Entre as doenças do coração a mais incidente e representativa como problema de saúde pública é a doença arterial coronariana (DAC). Caract...

Treinamento físico para cardiopatas infartados e não-infartados

Entre as doenças do coração a mais incidente e representativa como problema de saúde pública é a doença arterial coronariana (DAC). Caracterizada por uma obstrução nos vasos que irrigam o coração (artérias coronária), a DAC é resultante de um componente genético e também da presença dos chamados fatores de risco como obesidade, hipertensão, diabetes e sedentarismo, etc. Geralmente esta doença se manifesta a partir da combinação desses componentes e sua principal consequência é o infarto. Com base nas evidências de uma contribuição importante do sedentarismo para o desenvolvimento da DAC, a prática regular de exercícios passou a ser amplamente recomendada como parte integrante do seu tratamento, podendo ser utilizada desde o ambiente hospitalar até as academias.

Para aqueles que já passaram por um infarto ou período de internação, o treinamento físico iniciado ainda no ambiente hospitalar com exercícios no leito e outras mobilizações, visando principalmente a recuperação da força muscular, reduz o tempo de hospitalização, a incidência de re-infarto e re-internações e a presença de sintomas. Nesta fase considera-se como boa adaptação ao treinamento aquela que leva o indivíduo a retomar a sua independência para a realização de tarefas simples como ir ao banheiro e se deslocar livremente sem ajuda. Para os que têm diagnóstico de DAC mas não apresentam sintomas significativos, ou para aqueles que estão em um período pós-infarto superior a três meses, os principais objetivos devem ser, além de melhorar a condição física, modificar outros problemas que frequentemente estão associados à DAC, entre eles: hipertensão, obesidade e colesterol alterado. Independente no nível de comprometimento, a proposta do treinamento físico para esses grupos é produzir modificações orgânicas que levem o indivíduo a melhorar sua capacidade de realizar suas tarefas do dia-a-dia com maior facilidade e sem sobrecarregar o coração.

Apesar de o treinamento físico proporcionar benefícios expressivos aos cardiopatas, existe o risco de acometimentos durante o exercício que é aumentado pela presença da doença. Esse aumento de risco, no entanto não leva a uma maior incidência desses acometimentos em programas de exercício supervisionado. Ao contrário do que se possa imaginar, os casos de acometimentos não-fatais e fatais são muito pouco frequentes nesse tipo de programa. Isso se deve ao chamado efeito cardio-protetor gerado pelas adaptações ao treinamento físico. Além disso, mesmo com limitações o sistema cardiovascular pode adaptar-se de forma adequada à demanda gerada agudamente por uma sessão de exercício. Contudo, o nível de comprometimento da doença e as características de um dado exercício podem aumentar o risco para o praticante, o que torna desaconselhável as recomendações generalizadas e sem nenhum tipo de controle para os cardiopatas. Assim, a abordagem individualizada na prescrição de exercícios ganha um significado especial e deve envolver medidas que permitam o estabelecimento bem claro de limites de intensidade e formas de controle para que a prática seja mantida dentro desses limites. Para a identificação dos limites em cada caso uma primeira medida importante é a realização de um teste ergométrico máximo que permite, além da determinação da capacidade física, a verificação de possíveis problemas gerados pelo exercício. Nos casos em que haja sintomas como dores no peito ou alterações eletrocardiográficas sugestivas durante o teste, isto não restringirá necessariamente a prática do exercício, mas torna necessário que se conheça especificamente em que nível de esforço os problemas começam a acontecer para que durante as sessões o exercício seja mantido em níveis de intensidade seguros. Ao se prescrever exercícios para cardiopatas, dois aspectos têm importância destacada: o tipo e a intensidade do exercício, sobretudo no que se refere à segurança. Os exercícios aeróbios proporcionam importantes melhoras cardiovasculares com baixo risco quando realizados em intensidades leves a moderadas (60-85% da frequência cardíaca máxima). Poderão ser utilizados exercícios de caminhada, corrida, ciclismo indoor e outdoor, etc. Em casos que requeiram um controle mais específico, os exercícios na água devem ser evitados pela dificuldade na identificação de sintomas e obtenção de medidas como frequência cardíaca e pressão arterial. O uso de exercícios com peso (musculação, pesos livres, etc.), também é recomendável para cardiopatas, principalmente por sua contribuição para o aumento da força muscular e para uma maior capacidade de realização de esforço físico sem sintomas e desconfortos. A maior preocupação com esses exercícios tem sido o controle durante a sua realização em função desse controle ser dificultado pelas características desses exercícios e também pelo impacto que uma manipulação inadequada de cargas pode gerar sobre o sistema cardiovascular, levando a aumentos demasiados de pressão e frequência cardíaca, ambos representativos de sobrecarga para o coração. Desta forma, as intensidades que contribuem com efetividade e baixo risco para o cardiopata estão entre 40 e 70% da contração voluntária máxima sem fadiga excessiva, ou seja, um trabalho que não priorize o desenvolvimento de hipertrofia muscular.

