As cardiopatias congênitas representam o grupo de malformações mais frequente na infância e são uma das principais causas de morbidade e mortalidade no período neonatal. Para o fisioterapeuta, compreender os diferentes tipos de cardiopatias congênitas e suas repercussões funcionais é essencial para uma atuação segura, eficaz e baseada em evidências na fisioterapia cardíaca infantil.
A intervenção fisioterapêutica começa no entendimento da fisiopatologia e se consolida na prática clínica diária, seja no ambiente hospitalar ou ambulatorial.
O Que São Cardiopatias Congênitas?
Cardiopatias congênitas são alterações estruturais do coração e dos grandes vasos presentes desde o nascimento. Elas podem comprometer o fluxo sanguíneo, a oxigenação tecidual e o desenvolvimento global da criança.
Essas condições exigem acompanhamento multiprofissional contínuo, no qual a fisioterapia cardiológica infantil exerce papel fundamental na manutenção da função cardiorrespiratória e funcional.
Classificação das Cardiopatias Congênitas
Do ponto de vista fisiopatológico, as cardiopatias congênitas são geralmente classificadas em cianóticas e acianóticas, classificação relevante para o raciocínio fisioterapêutico.
Cardiopatias Congênitas Acianóticas
Caracterizam-se pela ausência de cianose significativa, geralmente associadas a shunts esquerda-direita.
Principais exemplos:
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Comunicação Interatrial (CIA)
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Comunicação Interventricular (CIV)
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Persistência do Canal Arterial (PCA)
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Defeito do Septo Atrioventricular
Implicações fisioterapêuticas:
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Aumento do fluxo pulmonar
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Sobrecarga respiratória
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Maior risco de infecções pulmonares
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Fadiga precoce durante atividades
O fisioterapeuta deve focar na avaliação respiratória, monitorização do esforço e manutenção da capacidade funcional.
Cardiopatias Congênitas Cianóticas
Apresentam redução da oxigenação sanguínea sistêmica, levando à cianose.
Principais exemplos:
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Tetralogia de Fallot
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Transposição das Grandes Artérias
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Atresia Pulmonar
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Truncus Arteriosus
Implicações fisioterapêuticas:
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Hipoxemia crônica
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Intolerância ao esforço
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Maior risco de instabilidade hemodinâmica
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Limitações importantes à atividade física
A atuação fisioterapêutica deve ser criteriosa, com monitorização rigorosa da saturação de oxigênio e sinais clínicos.
Repercussões Funcionais das Cardiopatias Congênitas
Independentemente do tipo, as cardiopatias congênitas podem impactar:
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Desenvolvimento neuropsicomotor
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Capacidade funcional
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Função respiratória
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Tolerância ao esforço
Crianças cardiopatas frequentemente apresentam atraso motor e menor participação em atividades, o que reforça a importância da intervenção fisioterapêutica precoce.
Papel da Fisioterapia Cardíaca Infantil
A fisioterapia cardiológica infantil atua de forma integrada, com objetivos claros e baseados em evidência.
Principais objetivos da fisioterapia:
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Otimizar a função cardiorrespiratória
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Prevenir complicações respiratórias
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Promover mobilização e desenvolvimento motor
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Melhorar a tolerância ao esforço
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Reduzir o impacto funcional da cardiopatia
A conduta deve sempre ser individualizada, respeitando a condição clínica e o estágio da doença.
Fisioterapia no Pré e Pós-Operatório de Cardiopatias Congênitas
Em crianças submetidas à cirurgia cardíaca, a fisioterapia é essencial:
No pré-operatório:
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Orientação familiar
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Otimização da função respiratória
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Prevenção de complicações
No pós-operatório:
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Manutenção da ventilação adequada
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Mobilização precoce segura
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Redução do tempo de internação
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Recuperação funcional progressiva
A atuação precoce impacta diretamente o prognóstico clínico.
Monitorização e Segurança na Fisioterapia Cardíaca Infantil
A segurança do paciente pediátrico é prioridade absoluta.
O fisioterapeuta deve monitorar:
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Frequência cardíaca
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Frequência respiratória
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Saturação periférica de oxigênio
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Sinais de fadiga e desconforto
A leitura clínica desses parâmetros orienta ajustes imediatos na conduta.
A Importância do Conhecimento Específico em Cardiologia Infantil
Atuar na fisioterapia cardíaca infantil exige domínio técnico, conhecimento fisiopatológico e capacidade de decisão clínica. Não se trata apenas de aplicar técnicas, mas de entender o coração da criança em desenvolvimento.Para estudantes e fisioterapeutas que desejam atuar com segurança e embasamento científico nas cardiopatias congênitas, a formação específica é indispensável.
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Revisado por Faça Fisioterapia
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quinta-feira, fevereiro 05, 2026
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