Os sintomas da insuficiência cardíaca normalmente começam devagar....

Saiba mais sobre a insuficiência cardíaca


Os sintomas da insuficiência cardíaca normalmente começam devagar. No início, podem aparecer apenas quando se está mais ativo. Com o passar do tempo, problemas respiratórios e outros sintomas podem começar a serem percebidos mesmo ao descansar.

No entanto, os sintomas de insuficiência cardíaca podem também aparecer de repente, logo após um ataque cardíaco ou outro problema cardíaco.

Os sintomas mais comuns da insuficiência cardíaca são:

  • Falta de ar na atividade física ou logo após estar deitado por um tempo
  • Tosse
  • Inchaço dos pés e tornozelos
  • Inchaço do abdome
  • Ganho de peso
  • Pulso irregular ou rápido
  • Sensação de sentir o batimento cardíaco (palpitações)
  • Dificuldade para dormir
  • Fadiga, fraqueza, desmaios
  • Perda de apetite, indigestão

Outros sintomas da insuficiência cardíaca podem ser:

  • Diminuição da atenção ou concentração
  • Redução do volume de urina
  • Náuseas e vômitos
  • Necessidade de urinar durante a noite

Bebês podem apresentar suor durante a alimentação (ou outra atividade).

Alguns pacientes com insuficiência cardíaca não apresentam sintomas. Nessas pessoas, os sintomas podem aparecer somente sob as seguintes condições:

  • Ritmo cardíaco anormal (arritmias)
  • Anemia
  • Hipertireoidismo
  • Infecções com febre alta
  • Doença renal

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12 sinais para problemas cardíacos

problemas cardíacos


Por que o índice de mortes por doenças cardíacas é tão alto? O palpite de especialistas é que as pessoas são muito lentas na hora de notar os sintomas e fazer exames, para descobrir se estão doentes e procurar tratamento.

Tudo bem, se você sente pontadas violentas no coração vai direto ao hospital, mas há alguns sintomas que não são tão óbvios ou intensos – e eles podem variar de pessoa para pessoa. Um exemplo é que homens tendo um ataque cardíaco sentem muita dor e falta de ar, já as mulheres se sentem cansadas e enjoadas.

Justamente porque é difícil entender esses sintomas, médicos alertam: pessoas do grupo de risco (idosos, obesos, fumantes, diabéticos ou pessoas que tenham outros casos de problemas cardíacos na família) devem ir para o hospital se sentirem uma pequena queimação no coração ou, por exemplo, uma dor muscular muito forte, em vez de esperar que o sintoma vá embora.

Confira nessa lista mais 12 sinais de problemas cardíacos que não devem ser ignorados:

1. Ansiedade – o ataque cardíaco pode causar ansiedade e medo. Pessoas que já tiveram a experiência de um ataque cardíaco comentam que sentiram como se o apocalipse estivesse próximo.

2. Desconforto no peito – dor no peito é o sintoma mais clássico, mas nem todos os ataques cardíacos causam dor. A dor geralmente é localizada um pouco mais a esquerda do centro do peito e é comumente descrita como "um elefante sentado no peito" e, mais raramente, como pressão ou como "peito estufado". E, no caso das mulheres, elas podem sentir queimação.

3. Tosse – uma tosse persistente pode ser um sintoma de falha no batimento cardíaco, que pode resultar em acúmulo de líquido nos pulmões.

4. Tontura – o ataque cardíaco pode causar tontura e até mesmo desmaios. Isso vem das arritmias cardíacas, uma mudança brusca no batimento, ou uma aceleração muito grande do pulso.

5. Fatiga – acontece especialmente entre as mulheres. O cansaço constante pode ser um sintoma de falhas cardíacas. A dica dos especialistas é que você não tente buscar informações na internet nem em livros e vá direto ao médico.

6. Náusea e falta de apetite – não é incomum as pessoas sentirem o estômago incomodar ou vomitarem durante um ataque cardíaco.

7. Dor em outras partes do corpo – a dor pode começar nos braços, cotovelos, no pescoço, na mandíbula e no abdômen.

8. Pulso irregular – os médicos dizem que você não deve se preocupar com uma eventual mudança no batimento cardíaco, mas que um pulso irregular acompanhado de tontura é sinal de arritmia. E arritmias podem levar a ataques cardíacos e morte súbita.

9. Dificuldade de respirar – além de indicar asma ou de obstrução crônica pulmonar, esse sintoma é indicativo de ataque cardíaco.

10. Suor – começar a suar frio de repente é um sinal claro de que você deve ir para o hospital.

11. Inchaço – assim como aumento de peso, acontece porque problemas cardíacos fazem com que os fluidos se acumulem no corpo.

12. Fraqueza – nos dias anteriores ao ataque cardíaco as pessoas sempre dizem sentir fraqueza.

Getty Images Exercícios, principalmente os aeróbicos como corrida, natação e bicicleta, reduzem o ganho c...

Atividade física é importante para quem sofreu ataque cardíaco




Getty Images Exercícios, principalmente os aeróbicos como corrida, natação e bicicleta, reduzem o ganho calórico do indivíduo, evitando o sobrepeso

A prática de exercícios deve ser incorporada na vida do ser humano como escovar os dentes e tomar banho, analisam pesquisadores americanos.

Um estudo recente reforça a importância da atividade física principalmente para aqueles que sofreram um ataque cardíaco. O ataque cardíaco ou infarto do miocárdio ou infarto agudo do miocárdio ocorre quando parte do fluxo de sangue para o coração sofre uma interrupção súbita e intensa.

Isso produz a morte das células do músculo cardíaco (miocárdio). O responsável pelo ataque é a formação de um coágulo, a partir de uma placa de gordura localizada na artéria do coração.

Entra aí o sedentarismo como um fator de risco para a formação dessa placa. A prática de atividade física promove a elevação do colesterol HDL, considerado o bom colesterol, que favorece as artérias.

Os exercícios, principalmente os aeróbicos como corrida, natação e bicicleta, reduzem o ganho calórico do indivíduo, evitando o sobrepeso.

A resistência das artérias ao fluxo de sangue também diminui e com isso ocorre a redução da pressão arterial. Os médicos recomendam exercícios regulares de 30 a 40 minutos, 5 a 6 vezes por semana.

Dentre os esportes sugeridos pelos profissionais estão natação, ginástica aeróbica e caminhada.

O paciente que sofreu um ataque cardíaco e que passa a fazer esportes terá uma melhora significativa na sua gordura circulante no sangue.


A fisioterapia aplicada à cardiologia e pneumologia tem por objetivos prevenir e tratar doenças cardiopulmonares e suas complicações. Como...

13 perguntas e respostas sobre a Fisioterapia Cardiopulmonar


A fisioterapia aplicada à cardiologia e pneumologia tem por objetivos prevenir e tratar doenças cardiopulmonares e suas complicações. Como o sistema cardíaco e respiratório estão intimamente interligados, afecções em um destes sistemas geralmente comprometem todo o sistema cardiorrespiratório e são muito deletérias ou fatais aos pacientes.

Quando diagnosticadas precocemente, estas doenças podem ser perfeitamente controladas ou até mesmo revertidas. Infelizmente, a evolução da disfunção muitas vezes é silenciosa e o paciente assintomático e quando surge os primeiros sintomas, o quadro já encontra-se bastante grave. A fisioterapia tem papel importante na fase hospitalar, caso o paciente esteja em uma unidade de atendimento intensivo (UTI) ou enfermaria e é primordial para reabilitação do paciente em sua casa. Usualmente, os principais acometidos são pessoas mais idosas, que possuem maus hábitos de vida, problemas genéticos ou alérgicos. O atendimento na casa do paciente visa orientar o mesmo e sua família sobre mudanças no estilo de vida e abranger de forma ampla todos os aspectos envolvidos direta ou indiretamente na doença e quadro médico apresentado. Nosso intuito é oferecer qualidade no atendimento e uma interação multiprofissional com o enfermo em todos os âmbitos de seu convívio. A fisioterapia cardiorrespiratória a domicílio tem por objetivo uma reabilitação cardiopulmonar no paciente crítico, semi-crítico e estável.

Mas o que é Reabilitação cardiopulmonar?

A reabilitação cardiopulmonar é a interação de todos os cuidados médicos necessários para tratar cardiopatas e pneumopatas, visando evitar maiores complicações da doença de base que o paciente apresente. A reabilitação não se prende apenas em reverter o quadro médico apresentado, ela envolve melhorias físicas, mentais e sociais ao paciente, permitindo-os retornar o quanto antes à sua vida normal e produtiva de acordo com as limitações apresentadas.

Quando iniciar a reabilitação cardiopulmonar?

Ela deve ser precoce, de preferência logo após o diagnóstico da doença. Caso já tenha ocorrido algum evento cardíaco ou pulmonar grave e o paciente necessite ser hospitalizado, a reabilitação deve iniciar na própria UTI e se estender ao convívio social do mesmo. A reabilitação se divide em 4 fases que evoluem de acordo com o progresso do paciente e seu estado de saúde.

Que tipos de exercícios serão desenvolvidos pelo fisioterapeuta durante o tratamento?

