A síncope afeta um número considerável de pessoas em todo o mundo e merece cuidados extras, uma vez que pode levar a vítima a uma parada ...

Perguntas e Respostas sobre Síncope Cardíaca

A síncope afeta um número considerável de pessoas em todo o mundo e merece cuidados extras, uma vez que pode levar a vítima a uma parada cardíaca. Para oferecer mais explicações sobre o assunto, o especial Coração Saudável entrevistou por e-mail a cardiologista Denise Hachul, especialista em arritmologia clínica do Hospital Sírio Libanês e coordenadora da unidade de síncope do Instituto do Coração da FMUSP. 

 

O que é síncope cardíaca e quais seus tipos?

Síncope é a perda de consciência, ou seja, um "desmaio". De caráter súbito, transitório e de curta duração (raramente ultrapassa poucos minutos), a recuperação da consciência após uma síncope é sempre total e espontânea. Geralmente, o indivíduo cai ao solo flácido, mas às vezes a síncope pode ser acompanhada de contrações musculares que podem ser confundidas com convulsões.

Há vários tipos de síncope cardíaca. As principais são quatro. Síncopes arrítmicas, ou seja, causadas por descompassos, acelerações ou desacelerações do coração, que podem ser adquiridas ou geneticamente determinadas; síncopes obstrutivas, causadas por espessamento de válvulas cardíacas, por aumento da espessura do músculo cardíaco ou ainda por aumento na pressão pulmonar; síncopes isquêmicas, causadas por entupimento nas artérias coronárias, que distribuem sangue para o músculo cardíaco e síncopes por insuficiência cardíaca, quando o bombeamento cardíaco está enfraquecido.

 

Que fatores causam esse problema?

A síncope sempre ocorre por diminuição da oxigenação do cérebro. Várias são as possíveis causas dessa queda na oxigenação cerebral. As causas cardíacas, embora não sejam as mais frequentes, são as mais importantes pela potencial gravidade. As mais comuns são as síncopes ocasionadas por queda de pressão arterial, também conhecida como vasovagal.

 

Em que idade é mais comum a síncope cardíaca se manifestar?

Geralmente, é mais frequente na idade adulta e no idoso. Mas pode acometer adultos jovens e crianças, no caso de causas congênitas ou geneticamente determinadas. 

 

Como uma pessoa sabe se teve uma síncope cardíaca ou algum outro tipo de súbito?

As síncopes cardíacas ocorrem durante algum tipo de esforço físico, exercício ou emoção intensa. Frequentemente, não apresentam sinais e sintomas premonitórios, ou quando estes estão presentes, são muito fugazes – a perda de consciência ocorre tão rápido que o indivíduo não percebe, cai e se machuca. Minha recomendação é que toda vez que um indivíduo perca a consciência, com estas características, procure um médico para avaliá-lo, especialmente se já tiver alguma doença cardíaca ou se houver casos de morte súbita na sua família.

 

Que tipo de consequências ou sequelas ela pode causar em suas vítimas?

Podem ocorrer sequelas decorrentes das quedas, como fraturas, hematomas ou cortes. Acidentes automobilísticos também podem ser causados por síncopes. A mais grave consequência da síncope cardíaca é a parada cardíaca levando à morte súbita.

 

 

A síncope cardíaca está relacionada a alguma doença cardíaca já existente na pessoa ou ela pode desencadear uma doença?

Geralmente, está associada a alguma doença. A síncope é um sintoma, ou seja, um alerta de que algo está errado.

 

Qual a recomendação médica para quem sofre desse mal e quais os tratamentos?

A primeira coisa a fazer é procurar um cardiologista para avaliar seu problema e, consequentemente, estabelecer o tratamento correto. Como várias são as causas, vários são os tratamentos. Estes vão desde medicamentos, até cauterizações de focos de arritmia com cateteres (ablações), desobstrução de coronárias (pontes de safena) ou com cateteres (angioplastias), implante de marcapassos e desfibriladores cardíacos, entre outros.

 

Quantas pessoas sofrem com a síncope no Brasil e no Mundo?

Estatísticas mundiais demonstraram que a ocorrência de síncope numa população em geral é em torno de 3% a 5%. As causas cardíacas correspondem a mais ou menos 10% do total dos casos. Este número aumenta com a idade avançada, podendo atingir 25%.

Os fatores de risco cardiovascular como a hipertensão arterial, tabagismo, diabete melito e as...

