A intervenção da Fisioterapia na Reabilitação Cardíaca







 

A Fisioterapia, assim como outras áreas da saúde, tem desenvolvido significantes pesquisas na área da Reabilitação Cardíaca (RC) a fim de estimular positivamente, tanto à causa subjacente da doença, quanto às capacidades funcionais do paciente, de maneira que o mesmo possa, através do próprio esforço, realizar as suas atividades da vida diária (SILVA, 2007; PRYOR & WEBBER, 2002). O artigo de revisão da literatura disponibilizado nesta atividade reflexiva aprofunda a discussão sobre as fases da RC, por meio da análise em detalhes do ciclo de intervenção da Fisioterapia, de forma a poder colaborar para uma prática mais eficiente da mesma (SILVA, 2007).

Conforme os estudos de Silva (2007) e Carvalho et al. (2006), a primeira fase da RC corresponde ao período de internamento do paciente numa instituição hospitalar, caso não ocorram complicações, tem uma duração que poderá variar entre 06 e 12 dias. Esta fase pode ser dividida em três subfases: pré-operatório (somente em casos cirúrgicos) a atuação da Fisioterapia está enfocada na orientação clínica, no ensino de técnicas para melhoria da função respiratória e de desobstrução das vias aéreas, a fim de diminuir a incidência de complicações pulmonares pós-cirúrgicas (CPP); na subfase aguda a finalidade é prevenir a ocorrência de complicações respiratórias, monitorizando a remoção de secreções, verificando a ventilação e se necessário a intervenção direta deverá ser seletiva e não generalizada a todos os pacientes; na subfase de mobilização, as metas da Fisioterapia são de assegurar que as capacidades funcionais do paciente permaneçam no nível desejado para as atividades da vida cotidiana e que o mesmo esteja apto para iniciar a próxima etapa.

A segunda fase da RC corresponde ao período de pós-internamento (SILVA, 2007), ou extra-hospitalar (CARVALHO, et al., 2006), tem duração que pode variar entre 03 e 06 meses e pode ser executado em diferentes contextos. A fisioterapia nesta fase da RC almeja aperfeiçoar a independência funcional do paciente facilitando a identificação das suas limitações físicas, o aumento do nível de aptidão cardiorrespiratória e facilitando o desenvolvimento e manutenção de um estilo de vida fisicamente ativo (SILVA, 2007). A respeito do tipo de programa exercício físico nesta fase da RC, Silva (2007) – fazendo referência a outros autores – diz que este deve incluir exercícios aeróbicos (contínuo ou intervalado), exercícios de fortalecimento muscular, como também de flexibilidade a fim de preservar a amplitude de movimentos articulares, numa frequência de 03 a 05 vezes por semana, como também a utilização de técnicas de relaxamento, pois a mesma promove respostas cardiovasculares satisfatórias ao paciente.

A terceira fase da RC pode estender-se durante um período de 06 a 24 meses (CARVALHO, et al., 2006) ou por toda a vida do paciente (SILVA, 2007). De acordo com Carvalho, et al. (2006) a supervisão de exercícios deve ser feita por profissional especializado em exercício físico (professor de educação física e/ou fisioterapeuta). O objetivo é a manutenção em longo prazo das capacidades funcionais desenvolvidos na fase II, focando-se assim na auto-regulação do paciente e adoção de um estilo de vida saudável.

São vários os benefícios que a reabilitação cardiovascular exerce sobre o paciente: ação favorável sobre o perfil lipídico; aumento da capacidade funcional; melhora a angina em repouso; amplia a relação ventilação/perfusão pulmonar; melhora o condicionamento aeróbio; diminui os níveis pressóricos, reduz em torno de 20% a 25% no risco de morte nos pacientes pós-infarto agudo do miocárdio, entre outras (MORAES, et al., 2005).

Embora tais estudos tenham trazidos vários benefícios aos programas de intervenção, precisa-se ainda avançar nas pesquisas para melhor responder aos questionamentos que ainda são pertinentes. A atuação, portanto, do fisioterapeuta em cada uma das fases da RC garante aos pacientes a possibilidade de evolução rápida de suas capacidades funcionais, oferecendo-lhe uma melhor qualidade de vida.

 

REFERÊNCIAS

CARVALHO, T., et al. Diretriz da Reabilitação Cardiopulmonar e Metabólica: Aspectos Práticos e Responsabilidades. Arquivos Brasileiros de Cardiologia - Volume 86, Nº 1: 74-82. 2006.

MORAES R.S., et al. Diretriz de Reabilitação Cardíaca. Arquivos Brasileiros de Cardiologia; Volume 84, Nº 5: 431-40. 2005

PRYOR, J. A., & WEBBER, B. A. Fisioterapia para problemas Respiratórios e Cardiacos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2002.

SILVA, H. Fases da Reabilitação Cardíaca: A Intervenção da Fisioterapia (Revisão da Literatura). EssFisiOnline, vol. 3, nº 3 , 17-35. 2007.


Diego Sarmento de Sousa - Contato: diego_uepa@hotmail.com

- Pós-graduando em Fisiologia do Exercício (Faculdade de Anicuns/GO)
- Graduado em Educação Física (UEPA/PA)
- Acadêmico de Fisioterapia (UEPA/PA)
- Acadêmico de Ciencias Biologias (UFPA/PA)


Gostou o texto? Nos siga nas redes sociais: Instagram, Facebook e Twitter

Quer anunciar neste blog?
Mande uma mensagem no Whatsapp clicando aqui

Quer sugerir uma pauta?
Mande uma mensagem no Whatsapp clicando aqui ou um email clicando aqui

Tenho indicações para você apofundar seus estudos em Cardiologia. Espia só:
  • Sistema Cardiovascular: anatomia e fisiologia
  • Curso de Eletrocardiograma Básico
  • Drive Virtual de Fisioterapia na Cardiologia
  • Curso Online de Fisioterapia Aplicada à Cardiologia


  • Poste um Comentário

    Tecnologia do Blogger.