Portanto, o treinamento físico tem um papel relevante no tratamento para os cardiopatas, em especial para aqueles com DAC e, tomados os cuidados específicos necessários devem ser incorporados como rotina por esses indivíduos, preferencialmente em programas de exercícios supervisionados.

Márcio Oliveira de Souza/SP - Especialista em Fisiologia do Exercício pela Escola Paulista de Medicina. Mestre em Biodinâmica do Movimento Humano pela USP. Membro da Diretoria do Departamento de Educação Física da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo.

Um aneurisma é uma saliência ou protrusão (dilatação) na parede de uma artéria, geralmente, da aorta. Em geral, a dilatação (aneurisma) oc...

Aneurismas

Um aneurisma é uma saliência ou protrusão (dilatação) na parede de uma artéria, geralmente, da aorta. Em geral, a dilatação (aneurisma) ocorre em uma área frágil da parede da artéria. Embora possam ocorrer em qualquer local ao longo da aorta, três quartos desses defeitos ocorrem no segmento abdominal. Os aneurismas são protuberâncias arredondadas (saculares) ou tubulares (fusiformes), sendo esses últimos os mais freqüentes. Os aneurismas da aorta são decorrentes principalmente da aterosclerose, a qual enfraquece suficientemente a parede da aorta até a pressão intra-arterial provocar a sua protrusão. Freqüentemente, ocorre a formação de um coágulo sangüíneo (trombo) no aneurisma, o qual pode disseminar-se ao longo de toda a parede.

A hipertensão arterial e o tabagismo aumentam o risco aneurisma. Traumatismo, doenças inflamatórias da aorta, distúrbios hereditários do tecido conjuntivo, como a síndrome de Marfan, e a sífilis são distúrbios que predispõem um indivíduo à formação de aneurismas. No caso da síndrome de Marfan, o aneurisma pode desenvolver-se na aorta ascendente (o segmento que emerge diretamente do coração). Os aneurismas também podem desenvolver-se em outras artérias que não a aorta. Muitos deles são decorrentes de uma debilidade congênita ou da aterosclerose; outros são devidos a lesões causadas por arma branca ou por arma de fogo ou por infecções bacterianas ou fúngicas na parede arterial.

Geralmente, a infecção começa em uma outra região do corpo, mais comumente em uma válvula cardíaca. Os aneurismas infectados de artérias cerebrais são particularmente perigosos e exigem um tratamento precoce. Freqüentemente, o tratamento inclui a reparação cirúrgica, a qual apresenta um alto risco.

Aneurismas da Aorta Abdominal

Os aneurismas localizados no segmento da aorta que passa pelo abdômen tendem a ocorrer em uma mesma família. Muitas vezes, esses aneurismas desenvolvem-se em pessoas com hipertensão arterial. Esses aneurismas freqüentemente atingem mais de 7 centímetros e podem romper. (O diâmetro normal da aorta é de 1,9 a 2,5 centímetros.)

