Anatomia e fisiologia do sistema cardiovascular


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Anatomia e fisiologia do sistema cardiovascular

1.1.     Coração

    O coração é uma bomba muscular cônica envolvida por um saco fibroso – o pericárdio. Seu tamanho é associado ao tamanho e massa corporal, com dimensões que se assemelham ao punho fechado do indivíduo. Encontra-se posicionado no centro do peito, atrás da metade inferior do esterno. A maior porção do coração está à esquerda da linha que marca a metade do esterno, com o ápice encontrando-se aproximadamente a nove centímetros à esquerda no quinto espaço intercostal (FROWNFELTER e DEAN, 2004,).

    O coração é dividido em metades direita e esquerda por um septo oblíquo que se coloca verticalmente. Cada metade tem duas câmaras – o átrio, que recebe sangue das veias, e o ventrículo que ejeta sangue nas artérias (FIG. 1). A veia cava superior, veia cava inferior e as veias intrínsecas do coração depositam sangue venoso no átrio direito, que passa para o ventrículo direito. O ventrículo direito projeta o sangue nas artérias pulmonares ( que são as únicas artérias do corpo que contêm sangue desoxigenado). As veias pulmonares devolvem o sangue para o átrio esquerdo e daí para o ventrículo esquerdo. Do ventrículo esquerdo ele é ejetado na principal artéria do corpo – a aorta (FROWNFELTER e DEAN, 2004).

    Cada ventrículo tem duas valvas, uma de entrada e outra de saída que controlam a direção do fluxo do sangue pelo coração. A valva do lado direito do coração é denominada tricúspide e à esquerda, mitral ou bicúspide. As valvas de saída ou semilunares são as pulmonares e aórtica. Todas as valvas apresentam três folhetos, exceto a mitral que possui dois. Elas são formadas pela duplicação do endocárdio reforçado por tecido fibroso e por umas poucas fibras musculares (DOWNIE, 1987).

    O coração é dividido em três camadas – o epicárdio, o miocárdio e o endocárdio. A camada mais externa, o epicárdio, é um pericárdio visceral geralmente infiltrado com gordura. O sangue dos vasos coronarianos que supre o coração corre por esta camada antes de adentrar o miocárdio. O miocárdio consiste em fibras musculares cardíacas. A espessura das camadas de fibras musculares cardíacas é diretamente proporcional com a quantidade de trabalho que elas realizam. Os ventrículos trabalham mais que os átrios, e suas paredes são mais espessas. A pressão na aorta é maior que no tronco pulmonar. Isto requer um esforço maior do ventrículo esquerdo, logo suas paredes são duas vezes mais espessas que as do ventrículo direito. A camada mais interna, o endocárdio, é um fino revestimento do interior do coração (FROWNFELTER e DEAN, 2004, p. 36).


Figura 1. Anatomia do coração

Fonte: http://www.msd-brazil.com/msdbrazil

1.2.     Circulação sangüínea

    Os tipos de circulação abaixo foram descritos por Dângelo e Fattini em 1998:

  • Circulação pulmonar ou pequena circulação, tem início no ventrículo direito, de onde o sangue é bombeado para a rede de capilares dos pulmões. Depois de sofrer hematose, o sangue oxigenado retorna ao átrio esquerdo. Em síntese, é uma circulação coração-pulmão-coração (Fig. 2).

  • Circulação sistêmica ou grande circulação, tem início no ventrículo esquerdo, de onde o sangue é bombeado para a rede de capilares dos tecidos de todo organismo, e após as trocas o sangue retorna pelas veias ao átrio direito. Em resumo, é uma circulação coração-tecidos-coração (Fig. 2).

  • Circulação colateral. Normalmente existem anastomoses (comunicações) entre ramos de artérias ou de veias entre si, e variam de tamanho dependendo da região do corpo. No caso de haver uma obstrução (parcial ou total) de um vaso mais calibroso que participe da rede anastomósica, o sangue passa a circular ativamente por estas variantes, estabelecendo-se uma efetiva circulação colateral.

  • Circulação portal. A veia portal interpõe-se entre duas redes de capilares, sem passar por um órgão intermediário.

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Figura 2. Grande e Pequena Circulação

Fonte: http://agmarrazes.cce,s.pt/agmcna

1.3.     Sistema de condução

    O controle da atividade cardíaca é feito através do nervo vago (atua inibindo) e do nervo simpático (atua estimulando). De acordo com a fig. 3, estes agem sobre uma formação, situada na parede do átrio direito, o nó sino-atrial, considerado como o "marcapasso" do coração. Daí ritmicamente o impulso espalha-se ao miocárdio, resultando em contração. Este impulso chega ao nodo átrio ventricular, localizado na porção inferior do septo-atrial e propaga aos ventrículos através do feixe átrio-ventricular. Este, ao nível da porção superior do septo interventricular, emite os ramos direito e esquerdo, e assim, o estímulo alcança o miocárdio dos ventrículos. Ao conjunto destas estruturas do tecido especial é dada denominação de sistema de condução (BRAUNWALD, 1991).

