para a evolução do desmame ventilatório, o paciente precisava apresentar estabilidade hemodinâmica com ausência ou vazão mínima de fármacos vasoativos, ausência de distúrbio ácido-básico verificado na gasometria, sangramento pelo dreno <5 mL/kg/h, satisfatório débito urinário, temperatura acima de 36º e adequado nível de consciência, com uma pontuação na escala de coma de Glasgow acima de 10. Essa avaliação e a decisão do momento de extubação foram realizadas pela equipe de plantão (médico, enfermeiro e fisioterapeuta), sem influência dos pesquisadores.

Após a extubação, os pesquisadores anotaram o tempo em que o paciente permaneceu no suporte ventilatório e 12 horas após houve reavaliação da força muscular periférica por meio do MRC.

Os dados foram processados e analisados utilizando o programa GraphPadInstat (GraphPad Inc., San Diego, EUA, Release 3.06, 2003). Inicialmente foram submetidos a critérios de normalidade (teste de Kolmogorov-Smirnov). As variáveis contínuas foram expressas em média±desvio-padrão. Para avaliação dos valores pré e pós-cirurgia foi utilizado o teste t de Student pareado e utilizado o coeficiente de correlação de Spearman. Valores bilaterais de p foram calculados, e o nível de significância adotado foi 5%.

 

RESULTADOS

Durante o período avaliado, ocorreram 80 hospitalizações, porém 11 pacientes foram excluídos do estudo: 6 por instabilidade hemodinâmica, 3 por pneumopatia confirmada e 2 por não aceitarem assinar o termo de consentimento.

Participaram da pesquisa 69 pacientes (56,5% homens) com média de idade 55,9±14,2 anos. A caracterização geral dos pacientes está apresentada na Tabela 1. A cirurgia de revascularização do miocárdio foi a mais prevalente (71,0%), já o tempo médio de CEC foi 65,1±20,1 minutos, enquanto o tempo de VMI foi de 7,3±2,6 horas.

 

 

O valor médio do MRC inicial foi 59,8±0,52 enquanto o valor pós-cirurgia foi 47,5±3,89; p=0,2166. Observou-se correlação negativa significativa entre o tempo de assistência ventilatória invasiva e a força muscular periférica final (r=-0,85; p=0,0001). A força muscular final não teve associação com a força inicial e o tempo de CEC (Tabela 2). A Figura1mostra a correlação entre o tempo AVM e a força muscular final.

 

 

 

 

DISCUSSÃO

A ventilação mecânica invasiva é necessária no pós-operatório de cirurgia cardíaca devido à ação dos medicamentos sedativos que deprimem o centro respiratório.7 Porém, a presença da prótese ventilatória pode gerar piora sobre a capacidade pulmonar e redução da força muscular.3 Este trabalho mostrou que o tempo prolongado de VMI tem impacto negativo sobre a força muscular periférica de pacientes submetidos a cirurgia cardíaca.

Segundo França et al.8 alguns fatores podem contribuir para a piora da força muscular periférica, destacando-se: imobilidade no leito, sepse e a ventilação mecânica, que podem impactar sobre um maior tempo de intubação orotraqueal e hospitalização. Deve-se destacar a imobilidade e a ventilação mecânica que estão presentes nos primeiros dias de pós-cirurgia cardíaca.

Nos últimos anos, protocolos de mobilização e retirada precoce de sedação estão sendo utilizados para abreviar o tempo de VMI e melhorar a força muscular8. O estudo de Feliciano et al.9 verificou ganho sobre a força muscular periférica no grupo que realizou um protocolo de mobilização, sendo uma estratégia viável e segura, reduzindo os efeitos da imobilidade e preservando a força muscular periférica final.

Fonseca et al.7 mostraram que fatores como idade, tempo de CEC e complicações respiratórias como atelectasia podem aumentar o tempo de permanência na VMI. Este, por sua vez, está associado ao aumento do tempo de permanência hospitalar.5

Em estudos realizados com pacientes que realizaram cirurgia cardíaca, as complicações como infecções, insuficiência renal, acidente vascular encefálico, hipertensão arterial, arritmias e infarto agudo do miocárdio são fatores negativamente significativos, determinando aumento da VMI e consequentemente no tempo de hospitalização.5,8,10 Neste estudo, quanto maior o tempo de ventilação mecânica menor foi a força muscular periférica final e isto pode estar associado com os efeitos do imobilismo, assim como o uso de fármacos sedativos. Este dado gera importante agravante que deve ser considerado com o objetivo de estabelecer protocolos de mobilização e identificar com brevidade a diminuição da força.

Em outro estudo nacional, Piotto et al.11 avaliaram os fatores independentes para ventilação mecânica prolongada em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca. Eles distribuíram os grupos em tempo de VM:>48 horas e <48 horas, e encontraram os seguintes fatores em ambos os grupos: idade, doença pulmonar obstrutiva crônica e tempo de CEC. Afirmaram ainda que a descontinuação da ventilação mecânica precoce está associada a melhores resultados.

Apesar de o tempo de CEC ter sido trazido por esses dois estudos como fatores que contribuem para o aumento do tempo de VMI, no presente trabalho não foi encontrada associação entre essa variável e o comportamento da força muscular periférica (-0,04; p=0,7429).

