Síndrome de Barlow, Válvula Mitral Flexível, Síndrome do Click Sistólico e Válvula Mitral Mixomatosa. Causas É a alteração mais freqüentem...

Prolapso da válvula mitral

Síndrome de Barlow, Válvula Mitral Flexível, Síndrome do Click Sistólico e Válvula Mitral Mixomatosa.

Causas

É a alteração mais freqüentemente observada na válvula mitral. Na maioria dos pacientes o PVM é de causa desconhecida. Em outros parece ser genéticamente uma determinada alteração do tecido conjuntivo. Uma redução na produção do colágeno tipo III é fato relatado e na microscopia eletrônica tem sido demonstrado fragmentação das fibras colágenas.

O PVM pode estar associado a deformidades esqueléticas (tórax e coluna vertebral), não tão acentuadas como as vistas na Síndrome de Marfan. Também já foi descrito a acentuação do arco palatino nestes pacientes.

Pode também ocorrer como seqüela de febre reumática, pós valvulotomiamitral, na doença coronária, nas miocardiopatias e em cerca de 20% dos portadores de defeito no fechamento embrionário do septo atrial chamado de"ostium secundum".

É causa freqüente de regurgitação mitral (RM) que é o refluxo de sangue através da válvula (que deveria estar totalmente fechada) para dentro do átrio esquerdo.

O PVM é a causa mais comum de RM mas os casos severos da patologia associada a RM são raros.

Explicação Anatômica

Localizada entre o átrio esquerdo (câmara superior) e o ventrículo esquerdo (câmara inferior), a válvula mitral consiste de dois folhetos que se abrem e fecham de forma coordenada para permitir que o sangue flua somente num sentido (do átrio para o ventrículo). O ventrículo esquerdo impulsiona o sangue rico em oxigênio para as artérias distribuindo-o para todo o corpo.

Nos pacientes portadores de PVM, um ou ambos os folhetos (normalmente o posterior) ou os músculos papilares e suas cordoalhas são demasiadamente longos (redundantes), sendo também descrito o aumento do anel valvular.

Desta forma o fechamento uniforme, que deveria ocorrer durante a sístole não acontece, permitindo às vezes, que quantidades variáveis de sangue fluam em sentido retrógrado para dentro do átrio esquerdo (na dependênciado grau de RM).

Esta condição produz um som estalado a ausculta cardíaca que chamamos "click sistólico".

Incidência

Afeta aproximadamente de 5 a 7% da população mundial (5% nos EUA), sendo mais comum no sexo feminino, sendo normalmente detectada entre os 14 e 30anos. Existe uma maior incidência em indivíduos da mesma família sugerindo uma penetração autossômica dominante (genética).

Sintomas

Pode não existir qualquer sintoma relacionado ao PVM, permanecendo o paciente assim durante toda a vida.

As queixas mais comuns são as palpitações e a síncope (devidas a distúrbios do ritmo cardíaco), dor de cabeça (cefaléia), dor torácica, falta de ar e fadiga, sendo esta última a mais comum.

Os portadores de PVM podem concomitantemente apresentar disfunção do sistema nervoso autônomo e o quadro pode se associar ao Transtorno do Pânico, a Ansiedade e a Depressão.

A dor torácica é diferente da apresentada na doença coronariana pois raramente ocorre durante ou após o exercício e não responde ao uso de nitratos.

O PVM pode estar associado, segundo recentes relatos, a alterações da coagulação sangüínea, sendo as plaquetas responsabilizadas pela anormalidade.

Avaliação Clínica e Diagnóstico

O exame do paciente revela através da ausculta cardíaca um som estalado (click), logo após o início da contração ventricular. Este fenômeno é explicado pela pressão exercida sobre os folhetos anormais da válvula durante a sístole (contração do ventrículo).

Se houver regurgitação mitral associada (refluxo de sangue para o átrio esquerdo pelo fechamento inadequado da válvula ) um sopro pode ser auscultado logo após o click.

A pressão arterial não é alterada habitualmente pelo PVM.