A maioria dos revascularizados não controla seus fatores de risco

Os fatores de risco cardiovascular como a hipertensão arterial, tabagismo, diabete melito e as anormalidades  do colesterol, são os grandes responsáveis pela ocorrência de eventos cardiovasculares  como o infarto do miocárdio (ataque cardíaco).Infelizmente um recente estudo brasileiro demontrou que a maioria dos pacientes revascularizados não controla os seus fatores de risco cardiovascular.

Um estudo teve como objetivo estimar o percentual de pacientes submetidos à cirurgia de revascularização miocárdica (conhecida popularmente como "cirurgia de ponte de safena", termo errôneo pois nem toda a revascularização miocárdica usa as veias safenas como forma de enxerto), que conseguiram obter um controle adequado dos fatores de risco  modificáveis, pelo menos seis meses após a cirurgia.

Os autores do estudo concluíram que a grande maioria dos pacientes não obtinha um controle adequado de seus fatores de risco cardiovascular.O estudo incluiu 88 pacientes, no qual se realizaram análise de prontuários e entrevistas clínicas, entre seis e 12 meses após a realização da cirurgia de revascularização em um hospital de referência para doenças cardiovasculares (Hospital Português, Salvador - Bahia), no período de janeiro a dezembro de 2004.

A média de idade dos pacientes foi 63 anos, 51 (58%) eram do sexo masculino, 86 (97,7%) eram hipertensos, 38 (43,2%) eram diabéticos, 85 (96,6%) eram dislipidêmicos e 10 (11,4%) eram tabagistas.O controle da hipertensão (pressão arterial menor que 140/90 mmHg) foi atingido em  apenas 24,4% dos pacientes. Para o colesterol ruim (colesterol LDL abaixo de 100 mg/dl) e  para o diabete melito (nível de açúcar no sangue abaixo de 110mg/dl), os níveis de controle foram de 30,6% e 31,6%, respectivamente.

O uso de anti-hipertensivos, agentes hipoglicemiantes (orais ou insulina) e as estatinas (drogas redutoras de colesterol), quando indicados, foi respectivamente, 96,5%, 92,1%, 78,8%. Entretanto, analisando-se a tríade hipertensão, diabete e anormalidades do colesterol, apenas 14,8% do total dos pacientes apresentavam  níveis de pressão arterial, glicemia e colesterol LDL dentro dos limites aceitáveis.

Apesar do uso frequente de medicações para controle da hipertensão, diabete e hipercolesterolemia, o controle de fatores de risco ainda é realizado de forma insuficiente nos pacientes revascularizados, o que sugere  grande potencial para a melhoria da prática clínica.  

Autor: Dr. Luiz Fernando Kubrusly - Cirurgião Cardiovascular.

Fonte: Arquivos Brasileiros de Cardiologia.

Fase Aguda Na fase aguda, onde o paciente está descompensado, é somente indicado a fisioterapia respiratória, ou seja, está contra-indic...