Estudos informam que quanto maior o tempo de imobilismo maior o déficit funcional, e, nesse contexto, enfatiza-se a importância da intervenção fisioterapêutica cada vez mais precoce.6,12 Dentre os procedimentos realizados pelo fisioterapeuta no pós-operatório de CC, está a deambulação, procedimento que gera impacto hemodinâmico, porém se caracteriza seguro e viável, não gerando riscos a pacientes desse perfil.13

Em pesquisa com 22 pacientes, Morais et al.14 relataram que a fisioterapia mostrou benefício em prevenir e amenizar complicaçccedil;ões, assim como devolver ao paciente melhora do desempenho funcional no pós-operatório de cirurgias cardíacas.

Chianget al.15observaram perda da força muscular periférica, descondicionamento e declínio na independência funcional em pacientes ventilados mecanicamente por 14 dias. Os autores aplicaram um programa de treinamento físico por seis semanas em unidade especializada em cuidados respiratórios, tendo os pacientes obtido ganho na força muscular periférica em membros superiores e inferiores, aumento dos dias livres da VM, além de ganhos na independência funcional avaliada pela medida de independência funcional (MIF) e escore de Barthel.

 

CONCLUSÃO

Este estudo concluiu que o tempo de ventilação mecânica invasiva teve influência negativa sobre a força muscular periférica em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca. Sendo assim novas estratégias para desmame precoce deverão ser elaboradas visando aabreviar o tempo de VMI.

Potencial Conflito de Interesses

Declaro não haver conflitos de interesses pertinentes.

Fontes de Financiamento

O presente estudo não teve fontes de financiamento externas.

Vinculação Acadêmica

O presente estudo não está vinculado a qualquer programa de pós-graduação.

 

REFERÊNCIAS

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4. Laizo A, Delgado FEF, Rocha GM. Complicações que aumentam o tempo de permanência na unidade de terapia intensiva na cirurgia cardíaca. Rev Bras Cir Cardiovasc. 2010;25(2):166-71.

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8. França EET, Ferrari F, Fernandes P, Cavalcanti R, Duarte A, Martinez BP, et al. Fisioterapia em pacientes críticos adultos: recomendações do Departamento de Fisioterapia da Associação de Medicina Intensiva Brasileira. Rev Bras Ter Intensiva. 2012;24(1):6-22.

9. Feliciano V, Albuquerque CG, Andrade FMD, Dantas CM, Lopez A, Ramos FF, et al. A influência da mobilização precoce no tempo de internamento na Unidade de Terapia Intensiva. ASSOBRAFIR Ciência. 2012;3(2):31-42.

10. Nozawa E, Kobayashi E, Matsumoto ME, Feltrim MIZ, Carmona MJC, Auler Júnior JOC. Avaliação de fatores que influenciam no desmame de pacientes em ventilação mecânica prolongada após cirurgia cardíaca. Arq Bras Cardiol. 2003;80(3):301-5.

11. Piotto RF, Ferreira FB, Colósimo FC, Silva GS, Sousa AG, Braile DM. Fatores preditores independentes de ventilação mecânica prolongada em pacientes submetidos à cirurgia de revascularização miocárdica. Rev Bras Cir Cardiovasc. 2012;27(4):520-8.

12. Cacau LAP, Oliveira GU, Maynard LG, Araújo Filho AA, Silva Junior WM, Cerqueira Neto ML, et al. The use of the virtual reality as intervention tool in the postoperative of cardiac surgery. Rev Bras Cir Cardiovasc. 2013;28(2):281-9.

13. Cordeiro ALL, Ávila A, Amorim N, Naisa I, Carvalho S, Guimarães ARF, et al. Análise do grau de independência funcional pré e na alta da UTI em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca. Revista Pesquisa em Fisioterapia. 2015;5(1):21-7.

14. Morais DB, Lopes ACR, Sá VM, Silva Junior WM, Cerqueira Neto ML. Avaliação do desempenho funcional em pacientes submetidos à cirurgia cardíaca. Rev Bras Cardiol. 2010;23(5):263-9.

15. Chiang LL, Wang LY, Wu CP, Wu HD, Wu YT. Effects of physical training on functional status in patients with prolonged mechanical ventilation. Phys Ther. 2006;86(9):1271-81.


POR

André Luiz Lisboa Cordeiro1; Gardênia Oliveira Queiroz1; Marcele Martins Souza1; André Raimundo Guimarães2; Thiago Melo de Araújo3; Marco Aurélio de Valois Correia Junior4; Sarah Oliveira Carvalho2; Max Paulo Peruna1

Resumo Contextualização: O transplante de coração (TC) é uma alternativa para os pacientes com doenças cardiovasculares refratária...


Resumo

Contextualização: O transplante de coração (TC) é uma alternativa para os pacientes com doenças cardiovasculares refratárias. A partir dessa técnica cirúrgica, várias alterações cardiorrespiratórias que somadas ao estado anterior da doença acometem os pacientes transplantados. Então, com o intuito de reverter essas alterações é prescrita a reabilitação cardíaca (RC) que através de uma equipe multidisciplinar, os fisioterapeutas atuam com o objetivo de melhorar esse quadro e a qualidade de vida desses pacientes. Objetivo: Através de um levantamento retrospectivo de artigos científicos publicados e indexados, descrever a atuação do fisioterapeuta na equipe de RC e identificar os benefícios da mesma, apresentados pelos pacientes submetidos a um TC. Método: Os artigos foram obtidos nos bancos de dados PubMed, SciELO e PEDro através das palavras chaves Fisioterapia, Reabilitação e Transplante de Coração, nas línguas portuguesa, inglesa e espanhola, pelos últimos 10 anos. Resultado: Foram encontrados 78 artigos, porém apenas 13 foram utilizados depois de submetidos aos critérios de inclusão e exclusão. Conclusão: Apesar dos poucos estudos, com boa qualidade metodológica avaliada pela escala de PEDro, que retratem a atuação dos fisioterapeutas na equipe de RC e os seus benefícios nos pacientes transplantados, foi verificado uma melhora da capacidade de exercício e melhor qualidade de vida mental e social desses pacientes quando submetidos a um programa de RC.