O ecocardiograma bidimensional com doppler é o exame complementar mais útil no diagnóstico do PVM. Ele pode medir a severidade do prolapso e o grau de regurgitação mitral. Além disso poderá detectar áreas de infecção na válvula, espessamento anormal e avaliar a função sisto-diastólica dos ventrículos (funcionamento do coração como bomba impulsionadora de sangue).

A infecção valvular é chamada de endocardite e é uma séria complicação do PVM.

O eletrocardiograma pode demonstrar inversão ou achatamento da onda T nas derivações DII, DIII e AVF, algumas vezes aparecendo somente com o exercício.

Como já mencionado anteriormente, as palpitações e as síncopes são sintomas causados pelas arritmias cardíacas (batimentos irregulares do coração). Estas podem ser detectadas pelo eletrocardiograma ou através do Holter (gravação contínua de todos os batimentos cardíacos do paciente por períodos de 24 ou 48 horas e que são analisados posteriormente).

Se o paciente, mesmo com a colocação do Holter não apresentar episódios de palpitação durante o exame, novos métodos de gravação de eventos anormais do ritmo cardíaco já estão disponíveis e possibilitam flagrarmos o tipo de arritmia. Através do comando de gravação, acionado pelo próprio paciente quando sente a palpitação, (aparelhos que são colocados por 1 a 2 semanas) nos permite o posterior estudo da fita e consequentemente do que houve com o ritmo do coração durante e após o episódio de palpitação.

Outro teste que pode ser usado é o estudo dos batimentos cardíacos durante o exercício físico crescente. Ele é eficaz na detecção das anormalidades acima descritas, assim como na isquemia miocárdica (doença coronariana). Auxilia também a decidirmos que níveis de exercício são seguros para opaciente.

As arritmias mais freqüentemente observadas são: extrasístoles ventriculares, taquicardia paroxística supra ventricular, taquicardia ventricular, extrasístoles atriais e bloqueios átrio-ventriculares. Elas são as causadoras das palpitações e das síncopes apresentadas pelos portadores de PVM. A fibrilação atrial, se presente, aumenta as chances deformação de trombos intracavitários (coágulos dentro do coração) devendo o paciente ser anticoagulado.

Complicações

Podem ocorrer arritmias severas, insuficiência cardíaca, endocardite, embolias e até mesmo a morte súbita (rara).

Tratamento

Em muitos casos os sintomas são poucos ou inexistem não havendo necessidade de tratamento. Não há restrições a atividade física.

A hospitalização pode ser necessária para o diagnóstico e tratamento dos sintomas severos.

A presença de regurgitação mitral (insuficiência) pode levar a hipertrofia ou dilatação do coração (o músculo cardíaco necessita desenvolver maior força contrátil com a piora progressiva da RM, já que parte do sangue reflui para o átrio esquerdo) e aos ritmos anormais. Como conseqüência os pacientes portadores de PVM com RM devem ser avaliados semestralmente ou anualmente.

Desde que a infecção da válvula (endocardite) é cerca de 3 a 8 vezes mais freqüente nos portadores de PVM com RM do que na população em geral, é uma séria complicação nos pacientes portadores desta afecção e por este motivo deve ser feita PROFILAXIA COM ANTIBIÓTICOS (orientada por médico) antes de todo procedimento que possa introduzir bactérias na corrente sangüínea. Estes incluem o tratamento odontológico rotineiro (mesmo limpeza), as pequenas cirurgias e os procedimentos que podem traumatizar tecidos do corpo como exames de colonoscopia, ginecológicos e urológicos.

Os antibióticos mais utilizados na profilaxia são a amoxacilina e aeritromicina por via oral, bem como a ampicilina, a gentamicina e avancomicina por via parenteral.

Os pacientes com prolapso severo, arritmias, síncopes, palpitações significativas e dor torácica podem se beneficiar com o uso dos beta-bloqueadores como o atenolol, o metropolol e o propranolol. Nos pacientes que não toleram este tipo de medicamentos podem ser usados os bloqueadores de cálcio como o verapamil e o diltiazem.