Todos os exercícios deverão ser rigorosamente planejados, adaptados e supervisionados antes, durante e após os treinamento diário. Serão realizadas atividades para aumentar a capacidade aeróbica, melhorar a resistência aos esforços e principalmente condicionar o sistema cardíaco e respiratório. Logicamente o plano de tratamento irá depender do perfil do paciente e de sua estabilidade clínica. Atividades com membros superiores, inferiores, tronco, exercícios respiratórios, exercícios para mobilizar e eliminar secreções, deverão ser prescritos. Além de atividades para controle da pressão, diabetes e obesidade, orientações para melhorar o estilo de vida como abandono ao tabagismo, alimentação saudável e redução da ansiedade serão repassadas pelo profissional ao paciente e sua família. A freqüência, carga e intensidade dos exercícios vão depender da evolução e adesão do tratamento.

Por que fazer fisioterapia à domicílio?

A fisioterapia em casa vai permitir a todos os envolvidos, paciente, família e fisioterapeuta acompanhar de forma mais abrangente as principais limitações e progressos do tratamento. Ainda vai proporcionar maior comodidade e conforto, fortalecendo o vínculo do paciente com o profissional e portanto a adesão à reabilitação. Em casa, naturalmente todos estarão mais à vontade para expor seus limites e capacidades e assim teremos mais condições de oferecer as melhores orientações otimizando as sessões de uma forma geral.

Por que existe ligação do sistema respiratório com o sistema cardíaco?

Para o perfeito funcionamento do nosso organismo, todos os sistemas devem estar em boas condições de saúde, pois todos estão interligados e disfunções em qualquer parte do nosso corpo pode levar à alterações sistêmicas e graves conseqüências gerais. No entanto, os aparelhos cardiovascular e respiratório funcionam como uma unidade única e complexa para manutenção das nossas necessidades mais emergentes e essenciais. Resumidamente, o coração é o órgão responsável por bombear sangue para todas as partes do nosso corpo e levar oxigênio à cada uma de nossas células, o sangue passa pelos nossos pulmões cheios de gás-carbônico e lá são purificados, pois há uma troca deste gás pelo oxigênio. Sendo assim, qualquer disfunção nas unidades pulmonares podem comprometer o pleno funcionamento cardíaco ou vice-versa.

Quais são as principais doenças respiratórias?

As principais doenças respiratórias são: doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), asma, fibrose cística, bronquiectasia, pneumonia, edema agudo de pulmão, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), fibrose pulmonar, atelectasia, pneumotórax, hemotórax, derrame pleural, tuberculose e embolia pulmonar.

Quais as causas das doenças respiratórias?

As causas são diversas e nem sempre podem ser prontamente esclarecidas. Elas são variáveis e envolvem alterações genéticas como por exemplo fibrose cística, problemas alérgicos como asma, maus hábitos de vida como DPOC ou traumas como hemotórax.

Quais os principais sintomas das doenças respiratórias?

Os sintomas, assim como suas conseqüências dependerão da doença de base, mas a maioria dos pacientes apresentam dispnéia (sensação de falta de ar), acúmulo de secreção nas vias aéreas, dificuldades para realizar atividades do dia a dia (baixa resistência aeróbica), tosse, dores no peito ou chieira torácica. As conseqüências podem ser sistêmicas, como infecções, emagrecimento rápido e fraqueza muscular geral.

Como a fisioterapia pode ajudar no tratamento de doenças respiratórias?

A fisioterapia vai prevenir complicações como infecções ou aceleramento da doença. O tratamento tem por objetivo a higiene das vias aéreas com exercícios para eliminar secreção, melhorando a capacidade respiratória do indivíduo e seu bem estar geral. Os exercícios também visam trabalhar a força e resistência da musculatura respiratória, melhorar a postura do paciente otimizando a função de todo o aparelho pulmonar e estimular uma reabilitação ampla de todos os aspectos físicos, sociais e emocionais do paciente, para que o mesmo retorne à sua vida normal com qualidade e independência. Em casa, o tratamento é individualizado tornando a sessão mais rica e produtiva para otimização da função e aumento da participação de toda a família no processo de reabilitação.

Quais são as principais doenças cardíacas?

As principais doenças cardíacas são: doença arterial coronariana (arteriosclerose), hipertensão arterial sistêmica(HAS), insuficiência cardíaca, infarto e angina, disfunções das válvulas cardíacas (estenoses ou insuficiências), febre reumática, doença vascular periférica,

Quais são as causas das doenças cardíacas?

As causas são multifatorias e se interligam. É improvável estabelecer um fator único e específico, pois estes são geralmente fruto de uma longa trajetória de um estilo de vida pouco saudável. Os fatores de risco são comuns à quase todas cardiopatias e envolvem tabagismo, colesterol alto, diabetes, sedentarismo, obesidade, maus hábitos alimentares, idade, sexo. Porém nem todas as causas são derivadas destes fatores que podem ser evitados, sendo que algumas doenças cardíacas podem ser devido infecções,como por exemplo a febre reumática ou problemas anatômicos, como as estenoses ou insuficiências de válvulas. O importante é ter em mente que devido uma afecção inicial outras poderão surgir em virtude da estreita relação e interdependência do bom funcionamento de todo órgão cardíaco e seus vasos sanguíneos.

Quais os principais sintomas das doenças cardíacas?

Os sintomas são bastante parecidos e de forma geral se manifestam de forma lenta e insidiosa. Os cardiopatas costumam reclamar de cansaço ao executar atividades que demandam um maior gasto energético ou até mesmo atividades mais leves. Podem relatar também dor no peito, dificuldade para respirar, suam em excesso ao executar atividades simples, tonteira ou mal estar. Se não tratada, a doença progride e poderá trazer conseqüências graves ou fatais à pessoa.

Como a fisioterapia pode ajudar no tratamento de doenças cardíacas?

A fisioterapia deve ser incorporada num programa de tratamento médico o quão precoce possível. O cardiopata, que usualmente apresenta maus hábitos de vida, deverá receber orientações comportamentais para melhorar sua qualidade de vida. Exercícios físicos dentro dos seus limites de saúde, irão otimizar o sistema cardiovascular e progressivamente a resistência para executar as atividades diárias. Devido a gravidade de qualquer cardiopatia é fundamental que a fisioterapia seja realizada de forma individualizada e supervisionada. Toda alteração positiva ou negativa no quadro de saúde do paciente deverá ser informada ao profissional que deverá tomar as providências necessárias e cabíveis ás possibilidades do mesmo. A interação do profissional com a família também é de suma importância, já que as mudanças não se restringem somente ao cardiopata, elas envolvem todos responsáveis e interessados na reabilitação cardíaca e bem estar geral do indivíduo.


Introdução As doenças cardiovasculares (DVC) representam a primeira causa de óbito no Brasil, dentre as quais a insuficiência cardía...

Atuação do fisioterapeuta na reabilitação cardíaca em pós-operatório de pacientes submetidos a transplante de coração


Introdução

As doenças cardiovasculares (DVC) representam a primeira causa de óbito no Brasil, dentre as quais a insuficiência cardíaca (IC) é uma das mais frequentes, caracterizada como o estágio final da maioria das cardiopatias, além de representar um problema mundial em saúde pública (MAGAÑA e RUBÉN, 2005; ISHITANI et al., 2006). Apesar do aumento da expectativa de vida, proporcionado pelos avanços na área tecnológica e da saúde, a incidência da IC tem aumentado decorrente da exposição aos fatores influenciáveis como hábitos tabágicos, desequilíbrio lipídico, hipertensão arterial sistêmica, obesidade, inatividade física e diabetes mellitus, e fatores não-influenciáveis que incluem tendências hereditárias, idade e gênero (ISHITANI et al., 2006; HELITO et al., 2009; SAHADE e MONTERA, 2009).

De acordo com a Associação do coração de New York, a IC refratária a tratamento medicamentoso, pode ser classificada em classe funcional III ou IV com sintomas incapacitantes, ou com alto risco de óbito no período de um ano (BACAL et al., 2010), e tem no transplante de coração (TC) a sua melhor opção cirúrgica6-9. Essa modalidade terapêutica foi realizada pela primeira vez com sucesso pelo Dr. Christian Barnard, na África do Sul em 1967 (MAGAÑA e RUBÉN, 2005; RAMAKRISHNA et al., 2009), e proporciona uma boa expectativa de vida, sendo considerado de grande eficácia, pois aumenta o tempo de sobrevida por mais de 90% no primeiro ano1 e por mais de 87% em cinco anos após o TC (CORONEL et al., 2010).
De acordo com o Ministério da Saúde, o programa público de transplante de órgãos e tecidos no Brasil é considerado como um dos maiores do mundo (MINISTÉRIO, 2011). Sendo realizado no período de janeiro à março de 2011, no Brasil, 39 TC, dentre os quais, nesse mesmo período, no estado de Pernambuco, foi realizado apenas um TC, de acordo com a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ASSOCIAÇÃO, 2010).
As alterações cardiorrespiratórias habitualmente encontradas após a realização dessa modalidade cirúrgica são desnervação cardíaca, menor volume sistólico (VS) durante repouso e em exercícios máximos10, menor resposta da frequência cardíaca (FC) ao exercício e o seu aumento em repouso, déficits de consumo de oxigênio (VO2) no exercício e no limiar anaeróbico, redução da extração periférica de oxigênio, alterações espirométricas, além do descondicionamento físico (WILLIAMS et al., 2006), resultante em parte ao estado pré-transplante, terapia medicamentosa e o tempo de espera para a realização do TC6.
Com o crescente número de TC em nosso país, e com o intuito de reverter as alterações cardiorrespiratórias resultantes, foi implementada a RC a partir da segunda metade do século XX (GARDENGHI e DIAS, 2007), que pode ser definida como a soma das atividades necessárias, com ênfase na prática do exercício físico, que promove ao longo do tempo adaptações morfológicas e funcionais, além de garantir melhor qualidade física, mental e social (CARVALHO et al., 2006; UENO e TOMIZAWA, 2009). Nesse programa de RC são também inclusos programas educacionais sobre os fatores de risco como fumo, sobrepeso e inatividade física, e programas orientacionais que estão diretamente ligadas à compreensão da doença e modificação dos fatores de risco por parte do paciente (STEWART et al., 2003; WILLIAMS et al., 2006).