Fisioterapia na insuficiência cardíaca na fase aguda


Fase Aguda
Na fase aguda, onde o paciente está descompensado, é somente indicado a fisioterapia respiratória, ou seja, está contra-indicado a fisioterapia geral.
Paciente descompensado
Posicionamento do paciente: Este deve ser em Flowler, isso para diminuir o retorno venoso
Fisioterapia Respiratória: Esta é realizada durante 5 minutos, mais ou menos 6 atendimentos por dia (pacientes hospitalizado), para não ocorrer fadiga do paciente. O tratamento segue as condutas abaixo.
Reeducação respiratória
Consiste em promover a aprendizagem e a automatização de movimentos respiratórios em pacientes que não apresentam um bom nível de conscientização dos movimentos, adequando-os as necessidades do seu organismo, consumindo energia física e metabólica de forma satisfatória e econômica.
A reeducação respiratória visa também fornecer ao paciente um suporte muscular respiratório e a melhora da mobilidade toracoabdominal, a fim de preveni-lo de complicações respiratórias ou reincidências, sobretudo de pneumopatias e de outras complicações pulmonares ou torácicas.
Na medida do possível, através da orientação e minimização da ansiedade e da angustia, torna o paciente mais independente no que diz respeito ao controle da doença.
O uso contínuo da musculatura secundária, sobretudo por tempo prolongado, acarreta desvantagens mecânicas ao sistema respiratório, causando alterações posturais e deformidades torácicas, também há maior gasto de energia.
A reeducação respiratória consiste num conjunto de procedimentos terapêuticos, tem por objetivo ensinar o paciente a respirar de forma vantajosa, usando para isso o padrão respiratório do tipo diafragmático e levando o paciente a não exigir tanto esforço dessa musculatura acessória da respiração.
Os principais procedimentos terapêuticos que compõem a reeducação respiratória, são: orientação respiratória, coordenação e controle da respiração, exercícios passivos e localizados, entre outros.
Orientação respiratória
Essa orientação consiste na adequação do tempo inspiratório e expiratório e da profundidade da respiração ao padrão respiratório mais adequado para aquela pessoa, referindo-se à freqüência respiratória quanto ao volume corrente.
É imprescindível o ensinamento da inspiração pelo nariz e a expiração pela boca, usando recursos sensoriais com emissão de sons durante as fases da respiração, estímulo visual através do espelho, etc.
Coordenação e controle da respiração
Consiste basicamente em exercícios de coordenação do tempo e da profundidade da respiração, com emprego de exercícios respiratórios associados a fala e a deglutição e exercícios de tronco e membros.
O comando de voz do fisioterapeuta, bem como o controle rítmico dos movimentos de tronco, membros e da própria respiração. É fundamental, e disso dependerá o sucesso do tratamento.
Não esquecer que tudo isso deve ser realizado de forma lenta e compassada.
Exercícios passivos e localizados
Esses exercícios consistem em realizar respiração localizada (só costal, só diafragmática,), conjuntamente com a palpação e a pressão manual, exercidas pelo fisioterapeuta nas regiões para onde se pretende direcionar ou inibir a respiração do paciente. As estimulações diafragmáticas e costal, visam entre outros aspectos, direcionar a respiração para uma região específica do tórax ou abdome.
Os exercícios respiratórios passivos podem ser direcionados para uma determinada região do tórax ou abdome. Pode-se, em vez de utilizar as mãos, utilizar objetos como pequenos pesos, bolas ou bexigas, pois, ao mesmo tempo em que direciona a respiração para uma determinada região, promove-se um estímulo proprioceptivo, reforçando a aprendizagem do padrão respiratório desejado.

Vibração (depende da ausculta pulmonar apresentada)
Tem como objetivo: deslocamento de secreções, relaxamento dos brônquios com broncoespasmo e estimular a tosse.
O fisioterapeuta coloca suas mãos estendidas sobre a região onde apresenta maior acúmulo de secreção e efetua uma contração isométrica de ambos os membros.
Huffing (Baforada)
É realizada uma inspiração lenta, apnéia de 3 segundos e expiração ativa com a boca aberta interrompida por duas ou mais pausas pronunciando os sons “há, há, há”
Compressão expiratória
É realizada através de compressões da parede torácica, onde as mãos do fisioterapeuta devem ser colocadas espalmadas e realizam movimentos acompanhando a dinâmica da respiração e a movimentação rítmica das costelas. Pode ser realizada em qualquer lugar da parede torácica desde que bem posicionadas.
Tem como objetivos: dar mobilidade ao gradil costal, diminuir o volume de reserva expiratória, aumentando o volume corrente, assistir a tosse, auxiliar na mobilização das secreções.
Sempre deve-se ter cuidado com: osteoporose, costelas flutuante e fraturadas.
Resistência labial expiratória
Indicada para abertura dos brônquios e bronquíolos, facilitando a saída de a, isso para não ocorrer retenção de CO2.
CUIDADOS: arritmias cardíacas importantes, aumento abrupto da FC, diminuição ou oscilação da PA
Contra- Indicações
tapotagem
drenagens posturais em que o tronco altera sua posição elevada.
movimentação de membros
massagem de bombeamento dos membros inferiores

    A insuficiência cardíaca (IC) representa a via final comum de diversas doenças do coração e resulta da incapacidade do coração, na p...

Fisioterapia respiratória na insuficiência cardíaca congestiva. Relato de caso



    A insuficiência cardíaca (IC) representa a via final comum de diversas doenças do coração e resulta da incapacidade do coração, na presença de pressões adequadas, de suprir as necessidades metabólicas dos tecidos16. Esta enfermidade pode comprometer um ou ambos os ventrículos, envolvendo alterações estruturais, funcionais e biológicas, desencadeadas por uma injúria, culminando com o surgimento dos sinais e sintomas típicos dessa síndrome. Esta patologia tem evolução progressiva, na maioria dos casos leva à óbito independente de sua causa básica7,9.