O reparo cirúrgico da válvula ou sua troca melhoram os sintomas. A cirurgia pode ser necessária quando há disfunção ventricular, sintomas severos ou se as condições do paciente evoluem para deterioração.

Se as complicações existem, outros fármacos como a digital, vaso dilatadores, diuréticos e anticoagulantes podem ser indicados.

Os pacientes portadores de PVM devem ser monitorados regularmente por um médico.

Prognóstico

Varia na dependência das condições concomitantes ao PVM. Possui curso geralmente benigno e sem sintomas. Quando sintomático é controlado pelo uso de medicamentos e, nos casos mais graves, a cirurgia valvular, cada vez mais precoce hoje em dia, é indicada evitando-se as complicações.

Fonte A Organização Mundial da Saúde (OMS) define Reabilitação Cardíaca como atividades necessárias para assegurar da me...

Atuação do Fisioterapeuta na Cardiologia

Fonte

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define Reabilitação Cardíaca como atividades necessárias para assegurar da melhor maneira possível as condições físicas, mentais e sociais do cardiopata, possibilitando seu retorno à comunidade e proporcionando vida ativa e produtiva. Para atingir isso, é necessário o trabalho de uma equipe multidisciplinar, na qual o Fisioterapeuta desempenha papel importante.

Cristiane Pulz, diretora do Departamento de Fisioterapia da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), explica que a abordagem fisioterápica em Cardiologia está relacionada à prevenção e ao tratamento das doenças cardíacas através do exercício físico.

A reabilitação cardíaca envolve várias fases. Na hospitalar, o Fisioterapeuta evita complicações dos efeitos deletérios do repouso no leito e orienta quanto à prevenção dos fatores de risco. Nos pacientes cirúrgicos, cuida-se principalmente do sistema respiratório. O Fisioterapeuta também oferece suporte e cuidados com a ventilação mecânica. Nessa fase, o conhecimento da interação do coração com o pulmão e da manutenção da oferta de oxigênio adequada obriga o profissional a intensificar a atenção durante a ventilação, no desmane e na extubação.

Na fase ambulatorial, o objetivo é melhorar o status funcional. Os dados obtidos com o teste ergométrico, ou cardiopulmonar, fornecem informações que permitem avaliar as limitações funcionais dos sistemas envolvidos e prescrever exercícios com segurança e eficiência. “É importante que o profissional conheça a fisiologia do exercício, suas repercussões e principalmente as alterações fisiológicas e sintomatológicas das diversas doenças cardiovasculares”, alerta o vice-diretor do Departamento de Fisioterapia da SOCESP, Wladimir Musetti Medeiros

No acompanhamento do paciente, visa-se ainda algum ganho de capacidade funcional, mas principalmente a manutenção do programa. O Fisioterapeuta passa a acompanhar o paciente à distância, devendo enfatizar e estimular a manutenção dos exercícios.

Pacientes com Insuficiência Cardíaca e transplantados merecem destaque. Na fase descompensada, ou na reabilitação pós-transplante, a intervenção por meio de exercícios respiratórios e motores é de suma importância.

A atuação do Fisioterapeuta na Cardiologia vem crescendo e é, neste contexto, que se integra o Departamento de Fisioterapia da SOCESP, fundado em 1993, com o objetivo de promover encontros, congressos, seminários, reuniões e outras atividades que incentivem a união e o desenvolvimento profissional dos fisioterapeutas; estimular o relacionamento com associações congêneres nacionais e internacionais para aprimorar a divulgação da Fisioterapia Cardiovascular; divulgar trabalhos e estudos de interesse na área; zelar pelos direitos e interesses dos associados; colaborar com escolas de Fisioterapia no desenvolvimento do espírito associativo dos estudantes, estimulando sua participação em atividades sócio-culturais; e apoiar a organização e o funcionamento de entidades similares e empenhadas em defender os direitos e interesses da categoria.

A doença de Buerger (tromboangeíte obliterante) é a obstrução de artérias e veias de pequeno e médio calibre por uma inflamação causada pe...