Esse programa deve ser iniciado precocemente, ainda na fase hospitalar, quando hemodinamicamente estável e sem uso de drogas endovenosas, com seu prosseguimento durante o período após a alta hospitalar (GARDENGHI e DIAS, 2007). Geralmente, são prescritos programas de RC que variam entre oito a doze semanas (STEWART et al., 2003; GHISI et al., 2010), dividido desse modo pela Associação Britânica de Reabilitação Cardíaca em 4 fases, descritas como fase I, no período de hospitalização; fase II, período imediato após a alta hospitalar; fase III, período intermediário após a alta hospitalar (GHISI et al., 2010); e a fase IV, período de manutenção à longo prazo (CARVALHO et al., 2006; GARDENGHI e DIAS, 2007).

Os benefícios da RC relatados são a redução da FC em exercício, diminuição da PA em repouso e no exercício submáximo, aumento do VO2 máximo (GHISI et al., 2010), retardo de elevação de lactato durante o exercício, a redução no índice de percepção de esforço (IPE), representado pela escala de Borg e melhoria da capacidade funcional (MYERS et al., 2003; STEWART et al., 2003; MAIR et al., 2008).

 Portanto, como a RC integra uma equipe multidisciplinar (WILLIAMS et al., 2006; MAIR et al., 2008), o papel específico do fisioterapeuta, está relacionado com o componente funcional do paciente e baseado no esquema de reabilitação individual (GARDENGHI e DIAS, 2007). O fisioterapeuta atua na análise das capacidades e limitações do paciente, identificação de seus fatores de risco, orientação sobre os objetivos e os benefícios da fisioterapia (BRUM et al., 2004). Com objetivo principal de influenciar as capacidades cardiorrespiratórias e de mobilidade, de modo a aumentar a tolerância ao exercício, otimizar a participação na vida social, e melhorar a qualidade de vida (MAIR et al., 2008; RABBO et al., 2010).

Diante do exposto, e considerando que há uma melhora do desempenho cardiorrespiratório e na qualidade de vida dos pacientes transplantados quando submetidos à programas de RC, o presente estudo teve como objetivo realizar uma busca pela literatura especializada para descrever a atuação do fisioterapeuta na equipe de RC e identificar os benefícios da mesma, apresentados pelos pacientes submetidos a TC.

 

Metodologia

O presente estudo está vinculado à Universidade Católica de Pernambuco, ao Centro de Ciências Biológicas e da Saúde e ao Curso de Fisioterapia. Trata-se de uma revisão realizada por meio de um levantamento retrospectivo de artigos científicos sobre a atuação do fisioterapeuta na RC em pós-operatório de pacientes submetidos a TC, publicados nos últimos 10 anos, nos idiomas Português, Inglês e Espanhol. Sendo a busca, realizada em estudos indexados disponíveis na internet e nas bases de dados National Library of Medicine (PubMed), Scientific Electronic Library Online (SciELO) e Physiotherapy Evidence Database (PEDro).
Foram empregadas as palavras–chave fisioterapia, reabilitação e transplante de coração, e suas similares em inglês e em espanhol, usadas isoladamente ou em combinação. Os artigos encontrados foram pré-selecionados a partir da leitura do resumo disponível, com posterior seleção dos artigos para a sua utilização na revisão. Esses, foram analisados e categorizados com vista ao delineamento do estudo, ano de publicação, a fonte, o pesquisador, objeto de estudo, população estudada e o tempo de exposição.
Como critérios de inclusão foram utilizados os artigos que abordam o TC como tratamento para doenças coronarianas refratárias, e os que abordam a participação do fisioterapeuta na equipe de RC. Já os artigos de revisão, para utilização nos resultados e discussão, e os que obtiveram escore inferior a quatro na avaliação pela escala de PEDro, foram excluídos para sua utilização do presente estudo.
A Escala de PEDro é utilizada para avaliar a validade interna e qualidade metodológica, empregada em ensaios clínicos, contém 11 critérios de avaliação e tem uma pontuação de 0-10 pontos, quanto maior o escore, melhor a qualidade do estudo. Para cada critério definido na escala, um ponto é atribuído, e zero ponto pela ausência desses indicadores, porém o primeiro critério não é pontuado. São avaliados nessa escala os critérios de elegibilidades, aleatorização entre os grupos, distribuição cega dos sujeitos, semelhança entre os grupos, grupo cego, terapeuta cego, avaliadores cegos, medição de resultado-chave superior a 85%, análise por "intenção de tratamento", comparações estatísticas inter-grupo, medidas de precisão e variabilidade do estudo (SAMPAIO e MANCINI, 2007).

 

Resultados

A pesquisa inicialmente realizada nas bases de dados eletrônicos identificou 78 referências, usadas as palavras-chave tanto em combinação, quanto isoladas, foram exclusos os artigos repetidos. Sendo composto de 19 artigos da base de dado PubMed, 38 artigos da base de dado SciELO e 21 artigos da base de dado PEDro. Os quais foram selecionados através do título e do resumo, e sua relação com o objetivo do trabalho atual. Para sua utilização no presente estudo, os mesmos foram submetidos aos critérios de inclusão e exclusão, resultando em em número total de 13 artigos, como exposto na tabela 1 abaixo.

 

Tabela 1. Coleta, seleção e utilização dos artigos das bases de dados PubMed, SciELO e PEDro.

 

Nas tabelas seguintes, serão apresentadas as tabelas com os seguintes tópicos para posterior discussão, – Etiologia para realização do transplante de coração; – Consequências do transplante de coração; – Benefícios da reabilitação cardíaca no pós-operatório de pacientes submetidos a transplante de coração; e Atuação do fisioterapeuta na equipe de reabilitação cardíaca, representados pelas tabelas 2, 3, 4 e 5, respectivamente.

 

 

Discussões

ETIOLOGIA PARA REALIZAÇÃO DO TRANSPLANTE DE CORAÇÃO

A IC refratária constitui a via final da maioria das DVC, entre elas as mais incidentes são a cardiomiopatia dilatada (CD), a doença arterial coronariana (DAC) e a miocardiopatia isquêmica (MI), sendo as principais indicações da modalidade terapêutica de TC, no qual a terapia farmacológica não é mais responsiva nas alterações de contração e relaxamento da musculatura cardíaca e na reversão dos sintomas da IC (BENGEL et al., 2001; SQUIRES et al., 2002; SALLES et al., 2006).
Em relação às características dos estudos analisados, viu-se que a maioria dos estudos aponta a CD como a principal etiologia para realização do TC (BENGEL et al., 2001; SQUIRES et al., 2002; SALLES et al., 2006). Enquanto nos estudos de Houssiere et al. (2007) e Myers et al. (2003), o maior índice para a realização dessa modalidade foi a DAC. Já no estudo de Yoshimori et al. (2010), relata que a principal causa de sua realização foi a MI.