Palavras-chaves: Fisioterapia, Reabilitação e Transplante de coração

 

Abstract

Background: Heart transplantation (HT) is an alternative for patients with refractory heart disease. From this surgical technique, several cardiorespiratory changes that added to the previous state disease affect patients transplanted. So, in order to reverse these changes is prescribed cardiac rehabilitation (CR) which through a multidisciplinary team, physical therapists work in goal to improve this situation and quality of life for this patients. Objective: Through a retrospective survey of scientific articles published and indexed, to describe the role of physiotherapist in the CR team and identify the benefits from it, presented by the patients underwent a (HT). Method: The articles were obtained from the database PubMed, SciELO and PEDro using the words Rehabilitation and Heart Transplantation in Portuguese, English and Spanish, for the last 10 years. Result: 78 articles were found, however, this number decreased to 13 articles after passing through the inclusion and exclusion criteria. Conclusion: Despite the few studies with good methodological quality evaluated by the PEDro scale, which portray the role of physiotherapists in the team of CR and its benefits in transplant patients, we observed an improvement in exercise capacity and improved quality of life of cognitive and social patients when they underwent a CR program.

Keywords: Physiotherapy, Rehabilitation and Heart Transplantation

Introdução

As doenças cardiovasculares (DVC) representam a primeira causa de óbito no Brasil, dentre as quais a insuficiência cardíaca (IC) é uma das mais frequentes, caracterizada como o estágio final da maioria das cardiopatias, além de representar um problema mundial em saúde pública (MAGAÑA e RUBÉN, 2005; ISHITANI et al., 2006). Apesar do aumento da expectativa de vida, proporcionado pelos avanços na área tecnológica e da saúde, a incidência da IC tem aumentado decorrente da exposição aos fatores influenciáveis como hábitos tabágicos, desequilíbrio lipídico, hipertensão arterial sistêmica, obesidade, inatividade física e diabetes mellitus, e fatores não-influenciáveis que incluem tendências hereditárias, idade e gênero (ISHITANI et al., 2006; HELITO et al., 2009; SAHADE e MONTERA, 2009).
De acordo com a Associação do coração de New York, a IC refratária a tratamento medicamentoso, pode ser classificada em classe funcional III ou IV com sintomas incapacitantes, ou com alto risco de óbito no período de um ano (BACAL et al., 2010), e tem no transplante de coração (TC) a sua melhor opção cirúrgica6-9. Essa modalidade terapêutica foi realizada pela primeira vez com sucesso pelo Dr. Christian Barnard, na África do Sul em 1967 (MAGAÑA e RUBÉN, 2005; RAMAKRISHNA et al., 2009), e proporciona uma boa expectativa de vida, sendo considerado de grande eficácia, pois aumenta o tempo de sobrevida por mais de 90% no primeiro ano1 e por mais de 87% em cinco anos após o TC (CORONEL et al., 2010).
De acordo com o Ministério da Saúde, o programa público de transplante de órgãos e tecidos no Brasil é considerado como um dos maiores do mundo (MINISTÉRIO, 2011). Sendo realizado no período de janeiro à março de 2011, no Brasil, 39 TC, dentre os quais, nesse mesmo período, no estado de Pernambuco, foi realizado apenas um TC, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ASSOCIAÇÃO, 2010).
As alterações cardiorrespiratórias habitualmente encontradas após a realização dessa modalidade cirúrgica são desnervação cardíaca, menor volume sistólico (VS) durante repouso e em exercícios máximos10, menor resposta da frequência cardíaca (FC) ao exercício e o seu aumento em repouso, déficits de consumo de oxigênio (VO2) no exercício e no limiar anaeróbico, redução da extração periférica de oxigênio, alterações espirométricas, além do descondicionamento físico (WILLIAMS et al., 2006), resultante em parte ao estado pré-transplante, terapia medicamentosa e o tempo de espera para a realização do TC6.
Com o crescente número de TC em nosso país, e com o intuito de reverter as alterações cardiorrespiratórias resultantes, foi implementada a RC a partir da segunda metade do século XX (GARDENGHI e DIAS, 2007), que pode ser definida como a soma das atividades necessárias, com ênfase na prática do exercício físico, que promove ao longo do tempo adaptações morfológicas e funcionais, além de garantir melhor qualidade física, mental e social (CARVALHO et al., 2006; UENO e TOMIZAWA, 2009). Nesse programa de RC são também inclusos programas educacionais sobre os fatores de risco como fumo, sobrepeso e inatividade física, e programas orientacionais que estão diretamente ligadas à compreensão da doença e modificação dos fatores de risco por parte do paciente (STEWART et al., 2003; WILLIAMS et al., 2006).
Esse programa deve ser iniciado precocemente, ainda na fase hospitalar, quando hemodinamicamente estável e sem uso de drogas endovenosas, com seu prosseguimento durante o período após a alta hospitalar (GARDENGHI e DIAS, 2007). Geralmente, são prescritos programas de RC que variam entre oito a doze semanas (STEWART et al., 2003; GHISI et al., 2010), dividido desse modo pela Associação Britânica de Reabilitação Cardíaca em 4 fases, descritas como fase I, no período de hospitalização; fase II, período imediato após a alta hospitalar; fase III, período intermediário após a alta hospitalar (GHISI et al., 2010); e a fase IV, período de manutenção à longo prazo (CARVALHO et al., 2006; GARDENGHI e DIAS, 2007).
Os benefícios da RC relatados são a redução da FC em exercício, diminuição da PA em repouso e no exercício submáximo, aumento do VO2 máximo (GHISI et al., 2010), retardo de elevação de lactato durante o exercício, a redução no índice de percepção de esforço (IPE), representado pela escala de Borg e melhoria da capacidade funcional (MYERS et al., 2003; STEWART et al., 2003; MAIR et al., 2008).
Portanto, como a RC integra uma equipe multidisciplinar (WILLIAMS et al., 2006; MAIR et al., 2008), o papel específico do fisioterapeuta, está relacionado com o componente funcional do paciente e baseado no esquema de reabilitação individual (GARDENGHI e DIAS, 2007). O fisioterapeuta atua na análise das capacidades e limitações do paciente, identificação de seus fatores de risco, orientação sobre os objetivos e os benefícios da fisioterapia (BRUM et al., 2004). Com objetivo principal de influenciar as capacidades cardiorrespiratórias e de mobilidade, de modo a aumentar a tolerância ao exercício, otimizar a participação na vida social, e melhorar a qualidade de vida (MAIR et al., 2008; RABBO et al., 2010).
Diante do exposto, e considerando que há uma melhora do desempenho cardiorrespiratório e na qualidade de vida dos pacientes transplantados quando submetidos à programas de RC, o presente estudo teve como objetivo realizar uma busca pela literatura especializada para descrever a atuação do fisioterapeuta na equipe de RC e identificar os benefícios da mesma, apresentados pelos pacientes submetidos a TC.