Sintomas

Um indivíduo com aneurisma da aorta abdominal freqüentemente começa a perceber uma espécie de pulsação no abdômen. O aneurisma pode causar dor, geralmente uma dor profunda e penetrante, sobretudo na região dorsal. A dor pode ser intensa e constante, embora ela possa ser aliviada com a mudança de posição. Geralmente, o primeiro sinal de uma ruptura é uma dor intensa na região inferior do abdômen e nas costas e sensibilidade na área sobre o aneurisma. No caso de um sangramento interno grave, o indivíduo pode entrar rapidamente em choque. Um aneurisma abdominal roto é freqüentemente fatal.

Diagnóstico

A dor é um sintoma diagnóstico muito útil, mas que surge tardiamente. No entanto, muitos indivíduos com aneurisma não apresentam sintomas e são diagnosticadas por acaso, durante exames físicos de rotina ou por radiografias realizadas por outra razão qualquer. O médico pode sentir uma massa pulsátil na linha média do abdômen. Os aneurismas de crescimento rápido, que estão prestes a romper, freqüentemente doem espontaneamente ou quando são pressionados durante o exame da região abdominal. Nos indivíduos obesos, mesmo aneurismas grandes podem passar desapercebidos. Vários procedimentos laboratoriais auxiliam no diagnóstico de aneurismas.

Uma radiografia abdominal pode revelar um aneurisma que possui depósitos de cálcio em sua parede. Comumente, um exame ultra-sonográfico revela com nitidez o tamanho do aneurisma. A tomografia computadorizada (TC) abdominal, principalmente qando realizada após a injeção intravenosa de um contraste, é ainda mais precisa na determinação do tamanho e da forma do aneurisma, mas trata-se de um exame mais caro. A ressonância magnética (RM) também é precisa, porém é mais cara que a ultra-sonografia e é raramente necessária.

Tratamento

A menos que o aneurisma esteja rompendo, o tratamento dependerá de seu tamanho. Um aneurisma com menos de 5 centímetros de largura raramente se rompe, mas, quando é maior do que 6 centímetros, a ruptura é uma ocorrência mais comum. Por essa razão, os médicos geralmente recomendam a cirurgia para aneurismas com mais de 5 centímetros de largura, a menos que o procedimento seja arriscado demais por outras razões médicas. A cirurgia consiste na colocação de um enxerto sintético para reparar o aneurisma.

O índice de mortalidade decorrente desse tipo de cirurgia é de aproximadamente 2%. A ruptura ou a ameaça de ruptura de um aneurisma abdominal exige uma cirurgia de emergência. O risco de morte durante uma cirurgia para um aneurisma roto é de aproximadamente de 50%. Quando ocorre a ruptura de um aneurisma, os rins apresentam risco de lesão em função do comprometimento da irrigação sangüínea ou do choque relacionado à perda de sangue. Caso ocorra insuficiência renal após a cirurgia, a probabilidade de sobrevivência é muito baixa. Um aneurisma roto e não tratado sempre é fatal.

Aneurismas da Aorta Abdominal Torácica

Os aneurismas localizados no segmento da aorta que avança ao longo do tórax são responsáveis por um quarto de todos os aneurismas aórticos. Em uma forma particularmente comum de aneurisma da aorta torácica, a aorta dilata-se ao deixar o coração. Essa dilatação pode causar disfunção da válvula localizada entre o coração e a aorta (válvula aórtica), permitindo o refluxo sangüíneo ao coração quando a válvula se fecha. Cerca de 50% dos indivíduos com esse problema são portadores da síndrome de Marfan ou de uma de suas variações. Nos demais 50%, o distúrbio não possui uma causa aparente, embora muitas dessas pessoas sejam hipertensas.

