A prática regular de atividades físicas pode ajudar a prevenir o entupimento das artérias, ao combater os efeitos do estresse na for...

Exercícios podem reverter efeitos do estresse no entupimento de artérias


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A prática regular de atividades físicas pode ajudar a prevenir o entupimento das artérias, ao combater os efeitos do estresse na formação de placas de gordura, segundo estudo apresentado este mês no Congresso de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Europeia de Cardiologia. Em testes com ratos propensos geneticamente a ter aterosclerose, os cientistas da Universidade de Kyoto, no Japão, observaram que "o estresse induz a expressão de moléculas de adesão nas placas ateroscleróticas", mas os exercícios podem combater esse efeito. 

No estudo, os pesquisadores induziram aterosclerose nos roedores com uma dieta rica em gordura, e provocaram estresse comportamental nos animais com o teste de esconder bolinhas de gude. E alguns camundongos foram selecionados para fazerem exercícios - 45 minutos de natação, três vezes por semana - por oito semanas, enquanto outros ficaram sedentários.

Com as análises, os especialistas observaram que placas com acúmulo de células produtoras da molécula de adesão celular - que favorecia a aterosclerose - foram induzidas em ratos estressados. Entretanto, a expressão dessa molécula foi suprimida nos animais que realizavam exercícios físicos. Além disso, a atividade reduziu a produção superóxida - associada a inflamações - nas paredes da artéria aorta, em comparação com os ratos sedentários.

Baseados nos resultados, os pesquisadores destacaram que a prática regular de atividades físicas pode ajudar a prevenir aterosclerose induzida por uma dieta rica em gordura associada ao estresse e à ansiedade. "O estresse comportamental induz a expressão da molécula de adesão nas placas ateroscleróticas em ratos deficientes de apolipoproteína E. O treinamento com exercícios pode estabilizar as placas instáveis induzidas pelo comportamento de estresse neste modelo animal", concluíram os autores.

Fonte: Heart Failure Congress 2010. Abstract 1417.

Elaborado por duas fisioterapeutas altamente capacitadas e de renome internacional, esta obra oferece uma abordagem par...

Fisioterapia para Problemas Respiratórios e Cardíacos

Fisioterapia para Problemas Respiratórios e Cardíacos


Elaborado por duas fisioterapeutas altamente capacitadas e de renome internacional, esta obra oferece uma abordagem para a solução de problemas relativos às habilidades práticas, necessárias à avaliação, ao plano e à implementação do tratamento fisioterapêutico para determinado grupo de pacientes (crianças e adultos)

Leitura de valor incalculável para fisioterapeutas em todos os níveis. Aqueles que assistem pacientes com problemas cardíacos, pulmonares e da parede torácica certamente serão unânimes em reconhecer que as informações aqui apresentadas possibilitam uma melhor compreensão das necessidades de seus pacientes, capacitando-os assim a oferecer-lhes uma assistência mais qualificada.

  • Editora: Guanabara Koogan
  • Autor: JENNIFER A. PRYOR & B.A. WEBBER
  • ISBN: 8527707012
  • Origem: Nacional
  • Ano: 2002
  • Edição: 2
  • Número de páginas: 384
  • Acabamento: Brochura
  • Formato: Grande
  • Código de Barras: 9788527707015



Aproveitando o gancho criado pelo texto do José Márcio sobre "desmaio ", vamos falar aqui sobre as Artérias Carótidas e sobre o q...

Anatomia e patologia das artérias carótidas

Aproveitando o gancho criado pelo texto do José Márcio sobre "desmaio", vamos falar aqui sobre as Artérias Carótidas e sobre o que acontece quando obstruem, já que um dos sintomas mais importantes nestes casos é a Síncope, um tipo de desmaio como conhecemos, que pode sinalizar a falta de oxigenação adequada do cérebro.

Para iniciar, vamos revisar a localização anatômica das Carótidas, e assim entendermos o porquê de desmaios na obstrução delas. Como já falamos no "Artérias e Veias", artérias são os vasos que levam o sangue rico em oxigênio e nutrientes, correto? Essas artérias, que são duas – direita e esquerda, são ramos do arco da Aorta, e saem logo após esta partir do coração. A Artéria Carótida Comum Direita se origina na verdade no tronco braquiocefálico, que é o maior ramo do arco da Aorta, e logo depois se divide em Artéria Carótida Comum Direita e Artéria Subclávia Direita, que vai para o braço direito. A Carótida Comum Esquerda parte na maioria das vezes diretamente da Aorta. Ambas passam então pelo pescoço (onde palpamos o pulso carotídeo) e seguem em direção à cabeça, se dividindo ainda em internas – que vão para o cérebro, e externas - que irrigarão outros setores da cabeça e do pescoço (tireoide, faringe, língua, face, e outros).

A causa mais comum de obstruções da Carótida é aterosclerose, ou seja, a formação de placa de ateroma, que evolui com o estreitamento progressivo da luz da artéria (estenose da artéria). Normalmente, este processo acontece na bifurcação da Carótida Comum em Externa e Interna, que leva o sangue rico em oxigênio para o cérebro. Essas placas, além de levarem à estenose, favorecem ainda a formação de trombos (coágulos) no seu interior que podem se soltar em direção ao cérebro (embolização), provocando acidentes isquêmicos, ambas então – estenose e embolização – podem terminar em um Acidente Vascular Cerebral (AVC) ou a Ataques Isquêmicos Transitórios (AITs). Estamos vendo aqui a causa mais comum de AVC isquêmico e de AITs, mas há ainda outras doenças carotídeas que podem terminar desta forma, como a dissecção, o acotovelamento, aneurisma , arterite ou a displasia.

Então, o objetivo no tratamento das obstruções das carótidas é prevenir os AITs e o AVC isquêmico, este que é irreversível. Ninguém trata doença carotídea para reverter um AVC, por exemplo. Para frisar, O OBJETIVO É PREVENIR!

O tratamento inicialmente é clínico, com o uso de medicações para controle da Hipertensão Arterial, do Colesterol e da Diabetes Mellitus. Além dessas, o uso de medicações para "afinar o sangue", como é dito popularmente, os antiagregantes plaquetários, também é parte do tratamento. E, é claro, são necessárias mudanças comportamentais! Cigarro, dieta irregular rica em gordura e sedentarismo devem ser combatidos. Vamos lá, o objetivo é prevenir, certo? Temos que primeiramente prevenir a formação da placa, a obstrução da artéria!

Os critérios para partirmos para o tratamento cirúrgico são bastante rigorosos. Como em qualquer outra cirurgia, temos que analisar muito bem o Risco X Benefício da cirurgia. Pacientes com estenoses maiores que 70% e sintomáticos, são a indicação-base para o tratamento cirúrgico, visto que o risco deste paciente fazer um AVC isquêmico é maior do que o risco da cirurgia. Existem ainda várias outras indicações mais subjetivas, ou seja, dependem muito de paciente para paciente, em relação à idade, presença de outras doenças, se já teve o AVC ou não, de como está a outra carótida e as Artérias Vertebrais (que também levam sangue ao cérebro), etc.

Hoje há duas formas de tratamento cirúrgico, o convencional (cirurgia aberta) e a angioplastia (cirurgia endovascular). É importante entender que até hoje não foi comprovado se uma é ou não melhor que a outra, mas que cada uma tem suas indicações. Deixaremos esta discussão para outro dia.

Objetivo : Verificar a relevância dada à relação fisioterapeuta-paciente, pela classe profissional, e a importância dada à abordagem sistê...

Fisioterapeuta x Paciente no pós-operatório de Revascularização do Miocárdio


Objetivo
: Verificar a relevância dada à relação fisioterapeuta-paciente, pela classe profissional, e a importância dada à abordagem sistêmica ao paciente.

Método: Estudo quali-quantitativo, no qual foi realizado um levantamento bibliográfico, utilizando como campo de pesquisa as bases de dados: Bireme, Arquivos Brasileiros de Cardiologia e Efdeport. Alem de revistas, livros e outros artigos citados na bibliografia, que serviram de pilares para a discussão. Os dados foram colhidos por meio de uma ficha de leitura, e organizados em tabelas.

Resultados: Foram encontrados quinze trabalhos pertinentes ao tema, sendo que nenhum (0%), abordou o assunto relação fisioterapeuta-paciente.

Conclusões: Ao concluir a pesquisa, percebemos uma escassez de estudos que façam relevância do aspecto humano sistêmico da relação fisioterapeuta-paciente. Sentimos ainda, que há uma necessidade de se fazer uma nova reflexão sobre a formação profissional do fisioterapeuta.

Palavras-chaves: Relação fisioterapeuta-paciente; ensino da fisioterapia; aspectos psicoemocionais do paciente revascularizado.  




Abstract

Objective: To check eminence given to the relation of Patient-Physiotheraphyc, by the professional class, and the importance given to systematic accost to the patient.

Method: Studying quali-quatification that was realized in a bibliography, using of the bases information. Bireme, Eldeport Cardiologic Brasilian research. Besides magazines, books and another articles cited, the bibliography, that served, for discussed. The information were to collected by one reading file, and organized in tables.

Result: The were found fifteen works relevant of the subject that none (0%), approach the subject relation Patient- Physiotheraphyc.

Conclusion: About the conclusion of the research, we realized one shortage about studys that make relevance sistemic human aspect of relation Patient-Physiotheraphyc. We felt besides there do one necessity of a new reflection about professional Physiotheraphyc.

Keys-words: Relation Patient-Physiotheraphyc; Physiotherapyc teaching; Revascularated patient psycho-emotional look.