 

CONSEQUÊNCIAS DO TRANSPLANTE DE CORAÇÃO

Sintomáticos pela IC refratária, os sintomas limitantes das atividades físicas e de vida diária são detectáveis até durante o estado de repouso (YOSHIMORI et al., 2010). Portanto, o TC é indicado como tratamento otimizador a fim de reverter esse quadro clínico (KARAPOLAT et al., 2008). Porém, mesmo com essa realização cirúrgica que restaura em parte a função cardiorrespiratória, o estado clínico e a capacidade de exercícios ainda encontram-se limitados, devido ao estado pré-transplante do paciente, à cirurgia, ao tratamento medicamentoso, aos efeitos deletérios da imobilização, e ao descondicionamento físico (BENGEL et al., 2001; TEGTBUR et al., 2005; BOZBAS et al., 2009).
As alterações cardiorrespiratórias geralmente encontradas são desnervação miocardíaca (BENGEL et al., 2001), aumento da FC em repouso (SQUIRES et al., 2002) e da PA (TEGTBUR et al., 2003), aumento de débito cardíaco (DC) pelo aumento do VS, diminuição da fração de ejeção (FE), déficit na reserva cronotrópica, menor valor de VO2 pico representando 70% do valor previsto para a idade (MYERS et al., 2003), diminuição das pressões respiratórias e dos valores espirométricos (BOZBAS et al., 2009), e descondicionamento físico (TEGTBUR et al., 2003; TEGTBUR et al., 2005; BOZBAS et al., 2009).
Scott et al. (2009) em seu estudo, caso – controle, relata que sua amostra de nove pacientes submetidos a transplante de coração tiveram uma maior FC, em ausência da inervação parassimpática; além de uma diminuição do VO2 pico em comparação ao grupo controle (GC). Contudo, o estudo cross-over, de Salles et al. (2006), com uma amostra de 45 pacientes transplantados cardíacos, evidencia um aumento da FC de repouso e da pressão arterial sistólica (PAS) em repouso. Porém, o estudo de Bengel et al. (2001), um caso – controle, com amostra de 29 transplantados relata que a PAS e a FE no repouso não diferiam com relação ao GC.
No estudo de Bengel et al. (2001), foi verificado que a desnervação miocárdica é característica dos transplantados cardíacos, sendo relatado inicialmente na sua amostra de 29 transplantados cardíacos, no qual após alguns meses, a maioria da sua amostra apresentou uma re-inervação simpática. Apresentando também níveis de catecolaminas no plasma cuja ação excitatória está relacionada ao aumento da FC e contratilidade miocárdica semelhantes tanto no grupo desnervação, quanto no grupo de re-inervação cardíaca em repouso. No entanto, no estudo de On et al. (2009), foi relatada uma depressão nas variações do intervalo RR no traçado do eletrocardiograma em repouso na sua amostra de 25 pacientes transplantados precoce e tardiamente, quando comparado ao grupo controle. Essa redução da variação é apontada como uma diminuição da atividade parassimpática, fator que não leva a grande alteração da FC, ocorrendo uma resposta anormal da mesma.
Squires et al. (2002) em sua pesquisa com 95 pacientes submetidos a transplante de coração observou que há uma reduzida reserva cronotrópica, que implica na diminuição da capacidade de exercício, porém esses valores foram melhores para aqueles com normalização parcial da FC, mas que não esteve associado com melhor VO2. Nesse estudo, acredita-se que a normalização parcial da FC esteve correlacionada com a re-invervação simpática.

 

BENEFÍCIOS DA REABILITACAO CARDÍACA NO PÓS-OPERATÓRIO DE PACIENTES SUBMETIDOS A TRANSPLANTE DE CORAÇÃO

O programa de RC é integrado pela prática de exercícios físicos, programas educacionais e orientacionais para reversão dos fatores de risco com objetivo de restituir as funções físicas e sociais, melhorando a qualidade de vida dos pacientes transplantados (MEIRELLES et al., 2006).
Quando inseridos nesse programa, os pacientes com transplante de coração apresentam diversos benefícios como redução da FC de repouso e em exercício submáximo, aumento da FC máxima, diminuição do nível sistólico e diastólico da PA, aumento do VO2 (TEGTBUR et al., 2005), aumento da força muscular, redução da gordura corporal, melhora da capacidade de exercício (KARAPOLAT et al., 2008), e melhora da qualidade de vida (TEGTBUR et al., 2003).
Contudo, Scott et al. (2009) em seus resultados, relata que sua amostra não apresentou mudança na gordura corporal, mas no grupo de transplantados cardíacos re-inervados foi evidenciado maiores níveis de catecolaminas plasmáticas no pico de exercício, implicando uma FC pico similar aos saudáveis de mesma idade. Enquanto isso, Tegtbur et al. (2005) em seu estudo experimental randomizado, com 20 pacientes transplantados do grupo de intervenção, e após um ano de exercício com cicloergômetro em domicílio, percebeu que ocorreu diminuição da gordura corporal, melhora no recondicionamento físico nos três primeiros meses de RC, e entre o quarto e décimo segundo mês, a capacidade de exercício aumentou, principalmente pela melhora da função muscular.
No ensaio clínco realizado no estudo de Squires et al. (2002), um ano após a realização de um programa de seis-oito semanas de exercícios, 34% da sua amostra apresentou uma normalização parcial da FC ao esforço progressivo, com maior aumento da FC no início do exercício, apresentando também um maior aumento do VO2 durante os primeiros minutos de exercício, porém isso não significou uma melhora na capacidade de exercício.

 

ATUAÇÃO DO FISIOTERAPEUTA NA EQUIPE DE REABILITAÇÃO CARDÍACA

A atuação da equipe multidisciplinar no programa de RC é apresentada como fator favorável ao paciente, sendo composta por médicos, fisioterapeutas, nutricionistas, enfermeiros, educadores físicos e psicólogos. A atuação do fisioterapeuta inicia-se a partir da anamnese, do exame físico e do teste de função pulmonar (YOSHIMORI et al., 2010), teste cardiopulmonar em bicicleta ou esteira ergométrica para determinação do limiar anaeróbico e para a prescrição de exercícios em cicloergômetro (MYERS et al., 2003; BOZBAS et al., 2009; SCOTT et al., 2009), com o objetivo de determinar intensidades seguras de exercício, além de avaliar a aptidão cardiorrespiratória (TEGTBUR et al., 2003), sendo determinado um treino individualizado para cada paciente que vai de acordo com a força muscular individual, flexibilidade e resistência aeróbica (KARAPOLAT et al., 2008).
De acordo com a maioria dos estudos a prática de exercícios físicos foi realizada através de exercícios submáximo sustentados (TEGTBUR et al., 2003; TEGTBUR et al., 2005; SCOTT et al., 2009), exercícios aeróbicos moderados em bicicleta ou esteira, juntamente com exercícios respiratórios e de relaxamento associados com programas educacionais (MEIRELLES et al., 2006).
Como exposto no estudo de Karapolat et al. (2008), com uma amostra de 28 pacientes para exercícios hospitalares e em domicílio, sua amostra de intervenção participou de um programa de exercícios supervisionados por um fisioterapeuta, composto de exercícios de flexibilidade que incluía amplitude de movimento e alongamento da região cervical e da coluna lombar, além das extremidades superiores e inferiores; exercícios aeróbicos por 30 minutos em esteira ou bicicleta ergométrica; exercícios de fortalecimento para membros, abdômen superior e inferior, utilizando pesos progressivamente; exercícios respiratórios com lábios semicerrados e sincronização de movimento torácico, e abdominal; e exercícios de relaxamento. Programa esse semelhante ao exposto no estudo de Meirelles et al. (2006) que realiza uma associação entre exercícios aeróbicos com duração de 40 minutos em bicicleta ou esteira, de fortalecimento e flexibilidade.
Para a prescrição da intensidade dos exercícios, o fisioterapeuta dispõe de várias meios de determinação, como por exemplo o teste ergométrico (SCOTT et al., 2009) e na falta desses recursos, a intensidade do exercício pode ser determinada através da frequência cardíaca de treinamento (FCT) (TEGTBUR et al., 2005), sendo usadas essas formas para a determinação no exercício aeróbico. Um outro método é através da taxa de equivalente metabólico ( MET, do inglês – Metabolic Equivalent Task) onde 1 MET equivale = 3,5mlO2/kg/min é um método indicado no programa de condicionamento físico, sendo um meio de determinação da intensidade de exercício anaeróbico, como bem exposto no estudo dos fisioterapeutas do estado de São Paulo (LOMELÍ, 2006), onde sua amostra de 21 pacientes, participou de um protocolo de exercício com seis fases progressivas, de intensidade estimada entre dois a seis equivalentes metabólicos. Portanto, é de especial importância a monitorização dos sinais vitais durante a realização dos exercícios, através da avaliação da FC, PA, saturação periférica de oxigênio, IPE, o aspecto clínico do paciente, além da avaliação da qualidade de vida (TEGTBUR et al., 2003; TEGTBUR et al., 2005; YOSHIMORI et al., 2010). A RC com exercício supervisionado, onde os indivíduos realizam exercício físico prescrito e orientado sob a direção de um fisioterapeuta atuante nessa equipe tem demonstrado uma maior adesão e participação por parte do paciente, além de serem encontrados melhores resultados em comparação aos realizados de forma independente, onde geralmente é evidenciada a falta de motivação e o medo associado a qualquer alteração durante o exercício (KARAPOLAT et al., 2008).
A fisioterapia apresenta como principais objetivos o incremento na capacidade cardiorrespiratória e aeróbica, e a recuperação da força muscular periférica, proporcionando maior longevidade e melhora da qualidade de vida. Sendo essencial sua atuação, sobretudo no pré e pós TC a fim de minimizar a intolerância ao exercício provocada pela cirurgia cardíaca e descondicionamento muscular (MEIRELLES et al., 2006; YOSHIMORI et al., 2010).

 

Considerações finais

Apesar dos benefícios apresentados pela RC em pacientes submetidos a transplante de coração, há pouco relato na literatura da atuação de uma equipe multidisciplinar, especialmente da atuação do fisioterapeuta nas fases de RC, e os benefícios cardíacos que a fisioterapia pode proporcionar no pós-operatório desses pacientes, com boa validação interna e qualidade metodológica avaliada pela escala de PEDro.
No entando, foi verificado que a prática de exercícios físicos supervisionados por um fisioterapeuta, associado a programas orientacionais e educacionais, melhora capacidade de exercício e a qualidade de vida, quando comparado ao não supervisionado. Demonstrando a importância multidisciplinar dos profissionais da área de saúde no bem estar físico, mental e social desses pacientes.
Dadas às limitações desta revisão, indica-se a necessidade de mais pesquisas a ser realizadas, com o objetivo de buscar a melhor combinação entre tipo de treinamento, tempo e frequência do exercício.