Sintomas

Os aneurismas da aorta torácica podem tornarse enormes sem produzir sintomas. Os sintomas são decorrentes da pressão exercida pela aorta sobre as estruturas vizinhas. Os sintomas típicos são a dor (normalmente na na parte superior das costas), a tosse e sibilos. A pessoa pode expectorar sangue em decorrência da pressão exercida sobre a traquéia ou da erosão desse órgão ou das vias respiratórias vizinhas. A pressão sobre o esôfago, o canal que transporta os alimentos até o estômago, pode tornar a deglutição difícil. A rouquidão pode ser decorrente da pressão sobre o nervo que inerva a laringe. O indivíduo pode apresentar um conjunto de sintomas (síndrome de Horner) que consiste na constrição pupilar, na queda palpebral e na sudorese em apenas um dos lados do rosto.

As radiografias torácicas podem revelar deslocalmento da traquéia. Além disso, pulsações anormais da parede torácica também podem ser um sinal de um aneurisma da aorta torácica. Quando ocorre ruptura de um aneurisma da aorta torácica, a dor intensa geralmente começa na porção superior das costas. A dor pode irradiar pelas costas e atingir o abdômen à medida que a ruptura progride. A dor também pode ser sentida no tórax e nos membros superiores, simulando um infarto do miocárdio. O indivíduo pode entrar rapidamente em choque e morrer devido à perda sangüínea.

Diagnóstico

O médico pode diagnosticar um aneurisma da aorta torácica baseando-se nos sintomas ou pode diagnosticar um aneurisma por acaso, durante um exame. Uma radiografia torácica obtida por outra razão qualquer pode revelar a existência de um aneurisma. Para se determinar com precisão o tamanho do aneurisma, são utilizadas a tomografia computadorizada (TC), a ressonância magnética (RM) ou a ultra-sonografia transesofágica. A aortografia (procedimento radiológico realizado após a injeção de um contraste que delineia o aneurisma) é comumente utilizada para ajudar o médico a determinar a necessidade ou não de uma cirurgia e também o tipo de cirurgia mais adequada.

Tratamento

Geralmente, quando um aneurisma da aorta torácica apresenta 7 centímetros de largura ou mais, é realizada a reparação cirúrgica utilizando- se um enxerto sintético. Como a ruptura é mais provável em pessoas porta doras da síndrome de Marfan, os médicos podem recomendar que esses pacientes sejam submetidos à reparação cirúrgica mesmo de aneurismas menores. O risco de morte durante a reparação de aneurismas da aorta torácica é alto (cerca de 10% a 15%) Por essa razão, pode ser instituída a terapia medicamentosa com um betabloqueador para reduzir a freqüência cardíaca e a pressão arterial o bastante para diminuir o risco de ruptura.

A miocardiopatia restritiva é um grupo de dis-túrbios do miocárdio nos quais as paredes ventriculares enrijecem, mas não necessaria-mente ...

Miocardiopatia Restritiva

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A miocardiopatia restritiva é um grupo de dis-túrbios do miocárdio nos quais as paredes ventriculares enrijecem, mas não necessaria-mente apresentam espessamento, produzindo uma resistência ao enchimento normal com san-gue entre os batimentos cardíacos. Sendo a forma menos comum de miocar-diopatia, a miocardiopatia restritiva apresenta muitas características da miocardiopatia hiper-trófica.

Comumente, a sua causa é desconhecida. Em um de seus dois tipos básicos, o miocárdio é substituído gradualmente por tecido cicatricial. No outro tipo, ocorre infiltração de um material anormal no miocárdio como, por exemplo, glóbulos brancos (leucócitos). Outras causas de infiltração são a amiloidose e a sarcoidose. Quan-do o organismo possui uma quantidade excessi-va de ferro, esse metal pode acumular-se no miocárdio, como ocorre na hemocromatose (so-brecarga de ferro nos tecidos).