Introdução

A presente pesquisa advém de uma preocupação anterior, com relação à formação predominantemente técnica do fisioterapeuta, reflexo de uma construção histórica do curso pautado em modelo técnico-mecanicista, no qual o fisioterapeuta teria que "fazer para aprender".(PETRI; ALVES, 2003).
Hoje, apesar das diretrizes curriculares direcionarem o profissional fisioterapeuta como sendo, generalista, humanista, crítico e reflexivo, ao observarmos a matriz curricular do curso, percebemos o predomínio de disciplinas técnicas.
Durante a formação se ouve falar que o ser humano é multidimensional, ou seja, bio-psico-sócio-espiritual, porém ao ser ensinado a abordagem fisioterapêutica apenas a dimensão física é enfatizada. (PETRI, 2003; MARINHO, 1998).
Este fato se torna ainda mais preocupante na área da Cardiologia, ao sabermos que o fisioterapeuta lidará diretamente com o paciente revascularizado, sendo que este carrega consigo uma gama de fatores psico-emocionais, decorrentes do processo da patologia cardíaca e do próprio procedimento cirúrgico, uma vez que qualquer afecção no coração ganha uma dimensão particular, por ser considerado um órgão vital, singular, que ultrapassa a importância de sua estrutura anatômica e suas propriedades fisiológicas (PORTO, 2005; BRANCO, 2003).
Os sentimentos comumente encontrados nesses pacientes no pré e pós-operatório são o medo da morte, ansiedade e depressão (NOVAES, 1996; SILVA, 2000). Após passar por todos os desafios do pré e intra-operatório, ele acorda em um ambiente hostil e estranho que é a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), cercado de aparelhos, pessoas estranhas (profissionais da saúde), que contribuem para aumentar seus temores e sensação de isolamento (GUIMARAES, 1991).
Por tanto, sabendo que o paciente revascularizado possui não só dimensão física, como também se constitui de dimensões psico-emocionais-sociais-espirituais, não se pode direcionar a abordagem fisioterapêutica apenas para a aplicação de técnicas delimitando-se somente a reabilitação física deste paciente.
Afinal o fisioterapeuta como ser humano deve-se posicionar como ser do pensar, que considera a totalidade constituinte do seu paciente, a fim de proporcionar uma relação fisioterapeuta-paciente humanizada, e que certamente repercutirá na recuperação satisfatória do mesmo.

Métodos

Trata-se de um estudo quali-quantitativo cujo campo de pesquisa foram as seguintes bases de dados virtuais: Scielo; Lilacs; Medline, os Arquivos Brasileiros de Cardiologia e a Revista Digital EFDEPORTS.
Foi realizado um levantamento bibliográfico usando como descritores para busca: relação, fisioterapeuta, paciente, e a interação entre eles, e ainda revascularização do miocárdio; foram utilizadas também para busca: relação terapeuta e paciente; relação fisioterapeuta e paciente; características do paciente no pós-operatório de cirurgia cardíaca; técnicas fisioterapêuticas no pós-operatório de cirurgia cardíaca/pós-operatório de revascularização do miocárdio; técnicas manuais de fisioterapia em pacientes no pós-operatório; técnicas manuais em pacientes no pós-operatório de revascularização do miocárdio; abordagem fisioterapêutica no pós-operatório de cirurgia cardíaca; abordagem fisioterapêutica no pós-operatório de revascularização do miocárdio; fisioterapia no pós-operatório de cirurgia cardíaca e fisioterapia no pós-operatório de revascularização do miocárdio.
Foi realizada uma leitura reflexiva dos textos encontrados de acordo com uma ficha de leitura (Apêndice I). Após o preenchimento das fichas, foi realizada a organização dos dados através de tabelas (Apêndice II). Com base na verificação dos resultados das tabelas, abriu-se a discussão reflexiva da pesquisa, culminando posteriormente com a conclusão da mesma.



Resultados e Discussão

A análise reflexiva dos textos levantados na pesquisa bibliográfica apontou para vários resultados aqui descritos.

De acordo com o gráfico 1, dos quinze (100%) artigos levantados dois (14%) referem-se as técnicas manuais, enquanto a maioria, treze (86%) omitem, enfatizando apenas a aplicação dos aparelhos como recurso fisioterapêutico. Em relação aos avanços tecnológicos nove (60%) dos artigos citam, os outros seis (40%) não citam.

No gráfico 2 verifica-se que em relação à equipe multidisciplinar, dos quinze artigos levantados, sete (47%) fazem referência à presença do fisioterapeuta e oito (53%) não citam a inclusão deste profissional na equipe. Destes quinze (100%), seis (40%) citam a presença de médicos (clínicos e cirurgiões) na equipe, e nove (60%) não comentam. Quanto ao psicólogo dois (14%) artigos referem-se a sua presença, enquanto treze (86%) omitem.Em relação aos outros profissionais da saúde (enfermeiros, nutricionistas...) quatro (26%) artigos fazem relevância enquanto onze (74%) não citam.

Em relação às características do paciente revascularizado (gráfico 3), dos quinze artigos levantados, nove (60%) não citam nada a respeito, enquanto seis (40%) citam as características no aspecto fisiológico. Apenas um destes seis cita as características psicoemocionais.

Na questão sobre a relação fisioterapeuta-paciente revascularizado (gráfico 4), dos quinze artigos avaliados, nenhum aborda o tema, sendo, portanto 100% deles isentos deste conceito.
Diante dos resultados obtidos torna-se relevante discutir acerca da relação que o fisioterapeuta estabelece com o paciente revascularizado, uma vez que se constata uma escassez de estudos sobre o assunto.
De acordo com Guimarães (1991), a patologia cardíaca possui uma repercussão diferenciada, de valor superestimado e dramatizada em todos os seus aspectos clínicos, laboratoriais e cirúrgicos, pelo fato de o coração ter um simbolismo mítico e místico considerado o centro das emoções do homem, responsável pela vida.(PORTO, 2005).
O paciente cardiopata, submetido à cirurgia de revascularização do miocárdio, carrega consigo sentimentos próprios do contexto vigente (SILVA; MENDES, 2000). No momento de intervir no órgão símbolo de toda a sua existência física e emocional, o paciente, em muitas ocasiões, se torna vulnerável a repercussões de sua vida pregressa, passando a expressar manifestações de arrependimento, de culpa por atos negativos cometidos no passado, ou se deixa envolver por preocupações mais especificas com a família que pode ficar desamparada com sua ausência. (GUIMARÃES, 1991).
O paciente vivencia várias fases até chegar ao procedimento cirúrgico em si. Neste contexto, momentos de crise e desequilíbrio emocional são constantes desde o pré até o pós-operatório. (BACKES; MARTINS; DELLAZANA, 2001).
Segundo Silva (2000), no pré-operatório identifica-se o nervosismo como principal sentimento relacionado, somado a ansiedade a qual está também presente no intra-operatório, ressaltando o medo da morte.
O pós-operatório emerge primeiramente como alívio pelo indivíduo reconhecer-se acordado, o que significa estar vivo, em seguida como medo da dor e preocupação com a cirurgia.
Para Guimarães (1991), a depressão se manifesta por volta do quarto ou quinto dia após a intervenção, geralmente associada ao estresse provocado pela hospitalização, e pela própria rotina de procedimentos terapêuticos utilizados.
Hojaij; Brigagão; Romano, (1994), afirma que do ponto de vista psicológico, há um desequilíbrio na autopercepção e conseqüentemente, na imagem corporal e na auto-estima do paciente. Isso significa uma mudança na auto-estima juntamente com pensamentos, ou seja, isso passa a repercutir em todos os âmbitos da vida deste individuo, na maneira de se ver na sociedade, nas suas tomadas de decisões. Afirma ainda que a imagem corporal é mobilizada também por procedimentos como: tricotomia, sondagens, punções venosas, coletas de exames, entre outros. A maneira como o paciente reage a este desequilíbrio tem impacto sobre sua atuação psico-social o resto de sua vida.
Novaes; Romano; Lage (1996), afirma que quanto maior o tempo de permanência hospitalar, maior o desequilíbrio psicológico do paciente, principalmente após a transferência para a UTI, onde se encontra mais deprimido e mais ansioso.
Afinal, depois de passar todos os desafios do pré e intra-operatórios, o paciente acorda em um ambiente estranho, impactante, que é a UTI, cercado de pessoas estranhas, tendo todas as suas funções vitais controladas por aparelhos e equipamentos, favorecendo a desestruturação de sua identidade (NOVAES, KUHL; KNOBEL, 1998).
Diante desse contexto psico-emocional do paciente revascularizado, chama a atenção para o fato de que dos quinze artigos estudados apenas um faz referência a este aspecto. Neste artigo "Reabilitação após infarto agudo do miocárdio", os autores Castro et al, afirmam que durante a recuperação de um infarto agudo miocárdio, o paciente e sua família são forçados a fazer um número de reajustes sociais e psicológicos. A depressão que ocorre após o evento e a ansiedade são praticamente universais e podem se cronificar a menos que sejam previstos e prevenidos com orientação correta. O pavor da morte, de novo infarto ou da incapacidade de reassumir os padrões de vida anterior é comum e deve ser abordado também na reabilitação. Afirmam ainda que a melhora psicológica marcante pode ser o aspecto mais notável de um programa de reabilitação e tem capacidade suficiente para integrar o paciente no meio social o mais rápido possível.
Para tanto os profissionais envolvidos na recuperação desse paciente devem trazer consigo a consciência de que estarão, lidando com o ser humano dotado de sentimentos, valores próprios, com características psicológicas que são determinantes na sua recuperação. (PETRI; ALVES, 2003).
Assim o paciente cardiopata torna-se um individuo com influências multifatoriais que exige abordagens abrangentes multidisciplinar com a participação de psicólogos. (GUIMARÃES, 1991).
Ao analisarmos os quinze artigos levantados acerca da equipe multidisciplinar, observamos que somente dois citam a participação do psicólogo, predominando a omissão acerca deste profissional, o que nos remete a idéia de desqualificação dessa profissão, o pouco reconhecimento da importância desta atuação ao paciente cardiopata. Por outro lado, observamos que desses dois artigos que marcam a presença do psicólogo na equipe, não fazem referência acerca dos aspectos psicoemocionais do paciente, demonstrando o silêncio do profissional, psicólogo, acabando por novamente não terem seu trabalho relevado. É inquietante observar que dentro dos quinze artigos lidos treze não relatam sobre a abordagem manual do fisioterapeuta contra nove que citam a cerca dos avanços tecnológicos e aparelhos utilizados na fisioterapia com este paciente. Há uma valorização maior do aparelho do que o contato físico do fisioterapeuta com o paciente revascularizado. Refere-se ao aparelho como se ele funcionasse sozinho ou substituísse o fisioterapeuta. Portanto, segundo Silva (2000) o encontro com o paciente nunca é neutro, o fisioterapeuta deve reconhecer que sua presença é tão importante quanto o procedimento técnico. O fisioterapeuta há de se instrumentalizar para lidar com este paciente, saber do seu contexto enquanto ser humano, a fim de ter uma relação com o paciente que flui melhor.
O fisioterapeuta presente na equipe multiprofissional deve se posicionar como ser do pensar e perceber além das entrelinhas da história do paciente: perceber se ele esta com dor, medo, angústia, alcançar uma abordagem humana sistêmica com esse paciente que reflete na relação fisioterapeuta-paciente.
Talvez uma abordagem sistêmica do paciente revascularizado constitua o desafio para fisioterapeuta, que lida diretamente com este paciente. É inquietante como nenhum dos trabalhos analisados abordam a relação fisioterapeuta-paciente, indicando como pouco se fala deste assunto.
De acordo com Marinho (1998) o fisioterapeuta, tem sua formação profissional baseada no modelo biomédico de concepção mecanicista, assim como as demais profissões da área da saúde. Nessa perspectiva o ser humano é visto como parte fragmentada de um todo. Então o fisioterapeuta "deixa de contemplar os aspectos mais amplos e constitutivos da natureza humana para abordar apenas uma de suas facetas, e mesmo esta fragmentada em unidades menores não relacionadas" (1998 p.12). Na pesquisa realizada por Andrade e Sanches (2005) destaca-se a fala de um dos fisioterapeutas entrevistados a cerca de sua grade curricular:

"É, nós ainda ao planejarmos o curso temos um olhar técnico e se tivermos que escolher entre mais disciplinas para treinamento de habilidades ou uma de filosofia, naturalmente nós vamos para as habilidades".(ANDRADE; SANCHES,2005,p.3)

O fisioterapeuta tem um bom treinamento dos procedimentos técnicos durante a formação acadêmica. Isso o torna capaz de tratar as doenças, contudo ele não trata doenças, mas sim doentes. (BRANCO, 1998).
Portanto não se pode atender as necessidades do paciente no pós-operatório de revascularização do miocárdio, direcionando o olhar para a doença tão somente, desprezando a gama de fatores psico-emocionais-sociais que envolve esse paciente nesse momento. Afinal, para Branco (1998, pg.42), "muitas vezes a doença é o manifestar do sofrimento da alma".
De acordo com Remen (1993) para o profissional cuidar da "pessoa inteira". É preciso estar presente como "pessoa inteira", do contrário, a capacidade para compreender, responder e se relacionar torna-se limitada. Afirma ainda que, na verdade,

"a questão não é saber como o profissional pode cuidar da pessoa inteira, mas sim, como pode, enquanto uma pessoa inteira, interessar-se pelo outro como um todo". (REMEN, 1993, pg 184).


É preciso que o fisioterapeuta se comprometa com o cuidado humano e solidário o que contribuirá para o bem estar geral do paciente cardiopata. O cuidado se constrói na base da cooperação, nas explicações que orientam o doente pós-cirúrgico, na educação para o cuidado, na execução hábil e decidida e na explicação ao doente de cada procedimento técnico, nas palavras estimulantes e, sobretudo, no toque afetivo.



Conclusão

Ao concluir a pesquisa, percebemos uma escassez de estudos que façam relevância do aspecto humano sistêmico da relação fisioterapeuta-paciente. Sentimos ainda, que há uma necessidade de se fazer uma nova reflexão sobre a formação profissional do fisioterapeuta.
Afinal, o fisioterapeuta com sua formação predominantemente técnica mecanicista estará lidando diretamente com o paciente revascularizado cardíaco que traz consigo uma série de experiências e sentimentos negativos decorrentes do curso da cardiopatia.
Nesse momento que se estabelece uma relação entre fisioterapeuta e o paciente revascularizado, o fisioterapeuta mais que um "aplicador de técnicas", deve trazer consigo uma bagagem que lhe permita cuidar do paciente como um todo, preocupando em compreender as manifestações psicoemocionais do paciente revascularizado, para que ao reabilitar esse paciente, consiga minimizar os traumas, alcançar uma relação positiva que venha contribuir para a recuperação do mesmo.
Porém ao se fazer uma breve analise dos cursos de graduação e pós-graduação de fisioterapia, nota-se uma ausência de disciplinas que capacitem o fisioterapeuta estabelecer uma relação humana sistêmica com seu paciente.
A experiência vivenciada na pós-graduação de reabilitação cardiovascular da Universidade Evangélica de Anápolis, que já tem incluído na sua matriz curricular a disciplina Relação Fisioterapeuta-Paciente , nos substanciou ainda mais no nosso papel enquanto profissional fisioterapeuta que lidará diretamente com o paciente cardiopata.
Portanto, se faz necessário rever a matriz curricular dos cursos de fisioterapia e buscar a inclusão de disciplinas que atentem para essa relação, despertando o fisioterapeuta para uma nova perspectiva sobre sua atuação.



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-    SIM, J. Aspectos interpessoais da assistência: comunicação, orientação e educação na saúde. In: PRIOR, J.A; WEBLER, B.A. Fisioterapia para problemas respiratórios e cardíacos. São Paulo: Guanabara Koogan, 2002. Cap.9, p. 151-160.

-    TANIGUCHI, L.N.T; PINHEIRO, A.P.A. Particularidades do atendimento ao paciente em pós-operatório de cirurgia cardíaca. In: REGENGA, M.M. Fisioterapia em cardiologia da UTI a reabilitação. São Paulo: Roca, 2000.Cap. 7, p. 129-132.

-    TOLEDO, V.L.G; FELDBERG, S.M; et al. Integração do fisioterapeuta no tratamento cirúrgico do cardiopata. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, 32/6: 387-370, Instituto do Coração (INCOR) HC-FMUSP- São Paulo-SP, 1979.

-    VILA, V.S.C. O significado cultural do cuidado humanizado em Unidade de Terapia Intensiva: muito falado e pouco vivido. Dissertação de mestrado. Ribeirão Preto, Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto/USP, 2001.


Apêndice 1

Ficha de Leitura

Nome do Artigo

Autores

Fonte

1. Técnicas Manuais de Fioterapia SIM □   
NÃO□
2. Avanços Tecnológicos / Aparelhos SIM□  
NÃO□
3. Fisioterapeuta na Equipe
SIM□  
NÃO□
Qual?

4. Características do Paciente Revascularizado SIM□
NÃO□
Qual?

5. Relação Fisioterapeuta / Paciente Revascularizado SIM□
NÃO□

O que?



 

Apêndice 2
Tabelas e itens de Organização dos Dados Colhidos
Tabela 1: Abordagem Fisioterapêutica em pacientes no Pós-operatório de Revascularização do Miocárdio nos Peródicos Analisados

 

ABORDAGEM

CITADO ARTIGO

%

NÃO CITADO NO ARTIGO

%

TOTAL

%

TÉCNICAS MANUAIS

2

14%

13

86%

15

100%

AVANÇOS TECNOLOGICOS/APARELHOS

9

60%

6

40%

15

100%

 

 

Tabela 2: Inclusão do Fisioterapeuta na Equipe Multidisciplinar nos Periódicos Analisados

EQUIPE MULTIDISCIPLINAR

CITADO NO ARTIGO

%

NÃO CITADO

NO ARTIGO

%

TOTAL

%

FISIOTERAPEUTA

7

47%

8

53%

15

100%

MÉDICOS (CLÍNICOS E CIRURGIÕES)

6

40%

9

60%

15

100%

PSICÓLOGOS

2

14%

13

86%

15

100%

OUTROS(ENFERMEIROS, NUTRICIONISTAS...)

4

26%

11

74%

15

100%

 

 

item 1 - Características do Paciente Revascularizado

Total de artigos: 15 = 100%
-    Artigos que citam: 6 = 40%
-    Artigos que não citam: 9 = 60%


Item 2 - Relação Fisioterapeuta-Paciente Revascularizado

Total de artigos: 15 = 100%
-    Artigos que citam: 0 = 0%
-    Artigos que não citam: 15 = 100%

 

 

A aorta é a maior e principal artéria do organismo. Ela recebe todo o sangue ejetado do ventrículo esquerdo do coração, distribuindo-o pa...

Saiba mais sobre a aneurisma da aorta abdominal

A aorta é a maior e principal artéria do organismo. Ela recebe todo o sangue ejetado do ventrículo esquerdo do coração, distribuindo-o para todo o corpo, com exceção dos dois pulmões. A aorta ramifica-se em artérias menores ao longo de seu trajeto, desde o ventrículo esquerdo até a parte inferior do abdômen, ao nível da porção superior do osso do quadril.