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Gabriela Rodrigues de Albuquerque Coelho*; Noberto Fernandes da Silva**.

* Graduanda do Curso de Fisioterapia da Universidade Católica de Pernambuco. e-mail: gabbie_mail@hotmail.com

** Orientador, Fisioterapeuta, Especialista em Fisiologia do Exercício pela UGF, Professor do Centro de Ciências Biológicas e Saúde (CCBS) da UNICAP. e-mail: nobertosilva@bol.com.br

Quem acha que fisioterapia não tem nada a ver com o coração está enganado. A especial...

Fisioterapia Cardiologia para reabilitação de pacientes



Quem acha que fisioterapia não tem nada a ver com o coração está enganado. A especialidade fisioterapia cardiovascular existe e trabalha em duas frentes. A primeira é hospitalar e consta de tratamentos voltados para pacientes internados após eventos cardiovasculares. Nessa fase realiza-se fisioterapia respiratória, com exercícios físicos de baixa intensidade e um programa de reabilitação educacional em relação aos fatores de risco. Ou seja, trabalha-se junto ao paciente a importância de praticar exercícios como parte do tratamento não medicamentoso. O objetivo é focado na alta hospitalar precoce com as melhores condições físicas e psicológicas.

A segunda é ambulatorial e tem como principal finalidade aprimorar a condição física do paciente, aumentar sua capacidade aeróbia, a fim de melhorar sua saúde e qualidade de vida num contexto global. Mesmo os pacientes com insuficiência cardíaca grave podem receber um treinamento para fortalecer os músculos respiratórios, desde que seja através de técnicas bem específicas e orientadas pelo Fisioterapeuta Cardiovascular.

De acordo com Andrea Kaarina M. Bueno Silva, fisioterapeuta especialista em Reabilitação Cardiovascular e Pós-operatório de Cirurgia Cardíaca, o profissional dessa área precisa entender a doença, seus sinais e sintomas, para tratar o que foi causado no coração. Ela destaca: "o fisioterapeuta tem que entender de todos os mecanismos de ação do exercício e os fatores determinantes de intolerâncias a ele, os fatores de risco para os diabéticos, hipertensos, os de colesterol alto, obesos, fumantes, dentre outros, para tratar corretamente o paciente".

A primeira avaliação é sempre do cardiologista. É ele que instrui a sequência de exercícios ideais, o que pode ser feito e traça metas. Cabe ao fisioterapeuta montar um programa para o paciente, utilizando seu histórico clínico, sua força muscular, seu sistema respiratório e sua capacidade física através de teste ergométrico ou cardiopulmonar prévio para englobar as fases da reabilitação hospitalar ou ambulatorial.

Esta especialidade começou a ganhar força com o surgimento das equipes multidisciplinares dentro dos hospitais. A fisioterapia é peça fundamental no processo de reabilitação tanto de pacientes que já sofreram algum evento cardiovascular quanto àqueles considerados de risco moderado a alto risco.

O que é? É um procedimento cirúrgico no coração que visa reestabelecer a oferta de sangue ao coração que apresenta uma ou mais artéria...

Cirurgia de revascularização do miocárdio


O que é?

É um procedimento cirúrgico no coração que visa reestabelecer a oferta de sangue ao coração que apresenta uma ou mais artérias obstruídas. Atualmente, mais de 800 mil cirurgias de revascularização do miocárdio são realizadas em todo o mundo. São utilizados enxertos provenientes do nosso próprio corpo (veia safena, artéria mamária interna, artéria radial etc.) que funcionarão como uma ponte, levando o sangue à parte da artéria coronária depois da obstrução, conforme mostra a figura 1.

Figura 1: A – Ponte de veia safena (roxo) implantada desde a aorta até o trecho após a obstrução da artéria coronária (preto). B – Ponte de artéria mamária interna esquerda implantada no trecho após a obstrução da artéria coronária.

Como exemplo de uma analogia a este respeito, podemos citar uma avenida que por algum motivo apresentou uma cratera ocupando duas de suas três faixas, levando a um congestionamento. A Companhia de Engenharia de Tráfego abre uma rua paralela que desembocará após a cratera "normalizando" o tráfego de veículos.

Qual o melhor enxerto (ponte) para se utilizar?

Existem vários tipos de enxerto que o cirurgião pode optar. O enxerto pode ser de veia ou de uma artéria. No caso do enxerto de veia, utiliza-se uma veia da perna, chamada de safena magna (Figura 2). Dos enxertos arteriais, dispomos das seguintes artérias:

1 – Artéria torácica interna ou artéria mamária interna: esta artéria irriga a parede do tórax e é uma ótima opção para a cirurgia, pois além de ter uma durabilidade maior que a safena, por estar perto do coração, não precisa ser retirada por completo, apenas a sua parte final, que será implantada na artéria coronária (Figura 1-B). Quando por algum motivo é necessário retirar a mamária por completo, chamamos de "enxerto livre de mamária". Na última década, 90% dos pacientes que foram submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio receberam enxerto de artéria mamária. A artéria mamária esquerda é a mais utilizada, mas a direita também pode ser utilizada de acordo com a localização da artéria obstruída.

2 – Artéria radial:
esta artéria irriga o antebraço e é uma ótima opção para ser utilizada como enxerto. A outra artéria que se localiza no antebraço é a artéria ulnar que, na ausência da artéria radial, fica responsável por toda a irrigação da mão.

Figura 2: Veia safena magna, localizada em toda a extensão do membro inferior (desde a virilha até o tornozelo).
Figura 3: Artéria radial, localizada em toda a extensão do antebraço.

3 – Artéria gastroepiplóica: artéria responsável por irrigar parte do estômago e que, por estar abaixo do coração, pode ser utilizada como enxerto. Seu uso é pouco freqüente (Figura 4).

Figura 4: Artéria gastroepiplóica (saída do estômago até o coração).

4 – Artéria epigástrica inferior: artéria responsável por irrigar a parede abdominal. Raramente é utilizada como enxerto.

Figura 5: Esquema de um coração que recebeu três enxertos (veia safena, artéria radial e artéria mamária interna esquerda).

Como é a preparação para uma cirurgia de revascularização do miocárdio?

Depende da urgência do procedimento. Se o procedimento for eletivo, o paciente poderá fazer os exames pré-operatórios sem estar internado e internar na véspera ou no dia da cirurgia. Normalmente, suspendem-se as drogas que possam influenciar a coagulação, como aspirina, clopidogrel e anticoagulantes. Quando se trata de um procedimento de urgência, o paciente é preparado durante a própria internação.

O paciente deve estar em jejum de pelo menos 12 horas. Neste período, não se deve ingerir nem água. Antes da cirurgia, recebe a visita do anestesista que, além de um questionário, prescreve uma medicação pré-anestésica
momentos antes de ser encaminhado ao centro cirúrgico, visando diminuir um pouco o estresse que antecede o procedimento. O paciente também é submetido a uma ampla tricotomia (raspagem dos pelos do corpo) momentos antes da cirurgia e medicado com antibiótico, visando facilitar o ato cirúrgico e evitar infecções.

Como é o procedimento cirúrgico?

A cirurgia de revascularização do miocárdio dura entre 4 a 6 horas, dependendo do número de pontes a realizar. Após a chegada do paciente no Centro Cirúrgico, seguem-se os seguintes passos:

  • anestesia geral;
  • colocação do tubo para o respirador, sonda para controle da diurese, acesso venoso para a infusão de drogas e fluidos durante a cirurgia;
  • assepsia (limpeza) de todo o campo cirúrgico;
  • abertura do tórax (Figura 6) e preparação dos enxertos;
  • início da circulação extracorpórea quando necessária;
  • realização das pontes (tempo principal);
  • saída da circulação extracorpórea;
  • fechamento do tórax e pele;
  • fim da cirurgia – encaminhamento para a UTI.
Figura 6: Local onde é feita a incisão na pele do tórax (pontilhado).

Como é o pós-operatório?

Na grande parte dos casos, o paciente chega à UTI sedado com o uso do respirador, devendo acordar em torno de duas horas de UTI. Em alguns serviços de cirurgia, o paciente já chega à UTI acordado sem o uso do respirador. Até a retirada do tubo para respirar, não é possível falar, devendo se comunicar apenas por gestos. Ao acordar, o paciente se depara com uma série de tubos, cateteres e sondas:

Dreno mediastinal e torácico: tubos colocados no tórax para retirar o sangue coletado depois da cirurgia. Geralmente é retirado entre o primeiro e segundo dia de pós-operatório;
Cateter venoso central: acesso venoso instalado no ato da cirurgia, geralmente na região do pescoço, utilizado para a infusão de drogas, soros e registrar a pressão dentro do sistema venoso. Retirado normalmente quando não se tem mais necessidade de medicações endovenosas;
Sonda vesical: sonda para controle da diurese que geralmente fica até o segundo dia de pós-operatório;
monitorização cardiológica: fios conectados à pele do tórax por adesivos e que registram os batimentos cardíacos;
Oximetria digital: adesivo colocado nos dedos, com a finalidade de registrar a quantidade de oxigênio no sangue;
Pressão arterial média: cateter instalado numa artéria do braço para registrar continuamente a pressão arterial;
Fios de marcapasso: fios implantados provisoriamente no coração e exteriorizados para o tórax. Servem caso ocorra uma eventual queda de freqüência cardíaca (bradicardia) transitória no pós-operatório. Retirados geralmente nos quarto ou quinto dias de pós-operatório.