 

Metodologia

O presente estudo está vinculado à Universidade Católica de Pernambuco, ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde e ao Curso de Fisioterapia. Trata-se de uma revisão realizada por meio de um levantamento retrospectivo de artigos científicos sobre a atuação do fisioterapeuta na RC em pós-operatório de pacientes submetidos a TC, publicados nos últimos 10 anos, nos idiomas Português, Inglês e Espanhol. Sendo a busca, realizada em estudos indexados disponíveis na internet e nas bases de dados National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Physiotherapy Evidence Database (PEDro).
Foram empregadas as palavras–chave fisioterapia, reabilitação e transplante de coração, e suas similares em inglês e em espanhol, usadas isoladamente ou em combinação. Os artigos encontrados foram pré-selecionados a partir da leitura do resumo disponível, com posterior seleção dos artigos para a sua utilização na revisão. Esses, foram analisados e categorizados com vista ao delineamento do estudo, ano de publicação, a fonte, o pesquisador, objeto de estudo, população estudada e o tempo de exposição.
Como critérios de inclusão foram utilizados os artigos que abordam o TC como tratamento para doenças coronarianas refratárias, e os que abordam a participação do fisioterapeuta na equipe de RC. Já os artigos de revisão, para utilização nos resultados e discussão, e os que obtiveram escore inferior a quatro na avaliação pela escala de PEDro, foram excluídos para sua utilização do presente estudo.
A Escala de PEDro é utilizada para avaliar a validade interna e qualidade metodológica, empregada em ensaios clínicos, contém 11 critérios de avaliação e tem uma pontuação de 0-10 pontos, quanto maior o escore, melhor a qualidade do estudo. Para cada critério definido na escala, um ponto é atribuído, e zero ponto pela ausência desses indicadores, porém o primeiro critério não é pontuado. São avaliados nessa escala os critérios de elegibilidades, aleatorização entre os grupos, distribuição cega dos sujeitos, semelhança entre os grupos, grupo cego, terapeuta cego, avaliadores cegos, medição de resultado-chave superior a 85%, análise por "intenção de tratamento", comparações estatísticas inter-grupo, medidas de precisão e variabilidade do estudo (SAMPAIO e MANCINI, 2007).

 

Resultados

A pesquisa inicialmente realizada nas bases de dados eletrônicos identificou 78 referências, usadas as palavras-chave tanto em combinação, quanto isoladas, foram exclusos os artigos repetidos. Sendo composto de 19 artigos da base de dado PubMed, 38 artigos da base de dado SciELO e 21 artigos da base de dado PEDro. Os quais foram selecionados através do título e do resumo, e sua relação com o objetivo do trabalho atual. Para sua utilização no presente estudo, os mesmos foram submetidos aos critérios de inclusão e exclusão, resultando em em número total de 13 artigos, como exposto na tabela 1 abaixo.

 

Tabela 1. Coleta, seleção e utilização dos artigos das bases de dados PubMed, SciELO e PEDro.

 

Nas tabelas seguintes, serão apresentadas as tabelas com os seguintes tópicos para posterior discussão, – Etiologia para realização do transplante de coração; – Consequências do transplante de coração; – Benefícios da reabilitação cardíaca no pós-operatório de pacientes submetidos a transplante de coração; e Atuação do fisioterapeuta na equipe de reabilitação cardíaca, representados pelas tabelas 2, 3, 4 e 5, respectivamente.