Sua parede apresenta três elementos principais: a íntima (revstimento interno em contato direto com o sangue), a camada média (muscular) e a adventícia (camada mais externa).O diâmetro  normal da aorta varia de 2 até 2,5 cm. As doenças da aorta incluem os aneurismas (dilatações em regiões frágeis de sua parede), ruptura da aorta , hemorragia e a dissecção aórtica (separação da camadas de sua parede por entrada de uma coluna de sangue). Qualquer um desses distúrbios pode ser imediatamente fatal .

O sangue que deixa o coração através da aorta chega a todas as regiões do organismo, excetuando-se os dois pulmões. A aorta também costuma ser um dos primeiros locais a ser acometido pela aterosclerose , doença que pode contribuir para o aparecimento de outras, como as citadas acima.

Aneurismas da aorta 

Um  aneurisma da aorta (AA) é uma saliência (dilatação) na parede da artéria aorta, geralmente ocorrendo em uma parte enfraquecida da parede da artéria. Embora possam ocorrer em qualquer local ao longo da aorta, três quartos desses AA ocorrem no segmento abdominal (parte da aorta abaixo do tórax , na cavidade abdominal).Os AA são decorrentes principalmente da aterosclerose ( formação de placas de gordura ou ateromas , na parade da artéria).

A aterosclerose enfraquece suficientemente a parede da aorta até a pressão intra-arterial provocar a dilatação. Frequentemente, ocorre a formação de um coágulo sanguíneo (trombo) dentro do aneurisma, o qual pode disseminar-se ao longo de toda a parede. A hipertensão arterial (pressão alta) ,  tabagismo ,  traumatismos, doenças inflamatórias da aorta, distúrbios hereditários do tecido conjuntivo (como as síndromes de Marfan e a de Enlers-Danlos) e a sífilis, são doenças que predispõem à formação de AA.

No caso da síndrome de Marfan, o aneurisma pode desenvolver-se principalmente na aorta ascendente (o segmento que sai diretamente do coração).Os aneurismas também podem desenvolver-se em outras artérias que não a aorta . Muitos deles são decorrentes de uma debilidade congênita ou da aterosclerose  e, outros , são devidos a lesões causadas por arma branca ou por arma de fogo ou por infecções bacterianas ou fúngicas na parede arterial. Geralmente, a infecção começa em uma outra região do corpo, mais comumente em uma válvula cardíaca (endocardite infecciosa).

Os aneurismas infectados das artérias cerebrais são particularmente perigosos e exigem um tratamento precoce. Freqüentemente, o tratamento inclui a reparação cirúrgica ou o implante de pequenas molas que ocupam a região do aneurisma , evitando um rompimento.

Aneurismas da aorta abdominal 

Os  aneurismas da aorta abdominal (AAAb)  são localizados no segmento da aorta que passa pelo abdômen tendem a ocorrer em uma mesma família. Mais frequentemente, esses aneurismas desenvolvem-se em pessoas com hipertensão arterial. Esses aneurismas frequentemente atingem mais de 7 centímetros e podem romper.

- Sinais e sintomas:

Muitas vezes o AAAb é totalmente assintomático, mesmo quando suas dimensões são consideráveis. Um indivíduo com AAAb frequentemente começa a perceber uma espécie de pulsação no abdômen. O AAAb pode causar dor, geralmente uma dor profunda e penetrante, sobretudo na região dorsal , próximo à coluna. A dor pode ser intensa e constante, embora ela possa ser aliviada com a mudança de posição.

Geralmente, o primeiro sinal de uma ruptura é uma dor intensa na região inferior do abdômen e nas costas e uma maior sensibilidade na área sobre o aneurisma. No caso de um sangramento interno grave, o indivíduo pode entrar rapidamente em choque (queda abrupta e intensa da pressão arterial ). Um AAAb roto é frequentemente fatal.

- Diagnóstico:

A dor é um sintoma diagnóstico muito útil, mas que surge tardiamente. No entanto, muitos indivíduos com AAAb não apresentam sintomas e são diagnosticadas por acaso, durante um exame físico de rotina ou através de ecografias ou radiografias realizadas por outra razão qualquer. O médico pode sentir uma massa pulsátil na linha média do abdômen. Os AAAb de crescimento rápido, que estão prestes a romper, frequentemente doem espontaneamente ou quando são pressionados durante o exame da região abdominal.

Nos indivíduos obesos, mesmo aneurismas grandes podem passar desapercebidos. Uma radio X do abdômen pode revelar um AAAb que possui depósitos de cálcio em sua parede. Frequentemente um simples exame ecográfico (que utiliza ondas de ultrassom ), revela com nitidez o tamanho do AAAb. A tomografia abdominal da aorta (angiotomografia), principalmente quando realizada após a injeção intravenosa de um contraste, é ainda mais precisa na determinação do tamanho e da forma do AAAb. A angiorressonância magnética também é precisa, porém é mais cara que a ecografia abdominal, sendo raramente necessária.

- Tratamento:

A menos que o AAAb esteja rompendo, o tratamento dependerá de seu tamanho. Um aneurisma com menos de 5 centímetros de largura raramente se rompe, mas quando é maior do que 6 centímetros, a ruptura é uma ocorrência bem mais comum. Por essa razão, os médicos geralmente recomendam a cirurgia para aneurismas com mais de 5,5 centímetros de largura, a menos que o procedimento seja arriscado demais por outras razões médicas. A cirurgia consiste na colocação de um enxerto sintético para reparar o aneurisma. O índice de mortalidade decorrente desse tipo de cirurgia é de aproximadamente 2%.

A ruptura ou a ameaça de ruptura de um aneurisma abdominal exige uma cirurgia de emergência. O risco de morte durante uma cirurgia para um aneurisma roto é de aproximadamente de 50%. Quando ocorre a ruptura de um aneurisma, os rins apresentam risco de lesão em função do comprometimento da irrigação sanguínea ou do choque , relacionado à perda maciça de sangue. Caso ocorra insuficiência renal após a cirurgia, a probabilidade de sobrevivência é muito baixa. Um aneurisma roto e não tratado sempre é fatal.

Outra possibilidade de tratamento do AAAb é a colocação de uma endoprótese , estrutura metálica que é aberta dentro da porção doente da aorta , impedindo que no futuro esta se rompa. A vantagem do implante da endoprótese é o  baixo risco do procedimento  e a rápida recuperação dos pacientes.

Definição A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma patologia do sistema cardiovascular mais conhecida como pressão alta, caracterizada...

Tratamento Fisioterapêutico na Hipertensão Arterial Sistêmica

Definição

A Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma patologia do sistema cardiovascular mais conhecida como pressão alta, caracterizada pela elevação e sustentação da pressão arterial, onde indivíduos tende a apresentar a pressão arterial igual ou superior na pressão sistólica 140mmHg e na pressão diastólica 90mmHg.Associa-se freqüentemente a alterações funcionais e/ou estruturais dos órgãos-alvo (coração, encéfalo, rins e vasos sanguíneos) e a alterações metabólicas, com conseqüente aumento do risco de eventos cardiovasculares fatais e não fatais.



Etiologia

A Pressão Arterial (PA) é o produto Debito Cardíaco (DC) mais a Resistência Periférica Total (RPT), então toda vez que se aumenta e sustenta o DC e a RPT ocorre o aumento da PA, em pacientes hipertensos esse aumento se sustenta não ocorrendo à diminuição da PA, podendo ocorrer uma falha no reflexo barorreceptor e no sistema renina angiotensina aldosterona, que são responsáveis pela regulação da PA, quando a PA se sustenta e se mantém alta, o reflexo barorreceptor e o sistema renina angiotensina aldosterona pensa que essa é a pressão normal, pois não há alteração. Vários fatores podem influenciar o aumento da PA como idade, gênero, etnia, ingestão de sal e álcool, excesso de peso e obesidade, sedentarismo, genética, nível socioeconômico.

Hipertensão arterial pode se classificar em hipertensão primária, onde não há causa definida por múltiplos fatores envolvidos, e hipertensão secundaria, onde pode ocorre por uma manifestação de uma doença provocada, antecipada ou ainda agravada pelo aumento da PA, como em doenças renais e do trato urinário, doenças obstrutiva das artérias renais, coartação da aorta, hipertireoidismo, síndrome de Cushing, entre outras doenças. Além disso, pode ser causada por medicamento de ação hipertensiva, como uso crônico de anticoncepcional oral, corticosteróides, vasoconstritores nasais ou sistêmicos, antidepressivos tricíclicos, antiinflamatórios não hormonais, entre outros medicamentos.

De acordo com VI diretrizes brasileira de cardiologia 2010 a classificação da PA para maiores de 18 anos.

 

Tabela- Classificação da pressão arterial de acordo com a medida casual no consultório (> 18 anos)
Classificação Pressão sistólica
Pressão diastólica
(mmHg) 
(mmHg) 
Ótima 
< 120 < 80
Normal
< 130 < 85
Limítrofe*
130 - 139 85 - 89
Hipertensão estágio 1 
140 - 159 90 - 99
Hipertensão estágio 2
160 - 179 100 0 109
Hipertensão estágio 3
>= 180 >= 110
Hipertensão sistólica isolada 
>= 140 < 90


Quando as pressões sistólicas e diastólicas situam-se em categorias diferentes, a maior deve ser utilizada para classificação da pressão arterial.

* Pressão normal-alta ou pré-hipertensão são termos que se equivalem na literatura.