O paciente recebe alta para unidade cardiológica semi-intensiva no primeiro dia de pós-operatório e em torno do segundo dia é transferido para apartamento comum. Caso não ocorra nenhuma intercorrência maior, o paciente recebe alta hospitalar entre os quinto e sexto dias de pós-operatório.

A dieta pode ser liberada logo nas primeiras horas, após a retirada do tubo para respirar (geralmente à base de líquidos), progredindo-se em sua consistência até a alta hospitalar.

Desde a chegada à UTI até à alta hospitalar, são realizadas sessões de fisioterapia respiratória, visando expandir os pulmões que tendem a se colabar após a cirurgia.


Não há limite de idade e restrição de gênero para doenças do coração, como sopro e arritmia. Elas podem atingir qualquer pessoa e, na m...

Sopro e arritmia podem ocorrer em qualquer idade

Não há limite de idade e restrição de gênero para doenças do coração, como sopro e arritmia. Elas podem atingir qualquer pessoa e, na maioria das vezes, não apresentam sintomas claros, por isso o acompanhamento médico é essencial para identificar os sinais de alerta.

Além disso, saber o histórico de doenças da família também ajuda no diagnóstico precoce, que evita que essas doenças evoluam para complicações maiores, como explicaram a cardiologista Denise Hachul e a pediatra Ana Escobar no Bem Estar desta segunda-feira (12).

O sopro, por exemplo, pode provocar nenhum sintoma ou falta de ar, desmaios e inchaço nas pernas e na barriga. A doença acontece quando há disfunção das válvulas do coração, que causa um ruído mais abafado. A pessoa pode nascer com o problema ou adquiri-lo ao longo da vida por causa de doenças como febre reumática, rompimento dos pilares que prendem as válvulas do coração ou até mesmo por causa do envelhecimento.

Taquicardia (Foto: Arte/G1)

Algumas crianças, no entanto, podem desenvolver sopros que desaparecem conforme elas crescem, como explicou a pediatra Ana Escobar.

Em alguns casos, os sopros são provocados por defeitos congênitos da formação das válvulas do coração ou pela falta de fechamento de orifícios do músculo cardíaco. Essas más formações podem ser corrigidas com cirurgia, como se fosse uma plástica do coração para corrigir os defeitos.

O diagnóstico é feito com o estetoscópio na visita ao médico, por isso a importância de ter sempre o acompanhamento. O tratamento depende da causa, gravidade e consequências da doença no coração e pulmão. Como no caso das crianças, as válvulas podem ser corrigidas com cirurgia ou substituídas por válvulas artificiais; já os orifícios podem ser fechados também com cirurgia ou pela colocação de "tampões" por meio de cateteres.

Já a arritmia altera a frequência do coração; podem ocorrer acelerações, desacelerações ou descompassos nos batimentos cardíacos.

Como no caso do sopro, qualquer pessoa pode ter arritmia, desde crianças a idosos. Entre os sintomas, estão palpitações, fraqueza, intolerância a exercícios físicos, falta de ar, tontura, desmaios e, em casos extremos, pode causar parada cardíaca e, consequentemente, morte súbita.

Mais de 80% das mortes súbitas são causadas por taquicardia, quando o ritmo do coração fica acelerado. Segundo a cardiologista Denise Hachul, casos de arritmia decorrentes de exagero no esporte são muito comuns. Normalmente, são arritmias ventriculares que, por causa da prática de esportes, são mascaradas e podem levar o atleta à morte súbita. Se a pessoa descobrir a doença, pode tratar treinando da maneira correta e pode até continuar a praticar esportes.

Para perceber irregularidades nos batimentos, nesse caso, a pessoa pode medir o próprio batimento após fazer exercícios físicos. Ou o diagnóstico pode ser feito por causa de queixas de palpitações ou desmaios. No exame clínico, o médico consegue perceber as alterações no ritmo do coração, que são confirmadas pelo eletrocardiograma.

Alguns tipos de arritmia têm cura total e outros têm apenas controle, feito com o tratamento adequado. A doença pode ser tratada com medicamentos, condicionamento físico ou cauterização dos focos por cateteres

I. O que é um programa de Reabilitação Cardiovascular? O programa de Reabilitação Cardiovascular é um conjunto de atividades necessárias...

O que é Reabilitação Cardiovascular?


I. O que é um programa de Reabilitação Cardiovascular?

O programa de Reabilitação Cardiovascular é um conjunto de atividades necessárias para garantir e melhorar a condição física, mental e social das pessoas que possuem algum nível de limitação ou incapacidade funcional relacionada com as doenças cardiovasculares. As doenças como infarto do miocárdio, doenças coronarianas, insuficiência cardíaca, doenças valvares, cardiopatias congênitas e doenças das artérias e veias podem ser tratadas com este tipo de procedimento.

II. A Fisioterapia faz parte desse conjunto de atividades?

SIM, a Fisioterapia é parte integrante e importante nesse processo, pois atua em diferentes fases, e tem como objetivo principal proporcionar o desenvolvimento e a manutenção da capacidade de realizar exercícios físicos. Essas atividades são realizadas pelo Fisioterapeuta Cardiorrespiratório e a intensidade e a frequência dependerá do estado clínico dos pacientes que a realizarão.

III. Onde e como o FISIOTERAPEUTA CARDIORRESPIRATÓRIO atua no processo de Reabilitação Cardiovascular?

O Fisioterapeuta Cardiorrespiratório atua nos hospitais, dentro da unidade de terapia intensiva (UTI), junto aos pacientes que tiveram infarto do miocárdio ou foram submetidos a procedimentos cirúrgicos ("ponte de safena", angioplastia). Nesses casos o tratamento objetiva prevenir as possíveis complicações do infarto ou da cirurgia e promover a readaptação do paciente às atividades físicas básicas, como as empregadas na locomoção, alimentação e higiene. Quando o paciente vai para a enfermaria são incluídos outras atividades, como os treinos de caminhada, resistência, equilíbrio e alongamento. Tudo é realizado para que o paciente possa retomar suas atividades cotidianas com segurança.  O Fisioterapeuta Cardiorrespiratório também atua em clínicas e ambulatórios

IV. Quais atividades podem ser realizadas pelo Fisioterapeuta Cardiorrespiratório em clínicas ou ambulatórios?

Quando os pacientes saem do hospital, eles são orientados a permanecer realizando o recondicionamento físico em clínicas de fisioterapia ou ambulatórios. Os Fisioterapeutas Cardiorrespiratórios podem, então, realizar diferentes tipos de testes para avaliar a capacidade de realizar estes exercícios físicos. Alguns desses testes são realizados em conjunto com médicos cardiologistas e pneumologistas, e de acordo com os resultados encontrados são elaborados programas individuais de recondicionamento físico para que o paciente alcance seus objetivos de maneira segura e no menor período de tempo possível. No programa de recondicionamento físico são aplicados exercícios físicos do tipo aeróbio, como caminhada, corrida, ciclismo e atividades em piscinas, bem como exercícios de alongamento, fortalecimento muscular, equilíbrio e coordenação, que podem ser realizados individualmente ou em pequenos grupos.

V. Que atividades são realizadas para complementar o programa de recondicionamento físico na REABILITAÇÃO CARDIOVASCULAR ?

Para complementar as atividades de recondicionamento físico, são programadas atividades educacionais que objetivam a orientação dos pacientes e seus familiares em relação às doenças, aos hábitos de vida e fatores de risco, a inatividade física, o estresse, a alimentação e o hábito de fumar.

VI. O que determina o sucesso de um PROGRAMA DE REABILITAÇÃO CARDIOVASCULAR?

O sucesso da REABILITAÇÃO CARDIOVASCULAR depende das mudanças ocorridas nos hábitos de vida e na maior autonomia alcançada pelos pacientes para a realização de atividades físicas. Se as atividades são realizadas de maneira segura e eficaz, os pacientes apresentam uma maior chance de retornar às atividades habituais, sejam elas sociais ou relacionadas ao trabalho.

 
 



 

FONTE

Fins do século XIX (1896), logo após a primeira Olimpíada da Era Moderna, uma equipe sueca fez avaliações médicas de atletas do "ski cr...

O que é o Coração de Atleta?


Fins do século XIX (1896), logo após a primeira Olimpíada da Era Moderna, uma equipe sueca fez avaliações médicas de atletas do "ski cross country" -considerada  uma das mais desgastantes modalidades esportivas-, e foi observado que os corações desses atletas eram maiores que os da população normal. Outro estudo, da mesma época, mostrou que os  corações de cães selvagens eram maiores que os corações dos cães da mesma raça, porém domésticos.