A causa também pode ser um tumor que invade o tecido cardíaco. Porque a resistência cardíaca ao enchimen-to com sangue, a quantidade de sangue bom-beada para fora é adequada quando o indiví-duo encontra-se em repouso, mas não quando ele está exercitando-se.

Sintomas e Diagnóstico

A miocardiopatia restritiva causa insuficiên-cia cardíaca acompanhada de dificuldade res-piratória. O diagnóstico baseia-se, em grande parte, no exame físico, no eletrocardiograma (ECG) e no ecocardiograma. A ressonância mag-nética (RM) pode fornecer informações adicio-nais sobre a estrutura do coração. Geralmente, um diagnóstico preciso exige um cateterismo cardíaco, para a mensuração das pressões, e de uma biópsia do miocárdio (remoção e exa-me microscópico de uma amostra), a qual pode permitir a identificação da substância infiltrada.

Prognóstico e Tratamento

Cerca de 70% dos indivíduos com miocardio-patia restritiva morrem nos cinco anos que su-cedem o início dos sintomas. Para a maioria das pessoas com esse distúrbio, não existe uma te-rapia satisfatória. Por exemplo, os diuréticos, que normalmente são utilizados no tratamento da insuficiência cardíaca, podem reduzir o volume sangüíneo que chega ao coração, agravan-do o problema em vez de melhorá-lo.

As drogas normalmente utilizadas em casos de insuficiên-cia cardíaca que visam reduzir a carga de tra-balho do coração, em geral, não ajudam, pois elas podem produzir uma redução excessiva da pressão arterial. Algumas vezes, a causa da miocardiopatia restritiva pode ser tratada para prevenir a pio-ra da lesão cardíaca ou mesmo para reverter o quadro. Por exemplo, nos casos de sobrecarga de ferro, a remoção de sangue em intervalos regulares reduz a quantidade de ferro armaze-nado. Os indivíduos com sarcoidose podem utilizar corticosteróides.

A miocardiopatia hipertrófica é um grupo de dis-túrbios cardíacos caracterizados pelo espessamento das paredes ventriculares. A miocardiopat...

Miocardiopatia Hipertrófica

A miocardiopatia hipertrófica é um grupo de dis-túrbios cardíacos caracterizados pelo espessamento das paredes ventriculares. A miocardiopatia hipertrófica pode ser um defeito congênito. Ela também pode ocorrer em adultos com acromegalia, um distúrbio resul-tante do excesso de hormônio do crescimento no sangue, ou em portadores de feocromo-citoma, um tumor que produz adrenalina. Indi-víduos com neurofibromatose, um distúrbio hereditário, também podem apresentar miocardio-patia hipertrófica.

Geralmente, qualquer espessamento das pa-redes musculares do coração representa a rea-ção muscular a um aumento da carga de traba-lho. As causas típicas são a hipertensão arterial, o estreitamento da válvula aórtica (estenose aórtica) e outros distúrbios que aumentam a resistência à saída do coração. No entanto, os indivíduos com miocardiopatia hipertrófica não apresentam essas condições.

Por outro lado, o espessamento produzido nos casos de mio-cardiopatia hipertrófica geralmente é resultante de um defeito genético hereditário. O coração aumenta de espessura e torna-se mais rígido do que o normal e apresenta uma maior resistência à entrada de sangue proveni-ente dos pulmões.

Uma das conseqüências é a pressão retrógrada nas veias pulmonares, a qual pode acarretar acúmulo de líquido nos pulmões e, conseqüentemente, uma dificuldade respira-tória crônica. Além disso, à medida que as pa-redes ventriculares aumentam de espessura, elas podem bloquear o fluxo sangüíneo, impe-dindo o enchimento adequado do coração.