Doença de Buerger

A doença de Buerger (tromboangeíte obliterante) é a obstrução de artérias e veias de pequeno e médio calibre por uma inflamação causada pelo tabagismo. Esta doença afeta predominantemente os indivíduos do sexo masculino, tabagistas e com idade entre 20 e 40 anos. Apenas 5% dos indivíduos afetados são do sexo feminino. Embora não se conheça exatamente a causa dessa doença, apenas os tabagistas são afetados e a persistência no vício agrava o quadro. O fato de apenas um pequeno número de tabagistas apresentar a doença de Buerger sugere que algumas pessoas são mais suscetíveis. No entanto, não se sabe a razão pela qual nem como o tabagismo causa esse problema.

Sintomas

Os sintomas da diminuição da irrigação sangüínea aos membros superiores e inferiores surgem de forma gradual, iniciando nas pontas dos dedos das mãos ou dos pés e progredindo na direção proximal pelos membros superiores e inferiores, até que, finalmente, ocorre a gangrena. Cerca de 40% das pessoas acometidas pela doença de Buerger apresentam episódios de inflamação nas veias – particularmente nas veias superficiais – e nas artérias dos pés ou das pernas.

O membro afetado pode apresentar diminuição da temperatura, insensibilidade, dormência, formigamento ou sensação de queimação antes que o médico observe qualquer sinal. Freqüentemente, os indivíduos afetados apresentam o fenômeno de Raynaud e câimbras musculares, geralmente no arco dos pés ou nas pernas, e, mais raramente, nas mãos, nos braços ou nas coxas. Com o agravamento da obstrução. a dor torna-se mais intensa e persistente. No início da doença, o paciente pode apresentar úlceras e/ou gangrena. A mão (ou o pé) torna-se fria, apresenta uma sudorese profusa e torna-se azulada, provavelmente devido à reação nervosa à dor persistente e intensa.

Diagnóstico

Em mais de 50% dos casos, o pulso é fraco ou ausente em uma ou em mais artérias dos pés ou dos punhos. Freqüentemente, as mãos, os pés, os dedos das mãos ou dos pés afetados tornam-se pálidos ao serem elevados acima do nível do coração e tornam-se vermelhos quando colocados abaixo desse nível. Os indivíduos afetados podem apresentar úlceras cutâneas e gangrena, geralmente de um ou mais dedos (das mãos ou dos pés). Estudos ultra-sonográficos revelam uma queda acentuada da pressão sangüínea e do fluxo sangüíneo nos pés, mãos e dedos dos pés e das mãos afetados. As angiografias (radiografias das artérias) revelam as artérias obstruídas e outras anormalidades da circulação, especialmente nas mãos e nos pés.

Tratamento

O indivíduo com doença de Buerger deve parar de fumar ou, caso contrário, seu estado irá piorar de forma inexorável e, em última instância, será necessária a realização de uma amputação. Além disso, ele deve evitar a exposição ao frio; lesões devidas ao calor, ao frio ou a substâncias, como o iodo ou ácidos, utilizadas no tratamento de calos e ceratoses; lesões causadas por sapatos apertados ou pequenas cirurgias (por exemplo, a redução de calosidades); infecções por fungos; e medicamentos que possam levar a uma constrição dos vasos sangüíneos (vasoconstritores).

São recomendadas caminhadas durante 15 ou 30 minutos, duas vezes ao dia, exceto para os indivíduos com gangrena, úlceras ou que sintam dor em repouso. Estes podem necessitar de repouso ao leito. Eles devem proteger os pés com faixas providas de almofadas no calcanhar ou com botas de espuma de borracha. A cabeceira da cama pode ser elevada com calços de 15 a 20 centímetros, para que a força da gravidade facilite o fluxo sangüíneo através das artérias. O médico pode prescrever pentoxifilina, antagonistas do cálcio ou inibidores plaquetários (p. ex., aspirina), especialmente quando a obstrução é decorrente de um espasmo.