A questão era, se o esporte fazia crescer o coração ou se era um coração doente e crescido de um atleta. Ainda hoje existem questões não resolvidas, mas já podemos entender o que é um Coração de Atleta e como é seu prognóstico. A tecnologia nos ajudou a desvendar dúvidas cruciais e orientar os atletas a superarem seus limites sem correrem riscos cardíacos ou ortopédicos.

Definimos o Coração de Atleta aquele cujo tamanho da espessura das suas paredes e dilatação das suas cavidades até 45% maior que o de um sedentário, batimentos cardíacos que podem chegar a 30 batimentos por minuto em repouso e outras alterações que chegam a confundir um médico não conhecedor da área, com graves doenças cardíacas.

Alterações encontradas:

1. Bradicardia (pulsação menor que 60 p/ minuto): é a mais comum alteração encontrada tanto em atletas como em esportistas bem condicionados, principalmente os praticantes de alta performance esportiva (ciclismo, triatlo, maratona, natação oceânica etc). Detectada pelo eletrocardiograma simples.
2. Cardiomegalia (crescimento cardíaco no tamanho e no peso) pode ser confundida com doença cardíaca, nos registros do eletrocardiograma e no ecocardiograma.
3. Sopros cardíacos de caráter benigno ou funcional. Podem ser detectados pela ausculta cardíaca feita por cardiologista.
4. As alterações dos exames cardiológicos, frequentes nos atletas altamente treinados, são reversíveis com a suspensão dos treinamentos e competições a partir de três semanas de afastamento das atividades física

Um atleta ou mesmo um esportista com Coração de Atleta, apenas indica ocorreram adaptações fisiológicas no seu coração, pela atividade física intensa, não significando doença cardíaca atual ou futura. Porém, é conveniente fazer avaliações especializadas periódicas, acompanhando a evolução das alterações e assim orientando o aumento, diminuição e até o afastamento das atividades físicas.

Podemos afirmar que o esporte não mata! Salvo nos excessos físicos e ambientais (temperaturas extremas), uso de drogas lícitas (ex. anabolizantes ou estimulantes), ilícitas (cocaína, maconha, ecstasy), presença de doenças de risco (cardiopatias e outras) desvalorizadas ou desconhecidas pelo esportista.

Os aneurismas são dilatações que podem ocorrer em qualquer artéria do corpo, sendo mais comum na aorta abdominal (ocorre em 5% dos h...

Saiba tudo sobre aneurisma arterial


Os aneurismas são dilatações que podem ocorrer em qualquer artéria do corpo, sendo mais comum na aorta abdominal (ocorre em 5% dos homens com mais de 55 anos), seguidas das artérias poplíteas, femorais e intracranianas. Estima-se que cerca de 6% da população mundial sofra com o problema sem saber.

O aneurisma arterial pode ser uma doença perigosa, pois na maior parte dos casos não apresenta sintomas. Entretanto, ele pode se romper de forma súbita, causando sangramentos intensos, com graves consequências (até mesmo morte, dependendo do calibre da artéria comprometida pelo aneurisma).

Um vaso é considerado aneurismático quanto seu diâmetro apresentar dois ou mais desvios fora de seu curso normal. A dilatação do vaso pode ser difusa, ou seja, não localizada em um ponto específico, sendo essa condição é chamada de Arteriomegalia, que envolve vários segmentos da artéria, que tem seu diâmetro aumentado em mais de 50% do considerado normal. Quando a dilatação é menor do que 50% do que o diâmetro normal presumido recebe o nome de Ectasia.

Diagnóstico, Tratamento, Sequelas e Prevenção

Como o aneurisma arterial tende a ser uma doença silenciosa, o paciente pode não apresentar sintomas, o que dificulta seu diagnóstico. Contudo, em alguns casos, como em aneurismas da aorta abdominal, o paciente pode sentir dores abdominais, lombares ou falta de circulação nos membros inferiores.

Entretanto, se o aneurisma da aorta abdominal se romper, o paciente pode ser acometido por dores súbitas e intensas nas costas e abdômen inferior, náuseas, vômito, transpiração excessiva, tontura e batimento cardíaco rápido. A hemorragia decorrente do rompimento do aneurisma pode colocar a pessoa em choque circulatório, e risco de morte.

O aneurisma da aorta é diagnosticado a partir de exames clínicos e de imagem, como ultrassonografia, tomografia ou ressonância magnética. O tratamento da doença varia conforme o quadro clínico, o diâmetro e a localização do aneurisma, podendo ser cirúrgico convencional (que envolve uma incisão abdominal e troca da artéria doente por uma prótese), ou endovascular (no qual uma endoprótese é introduzida por um pequeno corte na virilha e guiada até o local do aneurisma), que é menos invasivo.

O aneurisma da aorta pode deixar sequelas graves, como embolia e trombos (coágulos) em diversos órgãos e vísceras, podendo causar falta de circulação nestes órgãos e, consequentemente, levar à necessidade de outras cirurgias de urgência.

Não existe tratamento clínico para o aneurisma da artéria, porém, todos os fatores de risco de ruptura ou que favorecem o crescimento acelerado do aneurisma devem ser controlados ou eliminados.

Fatores como hipertensão arterial sistêmica, doença pulmonar crônica, tabagismo, diabetes melito, lipidemias, obstipação intestinal, trauma abdominal, esportes de impacto e obesidade devem ser evitados.

Manter uma vida saudável, controlar o peso, optar por uma alimentação balanceada, praticar atividades físicas, evitar o fumo e consultar regularmente um médico são medidas simples que podem ajudar na prevenção de aneurismas.

Pesquisadores da Heart and Stroke Foundation of Canada, em Toronto, descobriram que apenas seis meses de exercício físico pode melhorar...

Exercício físico melhora funcionamento do cérebro após AVC


Pesquisadores da Heart and Stroke Foundation of Canada, em Toronto, descobriram que apenas seis meses de exercício físico pode melhorar o funcionamento do cérebro em pacientes que sofreram acidente vascular cerebral (AVC).

A pesquisa mostra que a prática regular de atividade física melhorou a memória, linguagem e raciocínio em 50%.

"Pessoas que têm déficits cognitivos após derrame têm um risco três vezes maior de mortalidade. Se pudermos mesmo melhorar a cognição através de exercícios, o que também tem muitos benefícios físicos, então isto deve se tornar um padrão de atendimento para as pessoas após o AVC", afirma a pesquisadora Susan Marzolini.

Os pesquisadores avaliaram 41 pacientes, dos quais 70% apresentavam dificuldades de locomoção, andando com ajuda de uma bengala ou de um andador. Os participantes seguiram um programa de treinamento com exercícios aeróbicos e de resistência cinco dias por semana, adaptados para suas limitações.

A equipe de pesquisa descobriu melhorias significativas na função cerebral geral ao final do programa, com maior benefício para atenção, concentração, planejamento e organização. Força muscular e a capacidade de caminhar também aumentaram.

"Estes resultados fornecem evidências convincentes de que, melhorando o condicionamento cardiovascular através de exercício aeróbico e aumentando a massa muscular com o treinamento de resistência, as pessoas com AVC podem melhorar a saúde do cérebro", afirma Marzolini.

A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é caracterizada por perfusão inadequada no membro, usualmente devido a processo a...

Avaliação e tratamento fisioterápico na doença arterial obstrutiva periférica de MMSS


A doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) é caracterizada por perfusão inadequada no membro, usualmente devido a processo aterosclerótico1. Os principais sinais e sintomas são: dor, redução de temperatura cutânea, ausência ou diminuição dos pulsos do membro acometido, cianose, hipoperfusão, alterações tróficas e claudicação intermitente, sendo este último o sintoma mais freqüentemente observado nos membros inferiores1. Nos membros superiores, o sintoma claudicante pode ocorrer principalmente quando a atividade é realizada com os braços em elevação2-4. A DAOP nos membros superiores tem menor incidência e está mais freqüentemente associada a iatrogenia decorrente de cateterismo2,3.

Dentre as formas de tratamento para DAOP têm-se intervenção cirúrgica, terapia medicamentosa e programa de reabilitação fisioterápica como alternativas para a redução dos sintomas claudicantes, melhora da capacidade funcional, prevenção da progressão da oclusão vascular e das complicações cardiovasculares5. Entretanto, não existem protocolos específicos para a avaliação funcional de claudicação de membros superiores, nem mesmo protocolo específico para a reabilitação de tais pacientes, devido, provavelmente, à baixa incidência/prevalência da claudicação de membro superior. Apesar da presença da claudicação e da limitação funcional observadas nessa condição, os protocolos de avaliação e tratamento ainda não são sistematizados. O objetivo deste artigo é, portanto, apresentar um estudo de caso em que se propõe um protocolo de avaliação e intervenção de uma paciente com claudicação de membro superior.

 

Descrição do caso

Mulher de 51 anos, portadora de DAOP no membro superior esquerdo, secundária a obstrução da artéria braquial após cateterismo. A paciente apresentava 4 meses de evolução do quadro desde a realização do cateterismo, com piora progressiva de sintomas, culminando no afastamento do trabalho devido ao sintoma claudicante que lhe impunha restrições funcionais.

