Protocolo de exercícios para pré-operatório de cirurgias cardiotorácicas


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O exercício físico é uma atividade realizada com repetições sistemáticas de movimentos orientados, com consequente aumento no consumo de oxigênio devido à solicitação muscular. O exercício físico provoca uma série de respostas fisiológicas nos sistemas corporais e, em especial, no sistema cardiovascular, com o objetivo de manter o equilíbrio celular em face ao aumento das demandas metabólicas e do consumo de energia.

Sabe-se que o exercício físico aeróbio de moderada intensidade, realizado continuamente, promove efeitos benéficos tanto na prevenção quanto no tratamento das doenças cardiovasculares, e sua prática regular tem sido recomendada por diferentes associações de saúde do mundo. Seus benefícios também têm sido demonstrados na prevenção e no tratamento da hipertensão arterial, diabetes mellitus, dislipidemia, obesidade e osteoporose. Sendo assim, o baixo nível de atividade física ou de condicionamento físico são considerados fatores de risco para o desenvolvimento dessas doenças

O protocolo de exercício físico preconizado para melhora da capacidade cardiorrespiratória é aquele no qual o indivíduo faz exercício aeróbio moderado (corrida, natação, ciclismo são os mais comuns), com intensidade entre 50% a 75% do consumo máximo de oxigênio (VO2max), com 3 a 5 sessões semanais e duração entre 30 e 60 minutos de atividade contínua [66,67]. Considerando que existe grande variabilidade individual em resposta à prescrição de treinamento fisico com relação ao volume de treinamento (envolvendo a intensidade, a frequência e a duração das sessões) é necessário avaliar as condições físicas e clínicas de cada indivíduo para que haja obtenção efetiva de efeitos benéficos à saúde.

Assim, a intensidade do exercício físico pode ser medida pela frequência cardíaca máxima (FCmax) utilizando-se a fórmula: FCmax = 220 - idade. A partir dessa fórmula calculase os porcentuais da FCmax que se deseja, e então se determina as diferentes intensidades, considerando exercício moderado entre 55% a 80% da FCmax. Pode-se ainda determinar a intensidade do treinamento físico a partir da frequência cardíaca de reserva (FCreserva), na qual se considera a frequência cardíaca de repouso (FCrepouso) do sujeito e utiliza-se a seguinte equação [68]: FCreserva = FC repouso + I. (FCmax - FCrepouso); onde I é considerada a intensidade do exercício a ser realizado em decimal, moderado entre 50% a 75% da FCreserva. A escala de Borg de percepção subjetiva de esforço também deve ser utilizada no acompanhamento do treinamento, considerando como referência um nível moderado de 12 a 14 na escala.

Especificamente, o programa de exercício físico na preparação de pacientes para cirurgias cardiotorácicas deve envolver exercício aeróbio (bicicleta ergométrica ou caminhada em esteira) de 3 a 5 vezes por semana, de 10 a 30 minutos, que deve ser feito com a mesma intensidade (contínuo), entre 40% a 60% da FCreserva, durante um período de pelo menos 8 semanas, previamente ao processo cirúrgico. Muitos pacientes apresentam limitações pela diminuição das funções respiratórias, os exercícios de moderada intensidade produzem os melhores benefícios e devem ser encorajados, no entanto, os exercícios de baixa intensidade também apresentam benefícios para aqueles pacientes que não podem alcançar esta intensidade. Intervalos durante o treinamento podem ser úteis, e eficazes em promover a tolerânica na prática de exercícios de baixa a moderada intensidade. A prescrição do exercício deve envolver criteriosa avaliação clínica, sendo que as sessões de treinamento, bem como a prescrição do exercício fisico, devem ser feitas por profissional de educação física, e estar sob sua direta supervisão. Assim, o preparo pré-cirúrgico dos pacientes deve envolver equipe multidisciplinar da área de saúde. Além disso, a inclusão do treinamento físico como preparo pré-cirúrgico poderá propiciar redução das complicações advindas do processo de cirurgia cardiotorácica, redução do período de internação hospitalar e, consequemente, melhorar a recuperação do paciente, acarretando ainda menor gastos para o sistema de saúde.

Os benefícios da prática regular de exercício físico aeróbio também têm sido demonstrados na reabilitação pulmonar, com aumento da função pulmonar e qualidade de vida em indivíduos submetidos ao transplante pulmonar. Esses estudos envolveram exercício físico aeróbio (bicicleta ergométrica e caminhada em esteira), 3 a 5 vezes por semana, por 30 a 60 minutos, intensidade 30 a 60% FCreserva e percepção subjetiva de esforço 13 a 14. O tempo mínimo após o transplante para iniciar o protocolo de treinamento nesses estudos variou entre 1 a 6 meses [71-73]. Assim, o treinamento fisico deve ser feito também após o processo cirúrgico para que o paciente possa ter melhor qualidade de vida e obter independência em suas atividades diárias e profissionais.

Retirado daqui



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