Para aqueles que abandonaram o tabagismo, mas ainda apresentam oclusão arterial, os cirurgiões podem melhorar o fluxo sangüíneo através da secção de determinados nervos vizinhos, visando impedir o espasmo. Raramente, os cirurgiões realizam enxertos de derivação (bypass), pois as artérias afetadas por essa doença são muito pequenas.

A doença de Raynaud e o fenômeno de Raynaud são distúrbios nos quais pequenas artérias (arteríolas), geralmente dos dedos das mãos e dos p...

Doença de Raynaud e Fenômeno de Raynaud

A doença de Raynaud e o fenômeno de Raynaud são distúrbios nos quais pequenas artérias (arteríolas), geralmente dos dedos das mãos e dos pés, sofrem um espasmo e, em conseqüência, a pele torna-se pálida ou apresenta manchas irregulares avermelhadas ou azuladas. Os médicos utilizam o termo “doença de Raynaud” quando não existe uma causa subjacente aparente e o termo “fenômeno de Raynaud” quando a causa é conhecida. Em alguns casos, a causa subjacente não pode ser diagnosticada no início, mas ela torna-se evidente dentro de um período de dois anos. Entre 60% e 90% dos casos de doença de Raynaud ocorrem em mulheres jovens.

Causas

As possíveis causas incluem a esclerodermia, artrite reumatóide, aterosclerose, distúrbios nervosos, hipoatividade da tireóide, lesões e reações a determinados medicamentos, como a ergotamina e a metilsergida. Alguns indivíduos que apresentam o fenômeno de Raynaud também apresentam enxaqueca, angina variante e hipertensão pulmonar (aumento da pressão arterial nos pulmões). Essas associações sugerem que a causa dos espasmos arteriais pode ser a mesma em todos esses distúrbios. Qualquer fator que estimule o sistema nervoso simpático como, por exemplo, emoções ou a exposição ao frio, pode causar espasmos arteriais.

Sintomas e Diagnóstico

O espasmo de pequenas artérias dos dedos das mãos e dos pés ocorre rapidamente e, muito freqüentemente, é desencadeado pela exposição ao frio. O espasmo pode durar minutos ou horas. Os dedos tornam-se pálidos, geralmente em forma de manchas. Pode ocorrer acometimento de apenas um dos dedos da mão ou do pé ou parte de um ou de mais dedos, com a formação de áreas irregulares vermelhas e brancas. Quando o episódio termina, as áreas afetadas podem tornar- se mais rosadas que o normal ou azuladas. Habitualmente, os dedos atingidos não doem, mas são comuns a ocorrência de insensibilidade ou formigamento, sensação de alfinetadas e agulhadas e de queimação.

O aquecimento das mãos ou dos pés restaura a cor e as sensações normais. No entanto, quando o indivíduo apresenta o fenômeno de Raynaud há muito tempo (especialmente na presença de esclerodermia), a pele dos dedos pode sofrer alterações permanentes, apresentando um aspecto liso, brilhante e distendido. Pequenas lesões dolorosas podem ocorrer nas pontas dos dedos. Para diferenciar a oclusão arterial do espasmo arterial, os médicos solicitam exames laboratoriais antes e após a exposição ao frio intenso.

Tratamento

O controle da doença de Raynaud leve pode ser feito através da proteção do tronco, dos membros superiores e inferiores contra o frio e da utilização de sedativos leves. Os indivíduos afetados devem interromper o tabagismo, pois a nicotina promove a constrição dos vasos sangüíneos. Para alguns poucos indivíduos, as técnicas de relaxamento, como o biofeedback, podem reduzir os espasmos. Comumente, a doença de Raynaud é tratada com prazosina ou nifedipina.

Ocasionalmente, a fenoxibenzamina, a metildopa ou a pentoxifilina podem ser úteis. No caso de incapacidade progressiva e quando os outros tratamentos são ineficazes, o cirurgião pode realizar a secção de nervos simpáticos para aliviar os sintomas, mas o efeito pode durar somente um ou dois anos. Essa cirurgia, denominada simpatectomia, geralmente é mais eficaz nos casos de doença de Raynaud do que nos de fenômeno de Raynaud. O médico trata o fenômeno de Raynaud tratando a causa subjacente. A fenoxibenzamina pode ser útil, mas as drogas que promovem a constrição dos vasos sangüíneos (como os betabloqueadores, a clonidina e derivados da ergotamina) podem piorá-lo.

