Atividade Fisica x Doença Vascular periférica


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Pacientes com doença arterial periférica (DAP) apresentam alta taxa de mortalidade cardiovascular, com um aumento de 4 a 6 vezes na incidência de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Várias evidências, incluindo importantes metanálises, ratificam a importância da atividade física como adjuvante ao tratamento da doença vascular periférica.

Gardner e Pochlman2 avaliaram 31 estudos e observaram um aumento de 179% na distância média de caminhada até o início da dor; COCHRANE avaliou 10 estudos que demonstraram um aumento de 150% em média da distância de caminhada, nos pacientes que utilizaram a atividade física como tratamento da doença vascular periférica3.

A atividade física aumenta a oferta periférica de O2, diminui a isquemia local e a inflamação sistêmica e melhora a função endotelial, promovendo melhora da qualidade de vida, além de auxiliar no tratamento de outras doenças comumente presentes nestes pacientes, tais como, doença coronariana, hipertensão arterial sistêmica, obesidade, dislipidemia, hiperglicemia/diabete melito e outras condições envolvidas na trombogênese.

Em comparação com outros métodos, a atividade física apresenta resultados similares à angioplastia, em relação ao aumento do tempo de marcha sem isquemia (100% a 150%) e um resultado melhor do que a cirurgia (75% a 100%) e o tratamento medicamentoso com pentoxifilina (20% a 25%) e cilostazol (49% a 60%)4. Sendo assim, a atividade física se mostra como um dos principais tratamentos para a doença vascular periférica, agindo também nas doenças associadas e nos fatores de risco presentes, além de não envolver custos e apresentar baixo risco de intercorrências. Devido à alta incidência de doenças associadas, todos os pacientes portadores de doença vascular periférica devem, antes de iniciar um programa de atividade física, serem submetidos a uma avaliação clínica, inicialmente com ênfase na anamnese e no exame físico, com o objetivo de pesquisar sinais, sintomas e fatores de risco que podem sinalizar a presença de outras doenças. A solicitação de exames complementares, tais como teste de esforço, doppler vascular periférico, índice tornozelobraquial, ecocardiograma, bioquímica do sangue, entre outros, ficará a critério médico após avaliação inicial.

Em relação à prescrição da atividade física propriamente dita, alguns aspectos são de suma relevância. A atividade aeróbica, principalmente de membros inferiores, como caminhada ao ar livre ou em esteiras rolantes, é a que apresenta maior benefício, porém deve ser estimulada a complementação com exercícios de força contra a resistência, assim como outras atividades aeróbicas, como cicloergômetros de pernas e membros superiores. O exercício ideal é aquele que provoca discreta dor ou claudicação, estimulando de forma mais efetiva a angiogênese, através do estímulo para produção de fatores de crescimento vascular. Neste aspecto, sempre devemos optar pelo exercício intervalado: o paciente deve estar ciente que, apesar do desconforto provocado pela dor, o momento em que a dor ocorre é o de maior benefício e deve ser sustentado até o limite da percepção pessoal. Posteriormente, a carga deve ser reduzida ao ponto de cessar a dor e até que o paciente julgue possível um novo estímulo.

A frequência da atividade física deve contemplar um mínimo de 3 a 5 sessões por semana, sempre iniciando com o limite tolerável pelo paciente e depois seguindo com aumentos graduais até um mínimo de 30 minutos por sessão, os quais podem ser divididos em dois ou três tempos em uma mesma sessão. Por último, porém não menos importante, devemos ressaltar que o aumento da capacidade funcional pode desvendar o aparecimento de outras doenças, como a doença arterial coronariana, devendo o médico estar atento para este diagnóstico.

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