    Um dos principais problemas no manejo dos pacientes com IC grave são as freqüentes hospitalizações por descompensação, que além de causar grande ônus para o sistema de saúde previdenciário, é uma das principais causas de perda de qualidade de vida destes pacientes. Em média 30 à 50 % dos pacientes reinternam após 3 à 6 meses de alta hospitalar8. Nos Estados Unidos, aproximadamente 5 milhões de indivíduos têm IC e a cada ano são diagnosticados 550 mil novos casos, principalmente de pessoas em idade avançada1. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde (Datasus, 2007) o índice de internações hospitalares por IC em 2006 foi de 298.954, sendo a região Sul responsável por 21% dos casos4.

    A prevalência de IC aumenta exponencialmente com a idade, associa-se à significativa morbimortalidade e constitui a primeira causa de hospitalização em idosos. Embora o tratamento da IC nestes pacientes seja, em essência, similar ao de outras faixas etárias, é necessário considerarem-se os aspectos próprios relacionados às comorbidades e às interações medicamentosas inerentes ao envelhecimento16.
    Esta patologia tem início com a redução da contratilidade miocárdica e conseqüente queda do débito cardíaco, redução da fração de ejeção e aumento dos volumes ventriculares. Em resposta à redução da performance cardíaca, surgem os mecanismos de compensação, como o aumento da freqüência cardíaca, aumento da contratilidade, vasoconstrição periférica, retenção de sódio e água e aumento da volemia. Essas respostas são decorrentes da ativação integrada do sistema neuroormonal que é mediado pelo aumento da atividade adrenérgica, ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, aumento de arginina vasopressiva, endotelinas, citocinas e fator natriurético atrial14,17.

    O remodelamento ventricular é a base da disfunção miocárdica. Qualquer lesão ou sobrecarga, dependendo de sua intensidade, pode desencadear mudanças na forma, dimensões e função do ventrículo, através da hipertrofia, perda de miócitos e fibrose intersticial. Com a progressão desse processo, o ventrículo vai assumindo uma configuração globosa, tem seus diâmetros aumentados e torna-se menos eficiente9,14.

    A insuficiência cardíaca congestiva (ICC), indica a presença de sinais e sintomas como ingurgitamento jugular, dispnéia aos esforços, estertores finos nas bases pulmonares, hepatomegalia e edema de membros inferiores (MMII). A dispnéia inicialmente desencadeada pelos esforços físicos mais rigorosos pode progredir gradual ou rapidamente para dispnéia em repouso, e até mesmo para edema pulmonar agudo9.

    A atuação da Fisioterapia na ICC em ambiente hospitalar refere-se ao tratamento da hipersecreção brônquica visando desobstrução das vias respiratórias e melhora da dispnéia bem como, a prevenção das alterações decorrentes do imobilismo. Seus resultados podem ser observados, com melhora do quadro de retenção de secreções, qualidade e quantidade das secreções bem como otimização da qualidade de vida12,13.
    A hipomobilidade no leito leva a um maior descondicionamento da musculatura esquelética e respiratória conseqüentemente ao aumento da intolerância ao esforço, predisposição a fenômenos tromboembólicos e ao aparecimento de escaras, porém, a Fisioterapia dispõem de estratégias como posicionamento no leito, exercícios ativos entre outros, que podem prevenir o aparecimento deste quadro13.

    As condutas adequadamente prescritas durante a hospitalização podem propiciar inúmeros benefícios para o paciente entre estes, a diminuição do tempo de internação, diminuição da morbimortalidade e da ansiedade e depressão2.

    Considerando a importância da assistência fisioterapêutica nos cuidados ao paciente com ICC e a escassez de estudos sobre o tema, este trabalho teve como objetivo: demonstrar a eficácia do tratamento fisioterapêutico nesta patologia através das técnicas utilizadas para promover higiene brônquica e, conseqüentemente diminuir o desconforto respiratório bem como, prevenir as conseqüências do imobilismo para o sistema músculo-esquelético e cardiovascular.