Pacientes com doença arterial periférica (DAP) apresentam alta taxa de mortalidade cardiovascular, com um aumento de 4 a 6 vezes na incid...

Atividade Fisica x Doença Vascular periférica


Pacientes com doença arterial periférica (DAP) apresentam alta taxa de mortalidade cardiovascular, com um aumento de 4 a 6 vezes na incidência de infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral. Várias evidências, incluindo importantes metanálises, ratificam a importância da atividade física como adjuvante ao tratamento da doença vascular periférica.

Gardner e Pochlman2 avaliaram 31 estudos e observaram um aumento de 179% na distância média de caminhada até o início da dor; COCHRANE avaliou 10 estudos que demonstraram um aumento de 150% em média da distância de caminhada, nos pacientes que utilizaram a atividade física como tratamento da doença vascular periférica3.

A atividade física aumenta a oferta periférica de O2, diminui a isquemia local e a inflamação sistêmica e melhora a função endotelial, promovendo melhora da qualidade de vida, além de auxiliar no tratamento de outras doenças comumente presentes nestes pacientes, tais como, doença coronariana, hipertensão arterial sistêmica, obesidade, dislipidemia, hiperglicemia/diabete melito e outras condições envolvidas na trombogênese.

Em comparação com outros métodos, a atividade física apresenta resultados similares à angioplastia, em relação ao aumento do tempo de marcha sem isquemia (100% a 150%) e um resultado melhor do que a cirurgia (75% a 100%) e o tratamento medicamentoso com pentoxifilina (20% a 25%) e cilostazol (49% a 60%)4. Sendo assim, a atividade física se mostra como um dos principais tratamentos para a doença vascular periférica, agindo também nas doenças associadas e nos fatores de risco presentes, além de não envolver custos e apresentar baixo risco de intercorrências. Devido à alta incidência de doenças associadas, todos os pacientes portadores de doença vascular periférica devem, antes de iniciar um programa de atividade física, serem submetidos a uma avaliação clínica, inicialmente com ênfase na anamnese e no exame físico, com o objetivo de pesquisar sinais, sintomas e fatores de risco que podem sinalizar a presença de outras doenças. A solicitação de exames complementares, tais como teste de esforço, doppler vascular periférico, índice tornozelobraquial, ecocardiograma, bioquímica do sangue, entre outros, ficará a critério médico após avaliação inicial.

Em relação à prescrição da atividade física propriamente dita, alguns aspectos são de suma relevância. A atividade aeróbica, principalmente de membros inferiores, como caminhada ao ar livre ou em esteiras rolantes, é a que apresenta maior benefício, porém deve ser estimulada a complementação com exercícios de força contra a resistência, assim como outras atividades aeróbicas, como cicloergômetros de pernas e membros superiores. O exercício ideal é aquele que provoca discreta dor ou claudicação, estimulando de forma mais efetiva a angiogênese, através do estímulo para produção de fatores de crescimento vascular. Neste aspecto, sempre devemos optar pelo exercício intervalado: o paciente deve estar ciente que, apesar do desconforto provocado pela dor, o momento em que a dor ocorre é o de maior benefício e deve ser sustentado até o limite da percepção pessoal. Posteriormente, a carga deve ser reduzida ao ponto de cessar a dor e até que o paciente julgue possível um novo estímulo.

A frequência da atividade física deve contemplar um mínimo de 3 a 5 sessões por semana, sempre iniciando com o limite tolerável pelo paciente e depois seguindo com aumentos graduais até um mínimo de 30 minutos por sessão, os quais podem ser divididos em dois ou três tempos em uma mesma sessão. Por último, porém não menos importante, devemos ressaltar que o aumento da capacidade funcional pode desvendar o aparecimento de outras doenças, como a doença arterial coronariana, devendo o médico estar atento para este diagnóstico.

Fonte

Faça Fisioterapia