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Figura 3. Atividade elétrica do coração

Fonte: http://br.geocities.com/equipecv/fisiologia/ativeletrica.htm

1.4.     Vasos sangüíneos

    Há quatro tipos principais de vasos sangüíneos: artérias, arteríolas, capilares e veias (Fig. 4). Com exceção dos capilares, os vasos sangüíneos são descritos como tendo camadas, túnica adventícia (externa), a qual consiste principalmente de tecido fibroso organizado longitudinalmente, a túnica média, ou camada média que consiste de fibras musculares lisas e de fibras elásticas dispostas circularmente, e a túnica íntima, consistindo de uma camada uniforme de células endoteliais planas sobre uma camada subendotelial formada por fibras de elastina e de colágeno (DOWNIE, 1987).

    As grandes artérias que deixam o coração, particularmente a aorta, armazenam o sangue durante a contração dos ventrículos para a distribuição quando não houver mais sangue deixando o coração. Conseqüentemente, suas paredes são finas, e contém mais tecido elástico do que tecido muscular, permitindo que elas se expandam e se retraiam (DOWNIE, 1987).

    Geralmente, as arteríolas abrem-se em uma rede capilar intercomunicante. A este nível ocorre a troca de gases e de substâncias através da parede capilar, a qual consiste de uma só camada de células endoteliais achatadas sobre uma fina membrana basal. Para exercer esta função, o leito capilar está interposto entre as artérias e veias. Entretanto, em vários locais do corpo há direta conexão entre artérias e veias pequenas, que são chamadas de anastomoses arteriovenosas. Se este vaso de conexão estiver aberto, o sangue desvia da rede capilar e se o vaso estiver fechado, o sangue flui através dos capilares. Desta maneira, ocorre a regulação do sangue. As veias transportam o sangue de volta para o coração e como as artérias, as veias são descritas tendo uma parede composta por três camadas. A diferença básica está na túnica média, que contém somente pouco tecido muscular ou elástico resultante em vasos de paredes mais finas. Estes vasos são adequados para conduzir o sangue a uma pressão muito menor (DOWNIE, 1987).

    O retorno do sangue ao coração é realizado por uma série de forças. As veias profundas correm nos planos fasciais entre grupos musculares onde elas estão sujeitas à contração e relaxamento do músculo. Isto é particularmente importante nos membros inferiores, onde as veias profundas da panturrilha encontram-se entre o sóleo e os músculos gastrocnêmicos, freqüentemente referidos como bomba muscular da perna (bomba solear). A fáscia densa, inelástica dos membros inferiores torna a bomba muscular mais eficiente. O sangue da cabeça e do pescoço é auxiliado a voltar para o coração pela força da gravidade. As alterações da pressão intratorácica e da pressão atmosférica para a pressão subatmosférica (negativa) têm efeito de sucção sobre o sangue nas veias próximas ao coração e conseqüentemente auxilia o retorno sangüíneo (NESRALTA, 1994).


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Figura 4. Vasos sangüíneos

Fonte http://agmarrazes.ccems.pt/agmcna

1.5.    Débito cardíaco (DC)

    O DC é o volume de sangue bombeado do ventrículo direito ao ventrículo esquerdo por minuto. Os componentes do DC são o volume de ejeção (VE) e a freqüência cardíaca (FC), que é, DC = VE x FC. O volume de ejeção é a quantidade de sangue ejetado do ventrículo direito durante cada sístole ventricular ou batimento cardíaco e é determinado pela pré-carga, distensibilidade e contratilidade miocárdica e pela pós-carga (FROWNFELTER e DEAN, 2004).

1.5.1.     Pré-carga

    É o comprimento da fibra do músculo ventricular ao final da diástole antes da ejeção sistólica, e reflete o volume diastólico final do ventrículo esquerdo (VDFVE). O VDFVE é dependente do retorno venoso, do volume sangüíneo e da contração atrial esquerda. Um aumento no volume ventricular distende as fibras do miocárdio e aumenta sua força de contração (Efeito Starling) e volume ejetado (FROWNFELTER e DEAN, 2004).

1.5.2.     Pós-carga

    A pós-carga é a resistência à ejeção durante a sístole ventricular. A pós-carga do ventrículo esquerdo é determinada primariamente por quatro fatores: a capacidade de distensão da aorta, resistência vascular, prolapso da válvula aórtica e a viscosidade do sangue (FROWNFELTER e DEAN, 2004).

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