 

 

Discussões

ETIOLOGIA PARA REALIZAÇÃO DO TRANSPLANTE DE CORAÇÃO

A IC refratária constitui a via final da maioria das DVC, entre elas as mais incidentes são a cardiomiopatia dilatada (CD), a doença arterial coronariana (DAC) e a miocardiopatia isquêmica (MI), sendo as principais indicações da modalidade terapêutica de TC, no qual a terapia farmacológica não é mais responsiva nas alterações de contração e relaxamento da musculatura cardíaca e na reversão dos sintomas da IC (BENGEL et al., 2001; SQUIRES et al., 2002; SALLES et al., 2006).
Em relação às características dos estudos analisados, viu-se que a maioria dos estudos aponta a CD como a principal etiologia para realização do TC (BENGEL et al., 2001; SQUIRES et al., 2002; SALLES et al., 2006). Enquanto nos estudos de Houssiere et al. (2007) e Myers et al. (2003), o maior índice para a realização dessa modalidade foi a DAC. Já no estudo de Yoshimori et al. (2010), relata que a principal causa de sua realização foi a MI.

 

CONSEQUÊNCIAS DO TRANSPLANTE DE CORAÇÃO

Sintomáticos pela IC refratária, os sintomas limitantes das atividades físicas e de vida diária são detectáveis até durante o estado de repouso (YOSHIMORI et al., 2010). Portanto, o TC é indicado como tratamento otimizador a fim de reverter esse quadro clínico (KARAPOLAT et al., 2008). Porém, mesmo com essa realização cirúrgica que restaura em parte a função cardiorrespiratória, o estado clínico e a capacidade de exercícios ainda encontram-se limitados, devido ao estado pré-transplante do paciente, à cirurgia, ao tratamento medicamentoso, aos efeitos deletérios da imobilização, e ao descondicionamento físico (BENGEL et al., 2001; TEGTBUR et al., 2005; BOZBAS et al., 2009).
As alterações cardiorrespiratórias geralmente encontradas são desnervação miocardíaca (BENGEL et al., 2001), aumento da FC em repouso (SQUIRES et al., 2002) e da PA (TEGTBUR et al., 2003), aumento de débito cardíaco (DC) pelo aumento do VS, diminuição da fração de ejeção (FE), déficit na reserva cronotrópica, menor valor de VO2 pico representando 70% do valor previsto para a idade (MYERS et al., 2003), diminuição das pressões respiratórias e dos valores espirométricos (BOZBAS et al., 2009), e descondicionamento físico (TEGTBUR et al., 2003; TEGTBUR et al., 2005; BOZBAS et al., 2009).
Scott et al. (2009) em seu estudo, caso – controle, relata que sua amostra de nove pacientes submetidos a transplante de coração tiveram uma maior FC, em ausência da inervação parassimpática; além de uma diminuição do VO2 pico em comparação ao grupo controle (GC). Contudo, o estudo cross-over, de Salles et al. (2006), com uma amostra de 45 pacientes transplantados cardíacos, evidencia um aumento da FC de repouso e da pressão arterial sistólica (PAS) em repouso. Porém, o estudo de Bengel et al. (2001), um caso – controle, com amostra de 29 transplantados relata que a PAS e a FE no repouso não diferiam com relação ao GC.
No estudo de Bengel et al. (2001), foi verificado que a desnervação miocárdica é característica dos transplantados cardíacos, sendo relatado inicialmente na sua amostra de 29 transplantados cardíacos, no qual após alguns meses, a maioria da sua amostra apresentou uma re-inervação simpática. Apresentando também níveis de catecolaminas no plasma cuja ação excitatória está relacionada ao aumento da FC e contratilidade miocárdica semelhantes tanto no grupo desnervação, quanto no grupo de re-inervação cardíaca em repouso. No entanto, no estudo de On et al. (2009), foi relatada uma depressão nas variações do intervalo RR no traçado do eletrocardiograma em repouso na sua amostra de 25 pacientes transplantados precoce e tardiamente, quando comparado ao grupo controle. Essa redução da variação é apontada como uma diminuição da atividade parassimpática, fator que não leva a grande alteração da FC, ocorrendo uma resposta anormal da mesma.
Squires et al. (2002) em sua pesquisa com 95 pacientes submetidos a transplante de coração observou que há uma reduzida reserva cronotrópica, que implica na diminuição da capacidade de exercício, porém esses valores foram melhores para aqueles com normalização parcial da FC, mas que não esteve associado com melhor VO2. Nesse estudo, acredita-se que a normalização parcial da FC esteve correlacionada com a re-invervação simpática.

 

BENEFÍCIOS DA REABILITACAO CARDÍACA NO PÓS-OPERATÓRIO DE PACIENTES SUBMETIDOS A TRANSPLANTE DE CORAÇÃO

O programa de RC é integrado pela prática de exercícios físicos, programas educacionais e orientacionais para reversão dos fatores de risco com objetivo de restituir as funções físicas e sociais, melhorando a qualidade de vida dos pacientes transplantados (MEIRELLES et al., 2006).
Quando inseridos nesse programa, os pacientes com transplante de coração apresentam diversos benefícios como redução da FC de repouso e em exercício submáximo, aumento da FC máxima, diminuição do nível sistólico e diastólico da PA, aumento do VO2 (TEGTBUR et al., 2005), aumento da força muscular, redução da gordura corporal, melhora da capacidade de exercício (KARAPOLAT et al., 2008), e melhora da qualidade de vida (TEGTBUR et al., 2003).
Contudo, Scott et al. (2009) em seus resultados, relata que sua amostra não apresentou mudança na gordura corporal, mas no grupo de transplantados cardíacos re-inervados foi evidenciado maiores níveis de catecolaminas plasmáticas no pico de exercício, implicando uma FC pico similar aos saudáveis de mesma idade. Enquanto isso, Tegtbur et al. (2005) em seu estudo experimental randomizado, com 20 pacientes transplantados do grupo de intervenção, e após um ano de exercício com cicloergômetro em domicílio, percebeu que ocorreu diminuição da gordura corporal, melhora no recondicionamento físico nos três primeiros meses de RC, e entre o quarto e décimo segundo mês, a capacidade de exercício aumentou, principalmente pela melhora da função muscular.
No ensaio clínco realizado no estudo de Squires et al. (2002), um ano após a realização de um programa de seis-oito semanas de exercícios, 34% da sua amostra apresentou uma normalização parcial da FC ao esforço progressivo, com maior aumento da FC no início do exercício, apresentando também um maior aumento do VO2 durante os primeiros minutos de exercício, porém isso não significou uma melhora na capacidade de exercício.