Sintomas e Diagnóstico

Os sintomas incluem desmaio, dor torácica, palpitações produzidas pelas arritmias cardía-cas e insuficiência cardíaca acompanhada de dificuldade respiratória. Em decorrência dos batimentos cardíacos irregulares, pode ocorrer a morte súbita. Geralmente, o médico consegue diagnosticar a miocardiopatia hipertrófica através do exame físico. Por exemplo, os sons cardíacos ausculta-dos através de um estetoscópio costumam ser característicos. Geralmene, o diagnóstico é con-firmado por um ecocardiograma, eletrocardio-grama (ECG) ou por radiografia torácica. No caso do médico aventar a possibilidade de uma cirur-gia, pode haver ser necessária a realização de um cateterismo cardíaco para a mensuração das pressões no interior do coração.

Prognóstico e Tratamento

Anualmente, cerca de 4% das pessoas com miocardiopatia hipertrófica morrem. Geralmen-te, a morte é súbita. A morte por insuficiência cardíaca crônica é menos comum. Pode ser ne-cessário o aconselhamento genético para os in-divíduos que apresentam esse distúrbio de na-tureza congênita e que desejam ter filhos. O tratamento tem como objetivo principal a redução da resistência cardíaca à entrada de sangue entre os batimentos cardíacos. Adminis-trados de forma isolada ou simultânea, os betabloqueadores e os bloqueadores dos canais de cálcio representam o principal tratamento.

A cirurgia de remoção de parte do miocárdio me-lhora o refluxo do sangue do coração, mas essa operação é realizada apenas em indivíduos cujos sintomas são incapacitantes apesar da terapia medicamentosa. A cirurgia pode reduzir os sin-tomas, mas não diminui o risco de vida. Antes de qualquer tipo de tratamento odonto-lógico ou qualquer procedimento cirúrgico, de-vem ser administrados antibióticos para reduzir o risco de infecção do revestimento interno do coração (endocardite infecciosa).

O termo miocardiopatia congestiva dilatada re-fere-se a um grupo de distúrbios cardíacos nos quais os ventrículos dilatam, mas são incapazes...

Miocardiopatia

O termo miocardiopatia congestiva dilatada re-fere-se a um grupo de distúrbios cardíacos nos quais os ventrículos dilatam, mas são incapazes de bombear um volume de sangue suficiente que supra as demandas do organismo e acarretam a insuficiência cardíaca. Nos Estados Unidos, a causa identificável mais comum da miocardiopatia congestiva di-latada é a doença arterial coronariana disse-minada. Essa doença arterial coronariana acarreta uma irrigação sangüínea inadequada ao miocárdio, a qual pode levar a uma lesão per-manente. Como conseqüência, a parte do miocário não lesada sofre um espessamento para compensar a perda da função de bomba. Quando esse espessamento não compensa adequadamente, ocorre a miocardiopatia congestiva dilatada. Uma inflamação aguda do miocárdio (miocar-dite) por uma infecção viral pode enfraquecer esse músculo e causar miocardiopatia congestiva dilatada (às vezes denominada miocardiopatia viral). Nos Estados Unidos, a infecção pelo coxsa-ckievírus B é a causa mais comum de miocar-diopatia viral. Alguns distúrbios hormonais crônicos, como o diabetes e os distúrbios tireoidianos, podem produzir a miocardiopatia congestiva dilatada. O problema também pode ser causado por drogas, como o álcool e a cocaí-na, e por medicamentos, como os antidepressivos. A miocardiopatia alcoólica pode ocorrer após apro-ximadamente dez anos de consumo intenso de ál-cool. Raramente, gravidez ou doenças do tecido conjuntivo, como a artrite reumatóide, podem cau-sar a miocardiopatia congestiva dilatada.

Sintomas e Diagnóstico

Os primeiros sintomas usuais da miocar-diopatia congestiva dilatada – dificuldade respiratória durante os exercícios e cansaço fácil – são decorrentes do enfraquecimento da fun-ção de bomba do coração (insuficiência cardíaca). Quando a miocardiopatia é decorrente de uma infecção, os primeiros sintomas podem ser uma febre súbita e sintomas similares aos do resfria-do. Qualquer que seja a causa, a freqüência cardí-aca aumenta, a pressão arterial é normal ou bai-xa, ocorre retenção de líquido nos membros inferiores e no abdômen e os pulmões apresen-tam congestão líquida.

