Análise do limiar doloroso de pacientes cardiopatas em período pós-operatório submetidos ao esforço respiratório


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INTRODUÇÃO:
A dor é uma sensação desagradável e multidimensional, podendo ser sentida em diversas circunstâncias da vida, sobretudo após procedimentos invasivos, como no caso do período pós-operatório que além deste evento doloroso traz importantes repercussões funcionais e orgânicas ao indivíduo, que em alguns casos, pode evoluir para quadros de atelectasias e pneumonias. O objetivo deste estudo foi avaliar os níveis de dores no período pós-operatório de pacientes submetidos à cirurgia cardíaca por esternotomia tratados com incentivador inspiratório profundo, associado ao estímulo de tosse.

METODOLOGIA:
Trata-se de um estudo de corte, quantitativo e prospectivo. Foram entrevistados 29 pacientes, dos quais 10 pacientes eram do sexo feminino e 19 do sexo masculino, com idade média de 50 (± 6,3) e 55 anos (+ 10,7), respectivamente. A coleta de dados ocorreu em duas fases: a primeira, no período pré-operatório, na qual, foi utilizado a Chave de Correção da Classificação de Classes Socioeconômicas no Brasil (ABA/ ABIPEME) e a segunda fase, no período pós-operatório que avaliou o estado físico do paciente cirúrgico através da American Society of Anesthesiologists (ASA) e a intensidade da experiência dolorosa mensurada por meio da Escala Numérica (EN) no 1º e 4º PO nas situações de repouso, inspiração profunda e tosse. Analisaram-se os dados pelo Software Package for the Social Sciences (SPSS) versão 150. O nível de significância foi p< 0,05.

RESULTADOS:
Observou-se que a dor apresentou maiores escores durante a tosse e inspiração profunda, respectivamente e detectou-se que com o passar dos dias a dor diminuiu. A análise dos dados mostrou que a mediana da dor foi maior no 1° PO (moderada) e (leve) no 4° PO em ambas as situações. Os resultados encontrados neste estudo foram compatíveis com os de Pimenta et, al (1992) onde pode-se observar que as dores relatadas é de leve a moderada com maior ocorrência, as cirurgias cardíacas eram mais freqüentes em homens, com idade média de 53 anos. Por outro lado, Silva (2007) contrapôs aos nossos achados ao avaliar que não houve diferença estatisticamente significante na intensidade de dor ao repouso e inspiração profunda, porém houve alteração significativa na intensidade de dor (0-10) à tosse, dos sujeitos submetidos à cirurgia cardíaca. Mendes e Silva (2006) relatam que a mecânica respiratória sofre prejuízos que reduzem a capacidade dos músculos respiratórios em gerar tensão suficiente para vencer o trabalho imposto, devido a isso, estudos têm investigado a aplicação de técnicas de intervenções fisioterapêuticas associadas ou não à aplicação de pressão positiva nas vias aéreas com finalidade de minimizar estes efeitos.

CONCLUSÃO:
A influência da dor foi classificada pelos pacientes como moderada no 1º PO e leve no 4º PO durante a tosse e inspiração profunda, isso nos mostra que a fisioterapia é fundamental no pós-operatório para garantir uma recuperação mais rápida e sem sofrimentos. Tornam-se relevantes novos estudos na área do conhecimento da fisioterapia que analisem a influência do esforço respiratório pelo uso do Respiron nos mecanismos de dor. Pesquisas devem ser realizadas envolvendo um maior número de sujeitos com o acompanhamento de mais dias de pós-operatório e que a analgesia seja padronizada e controlada assim, obtendo um melhor acompanhamento do paciente.

Palavras-chave: Limiar de dor, Cardiopatia valvar, Esforço respiratório.

AUTORES:

Amara Cristina da Silva Soares 1,2
Lígia Ferreira dos Santos 1,2
Cínara Ramos de Lima 1
Cecília Magnabosco Melo 3
Klayton Galante Sousa 4
Welton Dias Barbosa Vilar 5

1. Fisioterapêuta pela Faculdade Anhanguera de Anápolis
2. Pòs-Graduanda em Fisioterapia Hospitalar com Ênfase em Terapia Intensiva- CDCS
3. Profa. Esp./ Docente e coordenadora do Curso de Fisioterapia da Faculdade Anhanguera Anápolis
4. Prof. Ms./Docente e supervisor de estágio do Curso de Fisioterapia da Faculdade Anhanguera de Anápolis
5. Prof. Msc./Orientador - Faculdade Anhanguera de Anápolis
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