Descrição do caso e da intervenção clínica

    A paciente de 83 anos, sexo feminino, teve admissão hospitalar apresentando diagnóstico clínico de insuficiência cardíaca congestiva. Uma semana antes de sua internação apresentou taquipnéia e tosse seca, apresentando-se afebril. A mesma foi submetida à avaliação fisioterapêutica, a anamnese foi obtida por meio de perguntas objetivas, inteligíveis, buscando-se extrair a queixa principal relacionada à patologia, história da doença atual e história da doença pregressa. Foram analisados os exames completares e tratamento farmacológico. Segundo informações, há cinco anos a paciente apresenta dificuldade para respirar e desde então tem sido internada freqüentemente para realizar tratamento medicamentoso e fazer uso de oxigenioterapia.

    Tendo em vista os resultados obtidos por meio da avaliação obteve-se como diagnóstico fisioterapêutico: hipersecreção brônquica, alvéolos hipodistendidos, alteração da mecânica diafragmática. A partir dos diagnósticos foi possível traçar os seguintes objetivos: promover higiene brônquica, normalizar a ventilação pulmonar, melhorar a mecânica diafragmática, evitar hipomobilidade no leito evitar trombose venosa profunda e escaras, manter amplitude de movimento articular e força muscular dos membros inferiores.
    Para alcançar os objetivos utilizaram-se estratégias como: aumento do fluxo expiratório (AFE), vibrocompressão, shaking, estímulo da tosse passiva e ativa, trocas de decúbito, posicionamento sentada, caminhada leve, exercícios metabólicos de flexo-extensão e circundação para membros superiores (MMSS) e membros inferiores (MMII).

Resultados e discussão

    O tratamento fisioterapêutico constou de oito sessões de aproximadamente quarenta minutos. Nos exames complementares pôde-se observar: na radiografia de tórax 1º dia – infiltrados perihilares difusos, acentuação da trama pribronco-vascular, silhueta cardíaca aumentada e aorta torácica ateromatosa; no hemograma– não houve alterações. A paciente estava fazendo uso dos seguintes fármacos: Antak, Liquemine, Rocefin e Omeprazol.

    Ao exame físico, na inspeção geral, a paciente em regular estado geral, sonolenta, pouco colaborativa, fazendo uso de oxigenioterapia 3 l/min. Foi observado, padrão respiratório misto, uso de musculatura acessória, tiragens supra-esternais. Quanto à análise da tosse, apresentava-se produtiva ineficaz.

    Segundo a classificação da New York Heart Association (NYHA)9, que estratifica os portadores de IC em classes conforme o grau de comprometimento funcional a paciente se enquadra na classe IV- pacientes com sintomas em repouso e conforme American Heart Association/American College of Cardiology9 em estágio D- doentes com disfunção cardíaca avançada e com sintomas em repouso.

    Na primeira sessão a paciente apresentou freqüência respiratória (FR) inicial de 22 ipm, final de 21 ipm; freqüência cardíaca (FC) inicial de 89 bpm, final de 96 bpm; pressão arterial (PA), inicial de 120/70 mmHg, final de 130/70mmHg; SatO2 inicial de 92%, final de 98%; na ausculta inicial apresentou roncos, creptantes e sibilos inspiratórios e expiratórios difusos e na ausculta final ausência de roncos, diminuição creptantes e, sibilos expiratórios esparsos. Durante as oito sessões a FR inicial variou de 19 a 25 ipm e a final de 18 a 21 ipm; a FC de 81 a 105 bpm; a PA de 110/70mmHg a 130/70 mmHg; a SatO2 inicial de 89 a 92% e final de 95 a 99%. No decorrer do tratamento fisioterapêutico pôde-se observar ao final das sessões, diminuição da FR, aumento da SatO2, ausência de tiragens, diminuição do uso da musculatura acessória e melhora do quadro de retenção de secreções, qualidade e quantidade das secreções.

    A função do sistema cardiovascular depende da postura, é igualmente reconhecido que a gravidade influencia os mecanismos desse sistema e é fator determinante da relação ventilação/perfusão3. Tendo em vista os benefícios do posicionamento no leito, este procedimento foi realizado com intuito de manter o tórax elevado, em posição semi-sentado e sentado para promover melhora da mecânica diafragmática e diminuir o retorno venoso para o coração insuficiente11,15. A paciente foi posicionada no leito em decúbito dorsal, variando para decúbito lateral direito e esquerdo com elevação da cabeceira à aproximadamente 45º, a mesma foi orientada a adotar também a posição sentada.