 

ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA EQUIPE DE REABILITAÇÃO CARDÍACA

A atuação da equipe multidisciplinar no programa de RC é apresentada como fator favorável ao paciente, sendo composta por médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, educadores físicos e psicólogos. A atuação do fisioterapeuta inicia-se a partir da anamnese, do exame físico e do teste de função pulmonar (YOSHIMORI et al., 2010), teste cardiopulmonar em bicicleta ou esteira ergométrica para determinação do limiar anaeróbico e para a prescrição de exercícios em cicloergômetro (MYERS et al., 2003; BOZBAS et al., 2009; SCOTT et al., 2009), com o objetivo de determinar intensidades seguras de exercício, além de avaliar a aptidão cardiorrespiratória (TEGTBUR et al., 2003), sendo determinado um treino individualizado para cada paciente que vai de acordo com a força muscular individual, flexibilidade e resistência aeróbica (KARAPOLAT et al., 2008).
De acordo com a maioria dos estudos a prática de exercícios físicos foi realizada através de exercícios submáximo sustentados (TEGTBUR et al., 2003; TEGTBUR et al., 2005; SCOTT et al., 2009), exercícios aeróbicos moderados em bicicleta ou esteira, juntamente com exercícios respiratórios e de relaxamento associados com programas educacionais (MEIRELLES et al., 2006).
Como exposto no estudo de Karapolat et al. (2008), com uma amostra de 28 pacientes para exercícios hospitalares e em domicílio, sua amostra de intervenção participou de um programa de exercícios supervisionados por um fisioterapeuta, composto de exercícios de flexibilidade que incluía amplitude de movimento e alongamento da região cervical e da coluna lombar, além das extremidades superiores e inferiores; exercícios aeróbicos por 30 minutos em esteira ou bicicleta ergométrica; exercícios de fortalecimento para membros, abdômen superior e inferior, utilizando pesos progressivamente; exercícios respiratórios com lábios semicerrados e sincronização de movimento torácico, e abdominal; e exercícios de relaxamento. Programa esse semelhante ao exposto no estudo de Meirelles et al. (2006) que realiza uma associação entre exercícios aeróbicos com duração de 40 minutos em bicicleta ou esteira, de fortalecimento e flexibilidade.
Para a prescrição da intensidade dos exercícios, o fisioterapeuta dispõe de várias meios de determinação, como por exemplo o teste ergométrico (SCOTT et al., 2009) e na falta desses recursos, a intensidade do exercício pode ser determinada através da frequência cardíaca de treinamento (FCT) (TEGTBUR et al., 2005), sendo usadas essas formas para a determinação no exercício aeróbico. Um outro método é através da taxa de equivalente metabólico ( MET, do inglês – Metabolic Equivalent Task) onde 1 MET equivale = 3,5mlO2/kg/min é um método indicado no programa de condicionamento físico, sendo um meio de determinação da intensidade de exercício anaeróbico, como bem exposto no estudo dos fisioterapeutas do estado de São Paulo (LOMELÍ, 2006), onde sua amostra de 21 pacientes, participou de um protocolo de exercício com seis fases progressivas, de intensidade estimada entre dois a seis equivalentes metabólicos. Portanto, é de especial importância a monitorização dos sinais vitais durante a realização dos exercícios, através da avaliação da FC, PA, saturação periférica de oxigênio, IPE, o aspecto clínico do paciente, além da avaliação da qualidade de vida (TEGTBUR et al., 2003; TEGTBUR et al., 2005; YOSHIMORI et al., 2010). A RC com exercício supervisionado, onde os indivíduos realizam exercício físico prescrito e orientado sob a direção de um fisioterapeuta atuante nessa equipe tem demonstrado uma maior adesão e participação por parte do paciente, além de serem encontrados melhores resultados em comparação aos realizados de forma independente, onde geralmente é evidenciada a falta de motivação e o medo associado a qualquer alteração durante o exercício (KARAPOLAT et al., 2008).
A fisioterapia apresenta como principais objetivos o incremento na capacidade cardiorrespiratória e aeróbica, e a recuperação da força muscular periférica, proporcionando maior longevidade e melhora da qualidade de vida. Sendo essencial sua atuação, sobretudo no pré e pós TC a fim de minimizar a intolerância ao exercício provocada pela cirurgia cardíaca e descondicionamento muscular (MEIRELLES et al., 2006; YOSHIMORI et al., 2010).