Epidemiologia

Com um alto índice de prevalência no Brasil, de acordo com IV diretrizes brasileira de cardiologia 2010 a prevalência é acima de 30% na população brasileira4. HAS é um dos principais fatores de morbidade e mortalidade da população, aumentou-se gradativamente com a idade e principalmente em obesos, variando também em histórico familiar de hipertensão arterial, baixo nível socioeconômico, por abusos de bebidas alcoólicas e por usos de drogas. A prevalência em homens 35,8% é maior que em mulheres 30% de acordo com VI diretrizes brasileira de cardiologia 20104.

A HAS é um dos principais problemas de saúde publica, por ser uma patologia cardiovascular importante, pois a falha na estrutura e/ou funcionamento nos orgãos-alvo, ou por alterações metabólicas, favorece gradativamente doença renal, doença cardiovascular, entre outras doenças, podendo ser a causa da doença ou agravante da mesma. Para o Ministério da Saúde, o país tem 17 milhões de pessoas com HAS.

A análise de custo-efetividade do tratamento anti-hipertensivo é útil para orientar a alocação de recursos dos financiadores do sistema de saúde, tanto públicos como privados, porém não é capaz de responder as questões específicas sobre o impacto orçamentário.


Critérios de Diagnóstico

A PA é calculada pelo aferimento de duas pressões que são a sistólica que é a pressão alta, ocorre durante a contração do ventrículo esquerdo e enchimento da artéria, e a diastólica que é a pressão baixa, ocorre à dilatação pela força de retorno da pressa lateral na artéria. A alteração constante dessas duas pressões é considerada como pressão arterial sistêmica.

É fundamental a medida da PA, com técnica auscultatória com uso de esfigmomanômetro de coluna de mercúrio ou aneróide devidamente calibrada, ou com técnica oscilométrica pelos aparelhos semiautomáticos digitais de braço validados estando também calibradas realizadas mais de uma vez para confirmação durante a consulta realizada para verificação da pressão arterial sistólica e diastólica, ou por meio da Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA), Monitorização Residencial de Pressão Arterial (MRPA), teste ergométrico.

Outros critérios de diagnósticos são pelos fatores de risco associados como as lesões de orgãos-alvo, anamnese, avaliação cardiovascular, exames laboratórios de urina rotina, creatinina, potássio sérico, glicemia de jejum, colesterol total, eletrocardiograma de repouso, acido úrico plasmático, dosagem de TSH, triglicérides plasmáticos.


Comprometimento Funcional

Ocorre principalmente em órgãos-alvo, alteração em sua estrutura e/ou função, alteração metabólica ou genética, acometendo principalmente o encéfalo, vaso, rins, coração, podendo ocorre em outros órgãos como os olhos e alterações metabólicas, podendo ter comprometimento leves ao mais graves e até mesmo fatais.

No encéfalo, doença cerebrovascular mais conhecido como Acidente Vascular Encefálico (AVE), outras formas de comprometimento nesta região são Acidente Vascular Encefálico Hemorrágico (AVEH), Acidente Vascular Isquêmico (AVEI), ocorrendo alteração cognitiva. Já nos rins, doença renal como nefropatia diabética que é a diminuição da filtração dos rins causando perda de proteína na urina, na forma progressiva ocorre total paralisação.

Nos vasos, doença arterial periférica como arteriopatia aterosclerótica, vasculites, ateroembolia. No coração, doença cardíaca com infarto agudo do miocárdio, angina de peito, insuficiência cardíaca, revascularização coronária. Nos olhos, retinopatia avançada a casos de hemorragias ou exsudatos, papiledema4.


Tratamento Fisioterapêutico

O principal objetivo do tratamento da hipertensão arterial consiste na redução da morbidade e mortalidade por doenças cardiovasculares do individuo hipertenso (PADWAL, et al., 2001), para promover a queda e a regulação da PA através de exercícios específicos aeróbicos (BACON et al., 2004, SILVA ET AL., 2006), e a respiração controlada (PINHEIRO et AL.,2007), é importante implementar mudanças no estilo de vida, para que essa regulação da PA seja constante, e possa promover a redução no consumo de doses de medicamentos, reduzindo assim efeitos colaterais do tratamento medicamentoso. As atividade físicas de todos os tipos deve-se recomendadas em todos os casos (FEREITA FILHO, 2007).

A prescrição de exercício físico para hipertensos deve ser realizada somente após a realização da anamnese que inclui informações e dados clinico, medidas de peso e altura, circunferência abdominal, Índice de Massa Corporal (IMC), flexibilidade, força muscular, teste de esforço máximo se possível, com medida de gases expirados (MONTEIRO e FILHO, 2004; VIEIRA et al., 2004).  Essa é a base para o programa de reabilitação cardiovascular, onde será baseado o ajuste da dose apropriada de esforço para cada paciente.



Exercício Físico Aeróbico


Podendo ser exercício físico aeróbico leve ou moderado, mais indicada para o controle PA, por produz alterações fisiológica, e alterações metabólicas. Essa alterações levam a uma maior utilização dos lipídios como substrato energético, o que retarda o uso de glicogênio muscular, promovendo um melhor tempo de treinamento com aumento da intensidade de esforço sustentada de acordo com VI diretrizes brasileira de cardiologia 20104.

O exercício físico aeróbico é capaz de reduzir os níveis de PA em repouso e esforço com eficácia comparada ao tratamento farmacológico, sendo mantido este efeito durante todo o período de pratica regular (LIZARDO e SIMÕES, 2005; FERREIRA e FILHO, 2007). Acredita-se, que o mecanismo da hipotensão pós-exercício esteja relacionado a uma redução de RPT causada pela diminuição da estimulação simpática para regiões neuromuscular e cutânea (CLEROUX ET AL., 1992).

O exercício aeróbico deve ser realizado pelo menos três ou mais sessões na semana, com duração de 30 minutos no mínimo de acordo com as IV diretrizes brasileiras de cardiologia 20104, para se obter um efeito hipotensor, além de ajudar a reduzir o peso corporal5. A resposta cardiovascular depende, em relação ao exercício aeróbico varia de intensidade, duração, massa muscular envolvida, o tipo de exercício pode ser dinâmico ou isométrico, sendo que cada um desses exercícios implica em respostas cardiovasculares distintas (BRUM ET AL., 2004). Os exercícios aeróbicos devem ser associados aos exercícios resistidos que devem ser realizados em intensidade leves que variam de 40 a 60 % da carga voluntaria máxima5. Outro fator relevante pata redução da PA é o controle da respiração durante os exercícios aeróbicos e a utilização da dieta hipossódica (SHEIN ET AL, 1998).



Referências

1.    Brandão AA, coordenadora. Conceituação, epidemiologia e prevenção primária. J. Bras. Nefrol. Vol.32 supl.1 São Paulo set. 2011.
2.    Souza AJ, França XSI. Prevalência da hipertensão arterial em pessoas com mobilidade física prejudicada: implicações para enfermagem. Rev. Bras. Enferm. Vol.61 no.6 Brasília Nov./Dez. 2008.
3.    Junior KO, coordenador. Tratamento medicamentoso. J. Bras. Nefrol.vol.32 supl.1 São Paulo. Set. 2010
4.    Nobre f, coordenador geral. IV diretrizes brasileira de cardiologia 2010. Arq. Bras cardiol 2010; 95(1 supl.1):1-51. Rio de Janeiro. 2010
5.    Faíco MMM, org. Livro Hipertensão arterial sistêmica. Editora FUNEC 2010. 256p. Caratinga – MG.




Trabalho realizado por:

Chirlei de Freitas Moura.


* Acadêmica de Fisioterapia - Centro Universitário de Caratinga - UNEC campus II, Caratinga, Minas Gerais, Brasil.

Um teste para medir a atividade elétrica do coração pode ajudar a prever futuros ataques cardíaco nos adultos saudáveis maiores de 70 an...

Exames cardíacos podem prever futuros ataques em idosos


Um teste para medir a atividade elétrica do coração pode ajudar a prever futuros ataques cardíaco nos adultos saudáveis maiores de 70 anos, destacou na última terça-feira (10) um estudo feito nos Estados Unidos.

Os cientistas fizeram um acompanhamento com 2.192 adultos saudáveis de 70 a 79 anos por um período de oito anos, segundo o estudo publicado no Journal of the American Medical Association.

Os indivíduos começaram sua participação no estudo submetendo-se a um eletrocardiograma, também conhecido como EKG ou ECG, exame que mede o estado geral do coração.

As pessoas que apresentaram anomalias em seus eletrocardiogramas tiveram um risco maior de desenvolver doenças cardíacas no curso do estudo do que as pessoas cujos ECG foram normais, inclusive depois que os cientistas ajustaram os fatores de risco como diabetes e colesterol alto.

Aqueles que mostraram anomalias menores no primeiro exame tinham um risco 35% maior de sofrer um ataque do coração, enquanto aqueles com anomalias importantes tinham um risco 51% maior.

"Esta pesquisa capta a informação de um eletrocardiograma e a soma a outros fatores de risco tradicionais para prever melhor quem vai ter um ataque do coração", disse o co-autor Douglas Bauer, diretor do programa de pesquisa de medicina geral interna da divisão de San Francisco da Universidade da Califórnia.

No entanto, organizações como a Academia de Médicos de Família (American Academy of Family Physicians) não avalizam o uso rotineiro de ECG para a avaliação cardíaca de pacientes de baixo risco, citando os altos custos e a falta de evidências de que o exame permitiria melhorar os resultados de saúde.

"Por enquanto, a falta de uma clara evidência dos benefícios eventuais e ao não ter claras as implicações de custos, o melhor conselho não é realizar eletrocardiogramas em pacientes assintomáticos, independente de sua idade", destacou em editorial Philip Greenland, especialista da Faculdade de Medicina da Universidade Northwestern.

