Exercícios físicos são fundamentais para tratar casos de infarto


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O infarto do miocárdio é uma complicação cardiovascular que acomete milhares de pessoas todos os anos no Brasil. Por causa disso, pesquisadores da Faculdade de Medicina (FM) da USP desenvolveram um estudo que analisou o impacto dos treinamentos físicos no tratamento de recuperação de pacientes com essa condição. Os resultados revelaram que, mesmo sob medicação, o paciente que não desempenha atividades físicas não apresenta melhora no quadro de saúde.

A tese de doutorado do médico Daniel Godoy Martinêz buscou avaliar se o treinamento físico, realizado por um período de seis meses, melhorava o controle neurovascular e a capacidade física dos pacientes com síndromes isquêmicas miocárdicas instáveis, como, por exemplo, o infarto agudo do miocárdio.

Segundo Daniel, os resultados obtidos possuem grande implicação clínica, já que, mesmo medicados, os pacientes que não realizaram o programa regular de exercícios continuavam apresentando um quadro negativo para a ocorrência de novos infartos. “Também podemos destacar que a condição física dos pacientes que realizaram o treinamento físico foi significativamente melhorada. Desta forma, o treinamento físico aparece como uma conduta extremamente importante para essas pessoas”, ressalta o pesquisador.

Durante as avaliações feitas nos pacientes, os médicos utilizaram uma técnica chamada microneurofagia, que seria a medição direta da atividade nervosa simpática muscular, utilizando um microeletrodo implantado no corpo do paciente examinado. “Somada à essa técnica, também executamos a pletismografia de oclusão venosa, que nos permite avaliar o fluxo sanguíneo muscular durante uma manobra fisiológica, como o exercício, e a avaliação cardiopulmonar, também conhecida como ergoespirometria, que nos fornece a avaliação da capacidade física do paciente por meio da medida direta do consumo máximo de oxigênio durante um teste de grande esforço”, completa o pesquisador. Esta avaliação permitiu a prescrição do exercício físico aeróbio de forma individualizada e precisa para cada paciente. A pressão arterial do paciente também foi acompanhada através de eletrocardiogramas.

Número elevado de casos

Daniel destaca que o número de pessoas que sofrem de infarto agudo do miocárdio é muito elevado, e que esse é um quadro de alerta. “A cada dia e semana vários pacientes procuravam o Instituto do Coração (InCor) procurando atendimento com o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio. De fato, conforme as estatísticas, a doença cardiovascular e, em especial a doença isquêmica do coração, é uma das principais causas de óbito da população brasileira”, afirma.

Segundo ele, os resultados do estudo mostram que a reabilitação cardiovascular baseada em exercício é uma importante conduta não farmacológica que deveria ser adotada como política pública de saúde e utilizada pelas instituições de saúde no tratamento das doenças cardiovasculares, em especial após infarto agudo do miocárdio.

Fonte: Faculdade de Medicina - USP

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