 

Considerações finais

Apesar dos benefícios apresentados pela RC em pacientes submetidos a transplante de coração, há pouco relato na literatura da atuação de uma equipe multidisciplinar, especialmente da atuação do fisioterapeuta nas fases de RC, e os benefícios cardíacos que a fisioterapia pode proporcionar no pós-operatório desses pacientes, com boa validação interna e qualidade metodológica avaliada pela escala de PEDro.
No entando, foi verificado que a prática de exercícios físicos supervisionados por um fisioterapeuta, associado a programas orientacionais e educacionais, melhora capacidade de exercício e a qualidade de vida, quando comparado ao não supervisionado. Demonstrando a importância multidisciplinar dos profissionais da área de saúde no bem estar físico, mental e social desses pacientes.
Dadas às limitações desta revisão, indica-se a necessidade de mais pesquisas a ser realizadas, com o objetivo de buscar a melhor combinação entre tipo de treinamento, tempo e frequência do exercício.

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POR:

Gabriela Rodrigues de Albuquerque Coelho*; Noberto Fernandes da Silva**.

É uma síndrome coronariana em que não há manifestação clínica anginosa, durante o episódio isquêmico.  A isquemia silenciosa é consid...


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É uma síndrome coronariana em que não há manifestação clínica anginosa, durante o episódio isquêmico.  A isquemia silenciosa é considerada a apresentação mais freqüente da doença coronariana crônica, tendo sido definida por Cohn em 1981 como a evidência de isquemia miocárdica na ausência de qualquer sintoma. Sua presença relaciona-se a maior risco de morte e eventos cardíacos, chegando-se a se verificar mortalidade até três vezes maior (24% versus 8,0%) em relação àqueles sem isquemia

Divide-se em três tipos:

Tipo I: Tipo menos comum que ocorre nos pacientes com lesões obstrutivas e que nunca apresentaram nenhum episódio anginoso.

Tipo II: Tipo que é diagnosticado após o infarto agudo.

Tipo III: Tipo mais comum, em que há alternância entre episódios isquêmicos sintomáticos, seja do tipo angina estável, instável ou Prinzmetal, e episódios silenciosos.

Durante o teste ergométrico poderão ocorrer alterações isquêmicas sem o aparecimento de sintomas anginosos. É estimado que metade dos pacientes com angina sofra episódios isquêmicos silenciosos, sendo que nos diabéticos essa prevalência deva ser maior. Os mecanismos que estariam envolvidos na ausência de sintomas durante a isquemia não estão bem claros ainda, algumas propostas seriam:

- Neuropatia autonômica nos diabéticos.

- Maior resistência à dor de uma forma geral.

- Aumento da produção de endorfinas nos hipertensos (por possuírem uma maior incidência de isquemia silenciosa que os normotensos).

- Episódios silenciosos seriam menos graves que os anginosos (os receptores de dor não seriam estimulados por agressões menores).

- Pesquisas recentes sugerem a hipótese de não ser a nível periférico a alteração da sensação dolorosa, mas a nível cerebral (córtex frontal).

Quanto ao tratamento alguns autores utilizam as mesmas drogas usadas na doença coronariana em sua forma sintomática, para prevenir os episódios de isquemia silenciosa. A terapia mais eficaz para tratar a isquemia silenciosa não é ainda claramente definida; as experimentações em curso fornecerão a orientação para a gerência futura.

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2. Parmley WW. Prevalence and clinical significance of silent myocardial ischaemia. Circulation. 1989; 80: 68-73.

Publicada em 08/04/13 e revisada em 01/11/19

A Doença Arterial Coronariana (DAC) é uma das principais causas mundiais de morte, sendo a primeira na população de 60 anos ou mais. A incid...



A Doença Arterial Coronariana (DAC) é uma das principais causas mundiais de morte, sendo a primeira na população de 60 anos ou mais. A incidência está aumentando em países em desenvolvimento, em parte pelo aumento da longevidade, urbanização e mudanças de hábitos diários.

Cirurgia cardíaca pode ser definida como processo de restauração e restituição das capacidades vitais, compatíveis com a capacidade funcional do coração daqueles pacientes que já apresentaram previamente doenças cardíacas. É o processo pelo qual o paciente busca retorno ao bem-estar do ponto de vista físico, mental e social. Nos últimos anos, observou-se aumento significativo do número de pacientes com doenças cardíacas que necessitam de cuidados intensivos, clínicos ou cirúrgicos.

Os principais objetivos dos programas de reabilitação cardiovascular são permitir aos cardiopatas retornar, o quanto antes, à vida produtiva e ativa, a despeito de possíveis limitações impostas pelo seu processo patológico. Portanto, a reabilitação cardiovascular pode ser definida como processo de desenvolvimento e manutenção de nível de atividade física, social e psicológica após o início da doença coronariana sintomática. A reabilitação cardíaca inclui o treinamento físico e um amplo espectro de mudanças no comportamento médico, físico e psicossocial, além de uma intervenção múltipla, visando modificar os fatores de risco (parar de fumar, dieta adequada, controle de estresse e do sedentarismo, etc), favorecendo, com isso, a queda da mortalidade.


A fisioterapia tem assumido papel inconteste no processo de reabilitação cardíaca em sua fase hospitalar

O ambiente de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) é todo equipado para monitorar continuamente pacientes que apresentem estado potencialmente grave de saúde ou com desequilíbrio de algum sistema corporal. Para atender este paciente em todas as suas necessidades, é formada uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos e fonoaudiólogos.

Neste ambiente, a Fisioterapia atua como uma medida preventiva e como tratamento para diferentes patologias. O profissional monitora as vias respiratórias para garantir que elas estejam em bom funcionamento, ou seja, sem secreção, e que os músculos respiratórios funcionem adequadamente.