"No entanto, uma análise detalhada e cuidadosa seria um passo útil para transformar a informação sobre o risco acumulado em uma recomendação para a prática baseada na evidência", destacou.

A doença cardíaca é a principal causa de morte nos Estados Unidos e responde por uma a cada três mortes no país, segundo a Associação Cardíaca americana.

Atualmente a doença coronariana é a maior causa de morbidade e mortalidade em países industrializados da Europa e da América do Norte. Cer...

Atuação do Fisioterapeuta em programas de Reabilitação Cardíaca




Atualmente a doença coronariana é a maior causa de morbidade e mortalidade em países industrializados da Europa e da América do Norte. Cerca de 30% de todos os óbitos ocorridos no Brasil, tem as doenças cardiovasculares como responsáveis, sendo o infarto agudo do miocárdio sua principal causa.

A incidência de patologias cardiovasculares nos países desenvolvidos vem aumentando a cada ano, com 80% relacionadas à doença arterial coronariana, na qual na maioria das vezes, a cirurgia de revascularização do miocárdio se faz necessária.

O primeiro estudo brasileiro sobre risco cardiovascular, ocorrido em 1990, demonstrou que na cidade de São Paulo 69,3% dos indivíduos acometidos por cardiopatias eram sedentários. No decorrer dos anos, a prática de exercícios físicos foi descritas ora como aliada, ora como deletéria, no controle e tratamento de pacientes com doenças cardiovasculares.

Pacientes cardiopatas sem contra-indicação para realizar exercício físico podem fazer a reabilitação cardíaca. Estudos avaliaram evolução significativa no tratamento de pacientes com doença arterial coronária em pacientes que realizaram um programa de reabilitação cardíaca. Este fato alterou os dados demográficos dos pacientes candidatos à reabilitação cardíaca.

Os pacientes que realizam angioplastia coronária têm benefícios evidentes na realização de programa de reabilitação cardíaca. Aqueles com falência cardíaca congestiva são também candidatos a um programa de reabilitação, entretanto algumas modificações neste são necessárias, este é o caso dos pacientes transplantados do coração.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (2006), define a reabilitação cardíaca como um programa multidisciplinar, que envolve médico, psicólogo, nutricionista, educador físico, enfermeiro e fisioterapeuta e tem como objetivo a reabilitação de pacientes cardiopatas, inclusive pós IAM.

De acordo com as Diretrizes de Reabilitação Cardíaca a prescrição de exercícios deve ficar a cargo de profissional especializado em exercício físico, como o fisioterapeuta.

De forma geral, nos pacientes cardiopatas, programas de condicionamento físico resultam em melhora da capacidade funcional, além de redução da freqüência cardíaca, pressão arterial sistólica e da concentração plasmática de catecolaminas em intensidades submáximas de exercício.

Revisão da literatura

Aspectos da Reabilitação Cardiovascular (RC)


A Organização Mundial da Saúde define a Reabilitação Cardíaca (RC) como sendo "o conjunto das intervenções necessárias para fornecer ao doente cardíaco uma condição física, psicológica e social tão elevadas quanto possível, de forma que os doentes com patologia crônica ou pós aguda possam, pelos seus próprios meios, preservar ou retomar o seu lugar na sociedade".

Pryor e Webber (2002) relatam que, durante os anos 50, os programas de reabilitação envolviam principalmente pacientes com doença arterial coronariana acometidos pelo Infarto Agudo do Miocárdio (IAM). Nessa época, baseados no pressuposto de que a inércia facilitaria o processo de cicatrização, os médicos recomendavam repouso de três semanas.

Com o passar do tempo, observou- se que o repouso prolongado no leito resultava em alguns efeitos deletérios e a atividade física promovia vantagens. Uma vez que o exercício físico pode aumentar a capacidade da função cardiovascular e diminuir a demanda de oxigênio miocárdico para um determinado nível de atividade física.

Hoje, os pacientes saem do leito hospitalar após poucos dias da admissão, retornam para casa 7 a 10 dias depois de disfunções IAM. Além disso, a RC foi ampliada e passou a envolver pacientes acometidos por outras cardiopatias, bem como aqueles em recuperação de angioplastia coronariana ou cirurgia cardíaca.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2004), a reabilitação cardíaca permite aos cardiopatas retornar, o quanto antes, à vida produtiva e ativa, a despeito de possíveis limitações impostas pelo seu processo patológico, pelo maior período de tempo possível. Além de restaurar, nesses pacientes, sua melhor condição fisiológica, social e laborativa; prevenir a progressão, ou reverter o processo aterosclerótico, nos pacientes coronariopatas; reduzir a morbimortalidade cardiovascular e melhora da sintomatologia de angina de peito, ou seja, aumentar a quantidade e a qualidade de vida com relação a custo/efetividade conveniente.

Segundo Dias, Matta e Nunes (2006), o início da terapia de reabilitação cardíaca é definido pela equipe médica, levando em consideração a evolução do paciente, baseado na classificação de Killip-Kimball, que é uma classificação de gravidade baseada em evidências da presença de insuficiência cardíaca ou choque cardiogênico.

Descrição da RC e suas diferentes fases

Em decorrência de novos conceitos de estratificação de risco e manejo, as fases da reabilitação pós-infarto, divididas em 1, 2 e 3, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2004), atualmente sendo denominadas fase hospitalar e fase ambulatorial. Há também aquela fase pós-hospitalar, fase 4, encontrada nesse estudo bibliográfico.

Na fase hospitalar são as atitudes de reabilitação tomadas durante o período compreendido desde o início do evento coronariano até a alta hospitalar, enquanto que a ambulatorial corresponde à reabilitação após a alta hospitalar.

Os objetivos da Fase 1 incluem a educação do paciente e da família, deambulação e realização de exercícios de pequena intensidade com o objetivo de prevenir problemas associados ao repouso prolongado no leito e a preparação para um tipo de vida mais ativo após a alta hospitalar. A Fase 2 representa um programa precoce de pós hospitalização, que consiste em grupos de exercícios monitorados e supervisionados por médicos, educação do paciente e de sua família.

A Fase 3 é realizada em casa, hospitais, clínicas especializadas ou centro comunitários, onde o principal objetivo é alcançar um nível de função compatível com a ocupação profissional de cada paciente, ou até mesmo, sua preferência recreativa. Os programas da fase 4 são uma continuação da fase 3 e representam a fase de manutenção a longo prazo do ganho funcional já adquirido após a recuperação. Os programas dessa fase são comparáveis aos programas de condicionamento físico a adultos sedentários.

Fase 1 – Hospitalar

A fase 1 dos programas de Reabilitação Cardiovascular têm início ainda dentro da unidade coronariana. Ela é composta por exercícios de baixa intensidade, que "durante a internação hospitalar têm se mostrado seguros praticáveis e benéficos, embora não seja observada nenhuma melhora na aptidão cardiovascular com atividades de baixa intensidade" (FARDY, YANOWITZ e WILSON, 1998).

Normalmente esse tipo de atividade é prescrito pelo médico do paciente e usualmente é de responsabilidade do fisioterapeuta ou enfermeiro que podem também contribuir no programa.

Titoto et al (2005) relata que o tratamento fisioterapêutico na fase hospitalar baseia-se em procedimentos simples, como exercícios metabólicos de extremidades, para aumentar a circulação, exercícios respiratórios para eliminar obstruções respiratórias e manter os pulmões limpos, exercícios ativos para manter a amplitude de movimento e elasticidade mecânica dos músculos envolvidos, treino de marcha em superfície plana e com degraus, reduzindo os efeitos prejudiciais do repouso prolongado no leito, com isso aumenta a autoconfiança do paciente e diminui o custo e a permanência hospitalar

Os objetivos dessa fase incluem reduzir o tempo de permanência hospitalar e diminuir os problemas de descondicionamento associados com o repouso prolongado no leito, como atrofia muscular, hipotensão postural e deterioração circulatória geral.

Nessa fase a duração total dos exercícios devem ser em torno de 20 minutos, duas vezes ao dia. Durante o exercício, o aparecimento de alguns sinais e sintomas, tais como: fadiga, dispnéia, cianose, palidez, náuseas, 20 bpm acima da freqüência cardíaca de repouso e pressão sistólica 20 mmhg acima dos níveis de repouso e ainda o índice de percepção de esforço de Borg, indica a interrupção do exercício. A hipotensão arterial indica grande comprometimento da função de bomba ventricular, sendo critério de exclusão do programa de reabilitação3.

Fase 2 e 3 - Ambulatorial


Segundo Marques8 (2004) fase 2 da reabilitação cardíaca é um programa supervisionado para pacientes que receberam alta hospitalar, de exercícios prescritos de forma individual e alternativa de modificação do estilo de vida. "O programa de exercício deve ser individualizado em termos de intensidade, duração, freqüência, modalidade de treinamento e progressão" (SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDOLOGIA, 2005).

Essa fase deve também ser realizada sob a supervisão do médico, como ato contínuo a fase 1. O período de exercícios pode ser iniciado 24h após a alta hospitalar, sempre considerando o estado clínico do paciente. Tem duração prevista de 3 a 6 meses, podendo em algumas situações se estender por mais tempo.

Esta fase tem como objetivo melhorar a função cardiovascular, a capacidade física de trabalho, endurance, flexibilidade, educar o paciente quanto à atividade física, modificação do estilo de vida, melhorar o perfil psicológico, preparar o paciente para o retorno de suas atividades.