    A TEF (técnica de expiração forçada) consiste de uma expiração forçada realizada a alto, médio ou baixo volume pulmonar, obtida graças a uma contração energética dos músculos expiratórios, essencialmente os abdominais. Esta técnica é realizada por meio de uma pressão manual tóraco-abdominal executada pelo fisioterapeuta, durante a qual a pressão intratorácica e o fluxo bucal aumentam simultaneamente, o que produz um fluxo inicial menos elevado que durante a tosse. O AFE é uma variante desta técnica, e tem o objetivo de mobilizar deslocar e eliminar as secreções traqueobrônquicas distais10.

    Na monobra de shaking as mãos do fisioterapeuta são colocadas sobre a parede torácica do paciente e, durante a expiração, uma ação vibratória na direção do movimento normal das costelas é transmitida através do tórax usando o peso do corpo. Essa ação aumenta o fluxo expiratório e pode ajudar a mobilizar secreções. A ação vibratória pode ser tanto um movimento grosseiro (shaking – sacudidelas) ou um movimento fino (vibrações torácicas)12. A vibrocompressão é semelhante ao shaking, compreende movimentos oscilatórios aplicados sobre o tórax, acompanhados de compressão torácica durante a expiração. A intensidade da pressão realizada deve respeitar a mecânica do tórax, pois esta compressão aumenta o fluxo expiratório promovendo o deslocamento das secreções6.

    As manobras de AFE, shaking e vibrocompressão foram realizadas com a paciente em DD, em DLE e DLD no leito com a cabeceira elevada à aproximadamente 45º, com a finalidade de aumentar o fluxo aéreo expiratório promovendo assim, o deslocamento das secreções brônquicas.

    A tosse é um reflexo protetor (fisiológico) que é gerado pela estimulação dos receptores tussígeos e pela atividade mucociliar, contudo ela pode ser realizada de forma voluntária, com ou sem o auxílio do fisioterapêuta. Durante a tosse há um aumento do fluxo expiratório o que facilita o deslocamento das secreções11. Foi realizado estímulo da tosse ativa (quando a paciente apresentava-se colaborativa) e tosse induzida – tick traqueal (quando a mesma não conseguia realizar a tosse ativa). Estas condutas foram realizadas com a paciente semi-sentada ou sentada.

    Os exercícios metabólicos devem ser otimizados como estratégia de prevenção de fenômenos tromboembólicos com aumento progressivo para movimentos que envolvam maiores grupos musculares de acordo com a melhora clínica do paciente13. Estes exercícios foram realizados com a paciente na posição sentada em 3 séries de 10 repetições.

    A realização de caminhada, igualmente auxilia na prevenção das alterações decorrentes do imobilismo13. A paciente foi encorajada a realizar caminhada leve no quarto e no corredor respeitando seus limite de desconforto respiratório.

    Sugere-se ainda, que sejam implementados no tratamento os padrões ventilatórios seletivos (PVS) e uso de ventilação mecânica não invasiva (VMNI) como CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas) ou BIPAP (Pressão Positiva Bifásica nas Vias Aéreas), como objetivo melhorar a ventilação/perfusão3. Neste caso, não foi possível realizar os PVS pois a paciente encontrava-se pouco colaborativa e apresentava dificuldade para entender o que era solicitado. Já a utilização de VMNI foi descartada por a paciente apresentar aumento do desconforto respiratório ao utilizar a máscara devida dificuldade em respirar utilizando uma PEEP (pressão positiva expiratória final) oferecida pelos aparelhos.

Conclusão

    A Fisioterapia pode dar uma contribuição relevante na minimização do desconforto respiratório do paciente com ICC visando a melhoria da ventilação/perfusão e prevenção das alterações decorrentes do imobilismo.

    Após o tratamento, realizado em oito sessões, pôde-se observar, diminuição da FR, aumento da SatO2, ausência de tiragens, diminuição do uso da musculatura acessória e melhora do quadro de retenção de secreções, qualidade e quantidade das secreções.

    A Fisioterapia é relevante no tratamento da ICC por promover melhora da qualidade de vida.

    Finalmente, sendo a ICC uma patologia de alta prevalência e responsável por grande número de internações hospitalares deve-se aprimorar os conhecimentos no que se refere ao tratamento fisioterapêutico e principalmente, divulgar a prevenção desta enfermidade.
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