A dilatação do coração faz com que as válvulas cardíacas abram e fechem inadequadamente e aquelas que permitem a passagem do sangue aos ventrículos (as vál-vulas mitral e tricúspide), freqüentemente, apre-sentam insuficiência. Um fechamento valvular inadequado produz sopro, o qual pode ser aus-cultado pelo médico com o auxílio de um este-toscópio. A lesão miocárdica e a dilatação po-dem tornar aumentar ou diminuir anormalmente o ritmo cardíaco. Essas anormalidades interferem ainda mais na função de bomba do coração. O diagnóstico é baseado nos sintomas e no exa-me físico.

A eletrocardiografia (procedimento que examina a atividade elétrica do coração) pode re-velar alterações características. A ecocardiografia (exame que utiliza ondas ultrassônicas para gerar uma imagem das estruturas cardíacas) e a res-sonância magnética (RM) podem ser utilizadas para a confirmação do diagnóstico. Se o diagnósti-co permanecer duvidoso, um cateter destinado a mensurar a pressão é inserido no coração para uma avaliação mais precisa. Durante a cateterização, uma amostra de tecido pode ser removida para ser submetida a um exame microscópico (biópsia), para confirmar o diagnóstico e, freqüentemente, para detectar a causa.

Prognóstico e Tratamento

Cerca de 70% das pessoas com miocardiopatia congestiva dilatada morre nos cinco anos subse-qüentes ao início dos sintomas e o prognóstico piora à medida que as paredes cardíacas tornam-se mais delgadas e a função cardíaca diminui. As anomalias do ritmo cardíaco também indicam um prognóstico ruim. Em geral, a sobrevida dos ho-mens equivale apenas à metade do tempo de sobrevida das mulheres e a sobrevida dos indiví-duos da raça negra equivale à metade do tempo de sobrevida dos brancos. Aproximadamente 50% das mortes são súbitas, provavelmente em razão de uma arritmia cardíaca.

O tratamento das causas subjacentes especí-ficas, como o consumo abusivo de álcool ou uma infecção, pode prolongar a vida do paciente. Se o uso abusivo de bebidas alcoólicas for a cau-sa, o paciente deve abster-se da ingestão al-coólica. Se uma infecção bacteriana produzir uma inflamação aguda do miocárdio, esta deve ser tratada com antibiótico. No indivíduo com doença arterial coronariana, a irrigação sangüínea deficiente pode provocar angina (dor torácica causada por uma car-diopatia), impondo a necessidade de um tra-tamento com um nitrato, um betabloqueador ou um bloqueador dos canais de cálcio.

Os betabloqueadores e os bloqueadores dos canais de cálcio podem reduzir a força das contrações cardíacas. Medidas que auxiliam a reduzir a tensão sobre o coração incluem o repouso e o sono suficientes e a redução do estresse. O acúmulo de sangue no coração dilatado pode acarretar a formação de coágulos nas paredes das câmaras cardíacas. Para prevenir a sua ocorrên-cia, geralmente são utilizadas drogas anti-coagulantes.

Quase todas as drogas utilizadas na prevenção de arritmias cardíacas são prescritas em doses pequenas e estas são ajustadas através de pequenos aumentos, pois esses agentes po-dem reduzir a força das contrações cardíacas. A insuficiência cardíaca também é tratada com dro-gas como, por exemplo, um inibidor da enzima conversora da angiotensina e, freqüentemente, um diurético.

No entanto, a menos que a causa da miocardiopatia congestiva dilatada possa ser tratada, é provável que a insuficiência cardíaca acarrete a morte do paciente. Devido a esse prog-nóstico sombrio, a miocardiopatia congestiva di-latada é a indicação mais comum para a realiza-ção de um transplante cardíaco.

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