Após o término bem sucedido da fase 2, o paciente passa para a 3, que pode ser realizada em casa, clínicas especializadas, programas comunitários ou em outro local com supervisão. Durante a fase 3, a prescrição de exercícios deve ser revista periodicamente, incorporando os ganhos obtidos.

O objetivo da fase 3 é promover adaptações no sistema cardiovascular, para que os pacientes retornem, o quanto antes, às atividades profissionais, esportivas e de lazer com maior segurança.

A fase 3 é na maioria das vezes um programa supervisionado e intermitente monitorizado. Pode ser iniciada em qualquer etapa da evolução da doença, não sendo obrigatoriamente seqüência das fases anteriores. Tem duração prevista de 6 a 24 meses.

Fase 4 – Não-supervisionada

A fase IV é caracterizada por pacientes que optem realizar o tratamento domiciliar, ou em outro ambiente externo. De acordo com Fardy, Yanowitz e Wilson (1998), o programa de exercícios deve ser prescrito por profissional especializado (médico, fisioterapeuta, educador físico), com a finalidade de se obter o benefício clínico e uma melhora contínua da função cardiorrespiratória.

É um programa de longo prazo, de duração indefinida e muito variável. As atividades não são necessariamente supervisionadas, devendo ser adequadas à disponibilidade de tempo para a manutenção do programa de exercícios físicos e às preferências dos pacientes em relação às atividades desportivas recreativas.

Essa fase é geralmente considerada um programa de manutenção, quando a maioria dos parâmetros físicos e fisiológicos estão estagnados. Representa um compromisso com a prática regular de atividade física e controle do estilo de vida, construindo hábitos que necessitam ser levados para toda a vida. Esta fase é também apropriada para indivíduos sedentários sem doença cardíaca, cujo objetivo é melhorar a aptidão física e prevenir problemas de saúde associados à inatividade física. Para estes indivíduos, a fase IV destaca primeiro os ganhos funcionais, o condicionamento e a sua manutenção posteriormente.

Etapas da Reabilitação Cardiovascular

Para Regenga (2000), o programa de RC envolve três etapas: aquecimento, treinamento e desaquecimento. Segundo o autor é necessário registrar diariamente as respostas de freqüência cardíaca e pressão arterial e dos sinais e sintomas apresentados durante as sessões de tratamento.

O aquecimento deve ter duração de 5 à 10 minutos, sendo efetuados exercícios de alongamentos dinâmicos e aeróbicos e de coordenação associados a exercícios respiratórios. Essa fase tem por objetivo preparar os sistemas músculoesquelético e cardiorrespiratório para a fase de condicionamento.

Na etapa do condicionamento são realizados exercícios aeróbicos e exercícios de resistência muscular; com duração de 40 minutos dependendo da capacidade do indivíduo. A freqüência cardíaca deve ser aferida durante esse período, bem como a pressão arterial.

Marques8 (2008) defende que o condicionamento visa estimular o paciente a uma freqüência cardíaca programada a fim de obter efeito de treinamento. A intensidade do esforço deve ser aumentada gradualmente até o nível de treino programado. Os exercícios aeróbicos, rítmicos e dinâmicos são enfatizados e planejados de maneira a exercitar os grupos musculares das extremidades superiores e inferiores.

Os exercícios aeróbicos envolvem os grandes grupos musculares, têm duração típica entre 20 e 40min, e são capazes de elevar o consumo de oxigênio acima do nível de repouso.3 Este tipo de treino melhora significativamente o funcionamento do coração, pulmões e todo o sistema cardiovascular contribuindo para uma entrega de oxigênio mais rápida por todo o corpo.

Sequencialmente aos exercícios aeróbicos são realizados os exercícios de resistência muscular, que constituem-se de contrações dinâmicas realizadas em três séries com o máximo de repetições possíveis, sem ou com baixa resistência e intensidade, longa duração predominando o fator aeróbico. Não visam hipertrofia muscular, mas sim o aumento no fluxo sanguíneo local e uma melhora ou neoformação vascular.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia (2005) os exercícios de resistência muscular, anteriormente contra-indicados para cardiopatas em geral, passaram a integrar as prescrições dos programas de RC, pois objetivam preservar e aumentar a força e a potência muscular, ajudando a melhorar a endurance muscular, a função cardiovascular, o metabolismo, os fatores de risco coronariano e o bem estar geral.

Quando exercícios intensos são subitamente interrompidos, rincipalmente se o indivíduo permanece de pé, há uma tendência do sangue em estasiar nos membros inferiores, resultando em uma diminuição do retorno venoso ao coração. Em conseqüência disso há elevação da freqüência cardíaca e aumento da demanda miocárdica de oxigênio. Hipotensão arterial, hipofluxo cerebral com cefaléia, tonteira ou desmaio também podem ocorrer como conseqüência.

Por esta razão, com o objetivo de retornar o organismo às condições de repouso com valores de pressão arterial e freqüência cardíaca próximo aos basais e prevenir o aparecimento de lesões musculares, Regenga (2000) defende a realização de cinco minutos de caminhada de baixa intensidade utilizada para prevenir a estagnação do sangue nas extremidades, particularmente nas pernas, três minutos de alongamento associado aos exercícios respiratórios.

O papel do profissional fisioterapeuta nos programas de RC

A fisioterapia tem sido considerada um componente fundamental na reabilitação de pacientes cirúrgicos cardiovasculares com o intuito de melhorar o condicionamento cardiovascular e evitar ocorrências tromboembólicas e posturas antálgicas, oferecendo maior independência física e segurança para alta hospitalar e posterior recuperação das atividades de vida diária.

As ações do profissional fisioterapeuta nos programas de reabilitação cardíaca concentram-se principalmente nos aspectos físicos da recuperação, "minimizando os efeitos da perda de condicionamento prejudicado pelo repouso no leito e intensificando o funcionamento cardiovascular e músculo-esquelético" (PRYOR e WEBBER, 1998).

A avaliação, condução de exercícios respiratórios e assistidos ou ativos, deambulação supervisionada subida de escadas e outras, são algumas das atividades que devem ser realizadas pelo profissional fisioterapeuta, sempre de acordo com as condições do paciente. Outras funções importantes se destinam à orientação ao exercício, a automonitorização e a descrição das atividades para serem realizadas em casa, pelo paciente.

Discussão

Estudos apontam as doenças coronarianas como uma das principais causas de óbito em todo mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a doença coronariana continuará a ser, nas primeiras décadas do século XXI, a principal causa da mortalidade mundial.

Nesses casos de patologias cardiovasculares e outras, inclusive cirúrgicas, indicam-se os programas de Reabilitação Cardiovascular, que se baseiam na reabilitação física com conseqüentes reduções da morbidade e mortalidade, sendo ainda, a redução do estresse emocional, promovidos sob a orientação do profissional fisioterapeuta, de forma supervisionada ou não.

De acordo com as Diretrizes de Reabilitação Cardíaca, o estilo de vida sedentário associa-se a um risco duplamente elevado de doença arterial coronariana, havendo uma redução em torno de 20% a 25% no risco de morte nos pacientes de programa de reabilitação cardiovascular, quando comparados aos que não realizam atividades.

Autores relatam que a atividade física permanente, por meio da fisioterapia, tem grande importância na terapêutica dos pacientes, devendo ser iniciada ainda na fase hospitalar, dando prosseguimento pós-alta hospitalar, o que propicia retorno ao estilo de vida anterior melhor qualidade de vida.

Marques apontam evidencias significativas de que a atividade física aeróbica regular reduz o risco de doença cardiovascular e de que o estilo de vida é freqüentemente considerado um dos cinco maiores fatores de risco para doença cardiovascular.

Conclusões

Atualmente os programas de reabilitação cardíaca vêm sendo desenvolvidas em pacientes enfermos cardiovasculares a fim de propiciar um retorno mais precoce às atividades diárias e com melhor qualidade de vida, objetivando a prática regular dos exercícios físicos com segurança e baixos custos.
Para tanto, o programa de RC precisa ser fundamentado na avaliação contínua e objetiva de suas respostas, por meio da orientação e supervisão do profissional fisioterapeuta. Cada alteração no programa de exercício do paciente precisa ser baseada em uma detalhada avaliação objetiva.

Os exercícios prescritos visam a melhora da a aptidão cardiovascular e aumentam a autoconfiança quando praticados por um período prolongado, promovendo adaptações morfológicas e funcionais no que diz respeito ao sistema cardiovascular e ao sistema muscular.

Referências

1. Rozentul LA, Faria MW, Meirelles RL, Brunini CMT. Efeitos da atividade aeróbia sobre a função cardiovascular na fase III da cirurgia de revascularização do miocárdio. Rev Soc Cardiol Estado de São Paulo 2005;15(3Supl A):9-1

2. Miranda A, Santos M. Análise dos efeitos da pressão positiva expiratória nas vias aéreas no pós-operatório de pacientes submetidos a revascularização do miocárdio. Rev Bras Fisioter 2004 set.;(Supl.)182

3. Leite ML, Bispo MB, Souza TO, Cardoso RF. Intervenção fisioterapêutica na reabilitação cardíaca após infarto agudo do miocárdio. [acesso 10 nov 2011] Disponível em:
http://srvwebbib.univale.br/pergamum/tcc/Intervencaofisioterapeuticana reabilitacaocardiacaaposinfartoagudodomiocardio.pdf


4. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz de reabilitação cardíaca.  Arq Bras Cardiol, São Paulo, v.84, n.5, Mai. 2005

5. Pryor JA, Webber BA. Fisioterapia para problemas respiratórios e cardíacos. 2 ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002.  