Os cuidados sob a responsabilidade do fisioterapeuta na UTI também incluem o monitoramento dos gases que entram e saem dos pulmões dos pacientes e dos aparelhos que são utilizados nesse processo. E, por fim, auxiliam no fortalecimento dos músculos, minimizando a retração dos tendões, evitando, assim, problemas posturais e a formação de úlceras de pressão.

Uma das recomendações básicas para uma UTI é a presença de um fisioterapeuta. O trabalho desenvolvido, por meio da observação e elaboração de um plano de tratamento, que pode combinar técnicas para ser mais eficaz às necessidades específicas de cada paciente, diminui complicações e reduz o sofrimento dos pacientes.

É importante saber que o Tabagismo é considerado pela Organização Mundial de Saúde uma doença pois a nicotina que o cigarro contém causa...


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É importante saber que o Tabagismo é considerado pela Organização Mundial de Saúde uma doença pois a nicotina que o cigarro contém causa dependência e provoca alterações físicas, emocionais e comportamentais na pessoa que fuma. Assim, de acordo com a Classificação Internacional de Doenças, o tabagismo foi catalogado como "uma desordem mental e de comportamento, decorrente da síndrome de abstinência à nicotina". O fumo é considerado um forte fator de risco independente do grupo étnico, sexo e idade. O risco aumenta quanto maior for a intensidade e duração do hábito de fumar. Este risco pode ser diminuído com a interrupção do vício, como na doença das coronárias, onde cerca de 40% do risco aumentado desaparece após 5 anos sem fumar.

Sendo assim, o tabagismo influi em uma série de doenças, destacando-se as doenças cardiovasculares, pulmonares e vários tipos de câncer. Dentre algumas doenças causadas pelo cigarro temos: câncer de pulmão, infarto e dores no coração e vários tipos de câncer. Causa também derrames, impotência sexual, doença coronariana, maior incidência de trombose e arritmias, prejudica as veias do coração. A nicotina aumenta a frequência cardíaca e a pressão; atua na elevação dos níveis de colesterol, aumenta a coagulação sanguínea, o risco arritmogênico e causa uma hipoxemia relativa, devido ao maior teor de monóxido de carbono nos sangue dos fumantes. Além disso pode prejudicar a atuação de alguns medicamentos para doenças cardiovasculares. O tabagismo não se constitui num fator causador de hipertensão arterial, mas pacientes hipertensos fumantes apresentam maior risco de morte por hipertensão maligna e cardiopatia isquêmica.

Prevenção

A educação tem aqui um papel importante na prevenção pois o ideal é não começar a fumar. A promoção da saúde deve começar cedo, na escola e nos locais de trabalho. Como é pouco frequente o hábito de fumar começar depois dos 18 anos, a prevenção primária durante a infância e a adolescência será essencial para reduzir o número de fumadores. Os jovens treinados para resistirem à pressão social, os que sabem das dificuldades em deixar de fumar e os que conhecem as consequências do tabagismo para a saúde, têm maior probabilidade de não começarem a fumar.

A prevenção contra o tabagismo inclui a prevenção da iniciação ao hábito de fumar, a eliminação das fontes de exposição involuntária ao fumo do tabaco,(fumar em restaurantes e shopping) e o apoio/promoção aos programas de abandono do tabaco. Portanto, as forças culturais, sociais e políticas devem participar do processo de esclarecimento dos perigos do tabagismo.

Fumar causa:
  • Vasoconstricção e redução do fluxo de sangue para os tecidos;
  • Aumento da pressão arterial;
  • Aumento da freqüência cardíaca;
  • Redução do colesterol bom (HDL)
  • Redução da liberação do oxigênio para os tecidos ;
  • Aumento da acidez do estômago;
  • Irrigação e inflamação dos olhos, garganta e vias aéreas;
  • Paralisação e destruição dos cílios das vias aéreas dificultando a eliminação de muco e catarro;
  • Aumento da produção de radicais livres que lesam as células;
  • Triplica o risco de morte por infarto em homens com menos de 55 anos e aumenta em 10 vezes o risco de tromboembolia venosa e infarto em mulheres que tomam anticoncepcionais orais;
  • Aceleração da aterosclerose.

O que significa parar de fumar:
  • Melhora da capacidade física;
  • Melhora do gosto pelos alimentos;
  • Melhora do olfato;
  • Redução do risco de câncer;
  • Redução do risco de doenças cardiovasculares e respiratórias;
  • Aumento da expectativa de vida;
  • Melhoria do hálito;
  • Redução dos gastos com saúde;
  • Economia por não comprar cigarro;
  • Um grande exemplo para amigos, familiares, em especial filhos e netos.

Para finalizar, a nicotina estreita veias e artérias. Sem contar que outros componentes do cigarro lesam o endotélio, a camada de revestimento interno dos vasos. Essas lesões nos tubos que levam o sangue são o lugar ideal para que a gordura se deposite e dê início à formação de placas e trombos.

Os fumantes em geral, adquirem extraordinária sensibilidade para o desenvolvimento das Doenças Cardiovasculares. Mesmo com o consumo de um a quatro cigarros diariamente, as mulheres apresentam duas vezes e meia maior risco para desenvolvimento de infarto de miocárdio é fatal e não fatal. Os homens tabagistas apresentam três a quatro vezes maior chance de Infarto do Miocárdio, comparativamente com os não tabagistas, sendo que a metade do risco diminui, um a dois anos após a sua cessação. De fato, o excesso de risco pra Infarto Agudo do Miocárdio foi diminuído em cerca de 50% com o abandono do hábito de fumar.

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