As queixas incluíam dor limitante para a realização de tarefas do lar (classificada como estágio II na classificação de Fontaine adaptada para membros superiores: aparecimento de dor isquêmica durante esforços físicos4), parestesia e perda de força no membro superior esquerdo. A paciente era hipertensa, controlada por terapia medicamentosa, e tinha antecedentes de distúrbio de coagulação. Os medicamentos Diovan® (80 mg) qd, Angipress® (25 mg) qd e ácido acetilsalicílico (500 mg) qd estavam em uso.

No exame físico, observou-se membro superior esquerdo cianótico, baixa temperatura cutânea e ausência de pulso radial à palpação. Na avaliação ultra-sonográfica (Doppler contínuo), observou-se presença de fluxo monofásico em artérias radial e ulnar.

 

Testes utilizados

- Teste em cicloergômetro de membros superiores (CEMS). Teste de esforço progressivo iniciado com carga de 15 Watts, com incrementos de 5 Watts a cada 3 minutos até atingir 12 minutos, e de 10 Watts a partir de 12 minutos até o alcance de dor isquêmica máxima. Foram registrados o tempo de início da dor e o tempo durante o qual a paciente foi capaz de manter a atividade. Após o teste, foi registrado o tempo necessário para cessar a dor no membro superior esquerdo, denominado tempo de recuperação6.

- Avaliação da qualidade de vida. Foi utilizado o questionário SF-36, em sua versão traduzida para português e validada por Ciconelli et al.7. O SF-36 é um instrumento genérico de avaliação de qualidade de vida, multidimensional, composto por 36 itens que avaliam oito domínios: capacidade funcional, aspecto físico, dor, estado geral de saúde, vitalidade, aspectos social e emocional e saúde mental. Apresenta uma pontuação de 0 a 100, sendo 0 o pior estado geral de saúde e 100 o melhor7.

Neste estudo de caso, foram cumpridos os termos da Resolução 196, de 10 de outubro de 1996, do Conselho Nacional de Saúde. Todos os testes foram aplicados antes e após a intervenção com consentimento livre e esclarecido da paciente. A intervenção fisioterapêutica teve uma freqüência de três vezes por semana e estendeu-se por 8 semanas, consistindo de programa ambulatorial com alongamento de musculatura da cintura escapular, bíceps braquial e flexores dos punhos, e condicionamento em CEMS até atingir dor máxima. O treinamento foi iniciado com 15 Watts, evoluindo gradativamente para 35 Watts. A paciente deveria completar 20 minutos de treinamento na bicicleta independentemente dos períodos em que precisava descansar. Também foi realizado programa domiciliar, em que a paciente deveria insistir em suas atividades de vida diária até que a dor máxima fosse alcançada. Só então a paciente deveria interromper a atividade, permitindo que o sintoma fosse aliviado. Tão logo a dor permitisse, a atividade deveria ser retomada.

 

Resultados

Não foram observadas diferenças entre as variáveis hemodinâmicas obtidas com o CEMS nos testes pré e pós-tratamento. Entretanto, a carga final aumentou de 30 Watts para 50 Watts, perfazendo um aumento de 66%. Não houve diferença relevante entre o tempo de recuperação ao final do teste antes e após o tratamento. O tempo para surgimento da dor inicial aumentou em 105%, enquanto o tempo para surgimento da dor máxima aumentou em 81% (Tabela 1). A avaliação da qualidade de vida apresentou índices que indicam melhora, sobretudo em relação aos aspectos social e emocional do SF-36, que atingiram 100% (Tabela 2).

 

 

 

 

Discussão

O presente estudo teve por objetivo apresentar um protocolo de avaliação e tratamento de claudicação de membro superior. Tanto o processo de avaliação quanto o tratamento proposto demonstraram ser exeqüíveis e bem tolerados pela paciente. O protocolo de avaliação foi capaz de detectar mudanças funcionais e na qualidade de vida no período em que a paciente esteve em tratamento.

Não foram observadas alterações substanciais nas variáveis hemodinâmicas, já que o uso do betabloqueador leva a resposta atenuada tanto de freqüência quanto de pressão arterial. A proporção de melhora observada com o teste CEMS foi clinicamente relevante. Isso talvez se explique pela especificidade da tarefa realizada, ou seja, pela semelhança entre a maneira como foi realizado o condicionamento no tratamento e a forma como o teste foi realizado.

A paciente também relatou abolição de dor durante atividades de vida diária. Entretanto, essa alteração na percepção não foi detectada totalmente pelo SF-36, já que o escore pra o item dor alcançou 62%, e não 100%. Isso sugere que a compreensão do SF-36 pode não ser satisfatória para a avaliação do paciente com doença arterial oclusiva, ainda que o teste tenha sido validado para a população brasileira7.

Tem sido sugerido que a isquemia de membro superior causada por oclusão arterial aguda decorrente de iatrogenia, como a observada neste estudo, pode apresentar melhora clínica espontânea e compensação do quadro isquêmico. Entretanto, o que se observou nesta paciente foi um progressivo agravamento do seu quadro clínico e funcional no período decorrido de 4 meses desde a instalação da obstrução até seu encaminhamento para tratamento fisioterapêutico. A paciente esteve impedida de executar suas tarefas usuais devido ao sintoma isquêmico e, desta forma, à semelhança do tratamento utilizado para sintoma isquêmico de membros inferiores decorrente de obstrução aterosclerótica, foi proposta uma intervenção através de atividade física programada.

A paciente foi submetida a um regime de exercício físico supervisionado, com intensidade tal que o limiar de dor claudicante fosse atingido. A intervenção foi mantida por um período de 8 semanas, com uma freqüência de três vezes por semana. Além disso, a paciente foi instruída a executar as tarefas de vida diária, a despeito do surgimento do sintoma. No caso de surgimento do sintoma claudicante durante as atividades no lar, a paciente foi instruída a interrompê-las até que a dor aliviasse, retomando então sua execução. Esse procedimento é semelhante ao que é proposto durante o exercício supervisionado. Dessa forma, ainda que seja mais freqüente que a melhora no status clínico e funcional dos pacientes com lesão iatrogênica do leito arterial ocorra de modo espontâneo, não se deve descartar completamente a possibilidade de a forma de intervenção proposta ter contribuído para o arrefecimento dos sintomas e para a melhora na capacidade funcional. Contudo, é necessário que futuros estudos, incluindo grupo controle e maior número de participantes, sejam realizados para determinar a eficácia da intervenção proposta, uma vez que o protocolo proposto demonstra sensibilidade para mudanças funcionais, sejam elas espontâneas ou não.

 

Conclusão

O protocolo de avaliação proposto, envolvendo medidas objetivas (cicloergômetro) e subjetivas (SF-36), foi bem tolerado, tendo sido capaz de detectar alterações no estado funcional da paciente. É possível que as alterações detectadas pelo protocolo proposto tenham ocorrido espontaneamente. No entanto, não devemos descartar que a intervenção possa, potencialmente, contribuir para a mitigação de sintomas e a restauração da capacidade funcional. Os resultados observados neste estudo de caso avalizam futuros estudos envolvendo maior número de participantes.

 

Referências

1. Maffei FHA, Lastória S, Yoshida WB, Rollo HA. Diagnóstico clínico das doenças arteriais periféricas. In: Maffei FHA, Lastória S, Yoshida WB, Rollo HA, editors. Doenças vasculares periféricas. Rio de Janeiro: Medsi, 2002. p. 287-304.         [ Links ]

2. Gornik HL, Beckman JA. Peripheral arterial disease. Circulation. 2005;111:e169-72.         [ Links ]

3. Nakano L, Wolosker N, Rosoki RA, Netto BM, Puech-Leão P. Objective evaluation of upper limb claudication: use of isokinetic dynamometry. Clinics. 2006;61:189-96.         [ Links ]

4. Guirov K, Stoyanov K, Topalov I. New method and device for assessment of functional capacity of upper extremity with chronic ischemia. Int Angiol. 1997;16:245-9.         [ Links ]

5. Schmieder F, Comerota AJ. Intermittent claudication: magnitude of the problem, patient evaluation, and therapeutic strategies. Am J Cardiol. 2001;87:3D-13D.         [ Links ]

6. Outras condições clínicas que influenciam a prescrição do exercício. In: American College of Sports Medicine. Diretrizes do ACSM para testes de esforço e sua prescrição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan; 2000. p. 136-42.         [ Links ]

7. Ciconelli RM, Ferraz MB, Santos W, Meinão I, Quaresma MR. Tradução para a língua portuguesa e validação do questionário genérico de avaliação de qualidade de vida SF-36 (Brasil SF-36). Rev Bras Reumatol. 1999;39:143-50.         [ Links ]

Autor:

Danielle Aparecida Gomes PereiraI; Marcelle Xavier CustódioI; João Paulo Ferreira de CarvalhoI; André Maurício Borges de CarvalhoII; Inácio Teixeira da Cunha-FilhoIII

IFisioterapeuta, Centro Universitário de Belo Horizonte (UNI-BH), Belo Horizonte, MG
IIMédico angiologista, UNI-BH, Belo Horizonte, MG
IIIPhD. Fisioterapeuta, UNI-BH, Belo Horizonte, MG

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