6. Delisa JA. Tratado de medicina de reabilitação. 3ª ed. São Paulo: Ed. Manole; 2002. P. 115- 144

7. Dias AT, Matta PO, Nunes WA. Índices de gravidade em unidade de terapia intensiva adulto: avaliação clínica e trabalho da enfermagem. Revista Brasileira de Terapia Intensiva, São Paulo, v.18, n.3, p. 279- 281, Jul.- Set. 2006.

8. Marques KS. A Interação dos Profissionais de Educação Física e Fisioterapia na Reabilitação Cardiovascular. [monografia]  2004. 61 f. Universidade Federal de Santa Catarina.

9. FARDY, P. S.; YANOWITZ, F. G.; WILSON, P. K. Reabilitação Cardiovascular: Aptidão Física do Adulto e Teste de Esforço. Rio de Janeiro: Revinter, 1998 287p.

10. Titoto L, Sansão MS, Marino LHC, et al. Reabilitação de pacientes submetidos à cirurgia de revascularização do miocárdio: atualização da literatura nacional.  Arquivo Ciência Saúde,  v.12, n.4, p.216- 219, Out.- Dez. 2005

11. REGENGA, M. M. Fisioterapia em Cardiologia: Da U.T.I. à Reabilitação. São Paulo: Roca, 2000. 292 p


Trabalho realizado por:

Adriana Vieira de Souza Lima Cruz.

Contato: adryanafisio@hotmail.com

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Doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil

Doenças cardiovasculares são silenciosas e precisam de tratamento; prevenção ainda é o melhor remédio. Foto: Getty Images

Em tempos de vida saudável, a discussão sobre doenças cardiovasculares (que afetam o coração e os vasos sanguíneos) nunca sai de cena. Mesmo assim, elas ainda são a principal causa de óbito no Brasil e no mundo. Dados de 2011 da Organização Mundial da Saúde (OMS) estimam que 33% das mortes no país são causadas por problemas no sistema cardiovascular.

"Se nada for feito, em 10 ou 20 anos seremos os campeões mundiais de mortes desse tipo", alerta o cardiologista Miguel Moretti, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo. O especialista irá ministrar uma palestra nesta quinta-feira (29) sobre o assunto na unidade Anália Franco do hospital.

De acordo com o médico, as doenças mais comuns que afetam o sistema cardiovascular são pressão alta, artérias e vasos obstruídos, insuficiência cardíaca. Se não tratados, culminam nos episódios de infarto (parada do coração) e AVC (acidente vascular cerebral). "O problema é que esse tipo de doença é silenciosa, ou seja, nem sempre apresenta sintomas antes de ser tarde demais", diz o especialista. "Por isso, é fundamental que toda a população se conscientize e faça os exames de rotina periodicamente", afirma.

Miguel Moretti afirma que a prevenção é sempre a melhor maneira de manter a qualidade de vida. "Uma vez que a pessoa sofra o infarto, por exemplo, ela poderá ter sequelas, já que uma parte do tecido do coração morreu", explica. A prevenção deve começar a partir da adolescência; pessoas com histórico familiar, no entanto, devem começar mais cedo.

Grupos de risco
Diversos estudos mostram que as mulheres são mais vulneráveis às doenças cardiovasculares depois da menopausa. "Até então elas estavam protegidas pelos hormônios, que têm uma queda acentuada e acabam deixando de funcionar como escudo", explica Miguel Moretti.

Mesmo assim, qualquer pessoa pode e deve fazer a chamada prevenção primária, em que medidas básicas são tomadas para evitar as doenças cardiovasculares a qualquer custo. As recomendações incluem controle de pressão arterial, do colesterol, prática de exercícios físicos e uma boa alimentação.

A prevenção de torna mais rígida quando o indivíduo faz parte de um grupo de risco, como ser portador de diabetes, hipertensão, fumar, ingerir anticoncepcional, ser obeso e/ou ter histórico familiar com casos da doença. "As metas se tornam mais rígidas para o paciente, que não pode descuidar", explica o cardiologista.

Para ele, a combinação da vida moderna de estresse e sedentarismo é uma bomba relógio para qualquer organismo. "Os vasos sanguíneos precisam de exercício como os músculos do corpo", diz o médico, que ainda faz uma reflexão: "as pessoas precisam controlar a ansiedade e ter disciplina, para só assim conseguir viver com qualidade e saúde".

  A Fisioterapia, assim como outras áreas da saúde, tem desenvolvido significantes pesquisas na área da Reabilitação Cardíaca (RC) a fim d...

A intervenção da Fisioterapia na Reabilitação Cardíaca

 

A Fisioterapia, assim como outras áreas da saúde, tem desenvolvido significantes pesquisas na área da Reabilitação Cardíaca (RC) a fim de estimular positivamente, tanto à causa subjacente da doença, quanto às capacidades funcionais do paciente, de maneira que o mesmo possa, através do próprio esforço, realizar as suas atividades da vida diária (SILVA, 2007; PRYOR & WEBBER, 2002). O artigo de revisão da literatura disponibilizado nesta atividade reflexiva aprofunda a discussão sobre as fases da RC, por meio da análise em detalhes do ciclo de intervenção da Fisioterapia, de forma a poder colaborar para uma prática mais eficiente da mesma (SILVA, 2007).

Conforme os estudos de Silva (2007) e Carvalho et al. (2006), a primeira fase da RC corresponde ao período de internamento do paciente numa instituição hospitalar, caso não ocorram complicações, tem uma duração que poderá variar entre 06 e 12 dias. Esta fase pode ser dividida em três subfases: pré-operatório (somente em casos cirúrgicos) a atuação da Fisioterapia está enfocada na orientação clínica, no ensino de técnicas para melhoria da função respiratória e de desobstrução das vias aéreas, a fim de diminuir a incidência de complicações pulmonares pós-cirúrgicas (CPP); na subfase aguda a finalidade é prevenir a ocorrência de complicações respiratórias, monitorizando a remoção de secreções, verificando a ventilação e se necessário a intervenção direta deverá ser seletiva e não generalizada a todos os pacientes; na subfase de mobilização, as metas da Fisioterapia são de assegurar que as capacidades funcionais do paciente permaneçam no nível desejado para as atividades da vida cotidiana e que o mesmo esteja apto para iniciar a próxima etapa.

A segunda fase da RC corresponde ao período de pós-internamento (SILVA, 2007), ou extra-hospitalar (CARVALHO, et al., 2006), tem duração que pode variar entre 03 e 06 meses e pode ser executado em diferentes contextos. A fisioterapia nesta fase da RC almeja aperfeiçoar a independência funcional do paciente facilitando a identificação das suas limitações físicas, o aumento do nível de aptidão cardiorrespiratória e facilitando o desenvolvimento e manutenção de um estilo de vida fisicamente ativo (SILVA, 2007). A respeito do tipo de programa exercício físico nesta fase da RC, Silva (2007) – fazendo referência a outros autores – diz que este deve incluir exercícios aeróbicos (contínuo ou intervalado), exercícios de fortalecimento muscular, como também de flexibilidade a fim de preservar a amplitude de movimentos articulares, numa frequência de 03 a 05 vezes por semana, como também a utilização de técnicas de relaxamento, pois a mesma promove respostas cardiovasculares satisfatórias ao paciente.

A terceira fase da RC pode estender-se durante um período de 06 a 24 meses (CARVALHO, et al., 2006) ou por toda a vida do paciente (SILVA, 2007). De acordo com Carvalho, et al. (2006) a supervisão de exercícios deve ser feita por profissional especializado em exercício físico (professor de educação física e/ou fisioterapeuta). O objetivo é a manutenção em longo prazo das capacidades funcionais desenvolvidos na fase II, focando-se assim na auto-regulação do paciente e adoção de um estilo de vida saudável.

São vários os benefícios que a reabilitação cardiovascular exerce sobre o paciente: ação favorável sobre o perfil lipídico; aumento da capacidade funcional; melhora a angina em repouso; amplia a relação ventilação/perfusão pulmonar; melhora o condicionamento aeróbio; diminui os níveis pressóricos, reduz em torno de 20% a 25% no risco de morte nos pacientes pós-infarto agudo do miocárdio, entre outras (MORAES, et al., 2005).

Embora tais estudos tenham trazidos vários benefícios aos programas de intervenção, precisa-se ainda avançar nas pesquisas para melhor responder aos questionamentos que ainda são pertinentes. A atuação, portanto, do fisioterapeuta em cada uma das fases da RC garante aos pacientes a possibilidade de evolução rápida de suas capacidades funcionais, oferecendo-lhe uma melhor qualidade de vida.

 

REFERÊNCIAS

CARVALHO, T., et al. Diretriz da Reabilitação Cardiopulmonar e Metabólica: Aspectos Práticos e Responsabilidades. Arquivos Brasileiros de Cardiologia - Volume 86, Nº 1: 74-82. 2006.

MORAES R.S., et al. Diretriz de Reabilitação Cardíaca. Arquivos Brasileiros de Cardiologia; Volume 84, Nº 5: 431-40. 2005

PRYOR, J. A., & WEBBER, B. A. Fisioterapia para problemas Respiratórios e Cardiacos. 2ª ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan. 2002.

SILVA, H. Fases da Reabilitação Cardíaca: A Intervenção da Fisioterapia (Revisão da Literatura). EssFisiOnline, vol. 3, nº 3 , 17-35. 2007.


Diego Sarmento de Sousa - Contato: diego_uepa@hotmail.com

- Pós-graduando em Fisiologia do Exercício (Faculdade de Anicuns/GO)
- Graduado em Educação Física (UEPA/PA)
- Acadêmico de Fisioterapia (UEPA/PA)
- Acadêmico de Ciencias Biologias (UFPA/PA)

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